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«The Magnificent Seven» (Os Sete Magníficos) por Paulo Portugal

Poderá sempre questionar-se a motivação de fazer um remake de Os Sete Magníficos, sendo que o original de John Sturgess (1960), já era um adaptação pobre de Os Sete Samurais, de Kurosawa (realizado seis anos antes), mas mal nenhum vem ao mundo, antes pelo contrário, com a chegada aos ecrãs de um novo western, um dos géneros mais saudados por cinéfilos e público em geral. No papel, até que este projeto de Antoine Fuqua, em parceria com o amigo Denzel Washington, a dupla de Dia de Treino e The Equalizer,  a que se juntou Ethan Hawke, faz o seu sentido.

O problema é que não basta reunir uma nova equipa de pistoleiros para contrariar os desígnios dos opressores de uma pequena comunidade. Há que impregnar de conteúdo essa narrativa e não meras variantes do original. Infelizmente, nada de novo nos mostra Fuqua, o que esvazia bastante o seu interesse. Pelo menos, aqui em San Sebastian, onde o filme integrou a projeção para atribuir o Prémio Donostia a Ethan Hawke, pudemos contar com o ponto de vista do ator americano.

Desta vez, o grupo de pistoleiros apostado em defender os camponeses ameaçados é bem mais eclético que na versão anterior, e em vez de enfrentarem um bando de vilões, essa figura é personalizada na personagem de Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard, em mais um papel de vilão), um feroz explorador capitalista que pretende assenhorar-se de uma inteira região mineira. Para isso ameaça essa comunidade em redor da mina com ofertas em que os visados estão proibidos de recusar. Ao pistoleiro Chisolm (Washington) contratado pela viúva de uma vítima de Bogue (a bela e promissora Haley Bennet, que também veio de The Equalizer), junta-se um grupo heterogéneo que inclui Ethan Hawke, Vincent D’Onofrio, Chris Pratt, Byung-hun Lee, Manuel Garcia-Rulfo e Martin Sensmeier.

Seja como for, a construção de um projeto baseado apenas no estilo do género soa a pouco e não acrescenta nada de novo. Nota-se até algum esforço em chegar perto de alguns clássicos de Sergio Leone, se bem que a ação se desenrole de acordo com um roteiro demasiado previsível que retira grande parte do interesse ao filme. Por exemplo, as variantes da estratégia de montar uma barreira de dinamite como se fosse um campo de minas contra o exército de Bogue propicia apenas algumas ruidosas cenas de ação, mas sem chama.

Apesar de Antoine  Fuqua parecer estar cada vez mais empenhado em criar material a partir de sequelas, veja-se o caso de The Equalizer e a anunciada intenção de refazer Scarface, ninguém esqueceu o seu talento no formato de ação vigorosa, como em Dia de Treino, Brooklyn’s Finest ou mesmo o recente Southpaw. Mas deste Os Sete Magníficos esperávamos mais.

 

Paulo Portugal



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