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«Candyman» poderá regressar aos cinemas

Segundo a Bloody Disgusting, Jordan Peele (produtor de BlackKklansman e realizador de Get Out), e a sua produtora Monkeypaw Productions poderão ser os responsáveis pelo regresso de Candyman aos grandes ecrãs.

Inspirado numa criação do escritor do género fantástico, Clive Barker, Candyman é um espirito tragicamente amaldiçoado que surge a quem repetir o seu nome durante cinco vezes em frente de um espelho. A personagem protagonizou três filmes, todos eles encarnados pelo ator Tony Todd.

A mesma fonte indica que esta futura aparição do vingativo espirito poderá ser um remake e não uma sequela direta ao filme original, datado de 1992, que havia sido falado há alguns anos atrás.

«Hagazussa: A Heathen's Curse» vence 12º MOTELx

Hagazussa: a Heathen’s Curse, do austríaco Lukas Fiegelfeld, é o vencedor da 3ª Competição Europeia de Longas-Metragens do MOTELx. O filme, que reflete o papel da Mulher numa época em que a bruxaria é mais que superstição, um medo irracional, competiu pela distinção com outras oitos longa-metragens, incluído duas produções portuguesas (Inner Ghosts e Mutant Blast).

Já na categoria de curtas-metragens, A Estranha Casa na Bruma, de Guilherme Daniel, saiu-se consagrado, recebendo 5.000 euros em prémio e um lugar entre os nomeados para a competição internacional Méliès d`Or, galardão atribuído anualmente pela Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico. A curta Agouro, de David Doutel e Vasco Sá, recebe uma menção especial.

O 12º MOTELx decorreu em Lisboa do dia 4 a 9 de Setembro, apresentando como principal destaque um ciclo sobre Frankenstein e ainda uma exposição de ilustrações baseadas nas criações de H.P. Lovecraft. O filme Elizabeth Harvest, de Sebastian Gutierrez, encerrou o evento.

«Inner Ghosts» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Chega a ser frustrante estas tentativas de explorar um cinema de género no panorama português e Inner Ghosts, uma produção com quase quatro anos (e o desaparecimento do realizador original, João Alves), veio confirmar esse suplicio.

Aqui seguimos Helen (Celia Williams), uma mulher seguida pela tragédia que divide a sua vida com a investigação médica e o seu dom pelo sobrenatural. Decidida em abraçar estes dois mundos tão opostos numa só ciência após a morte da sua mentora, ela abrirá “portas” que não deveriam ser abertas e “fantasmas interiores” que não podem ser revelados. Isto é tudo o que precisamos saber para arrancar um filme com inteira consciência da sua fraude Advertimos os espectadores que não existem graças nestas preces da mesma forma que não existe originalidade nesta criação.

Para além de copista dos territórios à James Wan que têm se apoderado do boca-a-boca da industria de terror (a própria Celia Williams tem muito de Linn Shaye da saga Insidious, e não só coincidências), Inner Ghosts atenta-se com um falta de noção de ridículo tendo em conta a seriedade transmitida. O seu ritmo desvanece por uma longa e apática introdução, provando (ou tentando) com isto ser o mais esperto da sala, um Deus entre formigas, para no final ostentar um resultado inglório embalsamado por climaxes apressados e estampados às três pancadas (para epiléticos, o final é mesmo a evitar).

O que este filme de Paulo Leite destaca-se dentro do panorama português (sublinha-se português para que não haja dúvidas) é o esforço na área visual, desde a caracterização a outros efeitos visuais algo modestos. Só que essa “arte”, assim chamaremos, é insuficiente para nos salvar de um produto com aspirações globais (português só de teoria, porque na pratica temos inglês para mercado internacional ver), mas que se fica pelo requintado medicamento genérico. No cinema de género, convém avançar para não se reter no conformismo oportunista e Inner Ghosts aprecia, mais que tudo, ficar pela última estância.

Nesse aspeto, a mais recente aposta de série B lusitana, As Linhas de Sangue, saiu-se mais corajoso, mesmo fracassando pelas óbvias razões.

Hugo Gomes

MOTELx: «como músico adquiri um gosto em escrever as minhas histórias como se de música se tratasse» - Tilman Singer

Uma taxista, Luz Carrara (Luana Velis), a principal suspeita de um macabro homicídio, converte-se num objeto de adoração para criatura infernais graças a um interrogatório policial suscitado por métodos pouco ortodoxos de hipnose. Esta é a premissa de uma promessa, o germânico Tilman Singer que com esta sua primeira longa-metragem, Luz, avança naquilo que poderemos chamar de terror experimental. O C7nema teve o prazer de falar com um dos novos nomes do género.

Em primeiro lugar, como surgiu a ideia para este filme e a sua escolha para primeira longa-metragem?

O filme foi evoluindo organicamente de uma curta ou média metragem para uma longa. Luz foi parte da minha tese na Escola de Arte (Academy of Media Arts Cologne), o qual estudava na época, cujo programa de estudo compreendia em trabalhar em projetos nossos de forma autónoma, ou seja, estava realmente livre de fazer o que quisesse. Na altura, apenas sabia que queria contar uma história mais longa que as minhas curtas anteriores (que rodavam os 10 a 20 minutos) e que pretendia produzi-la com a minha equipa criativa.

Primeiro pesquisei sobre artistas de desenho policial, mas isso não me levou a lado nenhum. Então deparei-me com técnicas de interrogatório e de questionamento o que direcionou para o hipnotismo e hipnoterapia. A hipnose pode ser incrivelmente sugestiva e realmente não funciona para questionar uma testemunha para extrair a verdade sobre o que realmente aconteceu. Mas descobri que poderia ser uma ótima ferramenta para uma força maligna que busca manipular a sua vítima. E foi assim que a minha cena de interrogação nasceu.

Deixe-me dizer que detetei alguma influência da Possession, de Zulawsky, e a simetria de um Kubrick. Foram estas as suas influências iniciais? Já agora quais foram as suas influências para o Luz?

Acho que as minhas influências são demais para conseguir contar, detetar ou lembrar. Mas por acaso gosto bastante de que as pessoas encontrem referências no Luz, algumas das quais são pretendidas, outras acidentais e alguns dos quais provenientes da subconsciência do nosso cineasta. Recentemente, um moderador durante um Q&A perguntou-me sobre a referência de Carrie com a jovem mulher coberta de sangue. Na altura, tive que admitir que nem pensei em Carrie até à primeira vez que vi o Luz completo. Acredito que foi fruto do meu subconsciente.

A música adquire um papel importante na criação da atmosfera. Adquiriu esse sentido graças ao seu anterior trabalho na indústria de videoclipes?

Simon Waskow, o compositor, é um grande amigo meu desde os meus 16 anos. Fizemos música juntos desde então. Acho que por ter desenvolvido o meu primeiro processo criativo como músico adquiri um gosto em escrever as minhas histórias como se de música se tratasse. No mesmo sentido que pretendo fazer music heavy films. A música no cinema não é apenas um elemento de apoio para mim, hoje em dia escrevo os meus guiões, deixando sempre espaço para as composições de Simon. Por exemplo, ele disse que a primeiro cena do Luz teria que criar uma espécie de movimento narrativo e estabelecer o clima visto que a personagem Luz só vai entrar na esquadra, beber um refrigerante e gritar algo críptico.

Como vê o género de terror nos dias de hoje?

Muito diverso. Estende pelo mainstream até ao nicho, o que torna impossível de comentar um género inteiro. Mas devo dizer que a maioria dos filmes (não apenas limitar-nos ao género do terror) são maus. Porém, isso não implica que tenhamos a oportunidade de assistir algo fantástico de vez em quando. Entre os grandes filmes do género dos últimos tempos, Hereditário e Mandy são aqueles que me chegam à memória.

Luz é um filme bastante meta-narrativo, astuto na maneira como trabalha a ilusão e a metáfora. Em certa parte é uma obra que tenta evitar os territórios mais mainstreams, inclusive na sua narração. Tal foi pensado e pretendido neste Luz, esse escape por lugares-comuns e reconhecíveis? Além disso, considera que o género, de forma a evitar o rótulo de série B (ou género menor) deveria apostar em força em filmes de um elevado nível artístico?

Acredito que para fazer um filme deveríamos perguntar a nós próprios de que maneira queremos contar a história e se a história necessita de ser contada em filme. Aposto que todos os bons cineastas questionam isso, nem que seja subconscientemente. Se estivermos a citar todos os processos ditos mainstream sem nenhuma reflexão acabamos por concretizar um mau filme, seja de género for.

Pessoalmente não tento evitar a etiqueta de série B. Gosto do facto de muitas pessoas encararem o terror como um género de menor valor artístico. Perdem a realidade e isso satisfaz a minha inerente juventude rebelde.

Quanto a novos projetos?

Sim, estou a escrever de momento o meu próximo filme no momento. Realmente quero combinar uma maior abordagem emocional em como contar histórias com o que quer que seja que eu aprendi com Luz – acho um jogo sensual. É muito cedo para revelar a história, mas será uma espécie de thriller sobrenatural.

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