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Selton Mello filma nos EUA

O brasileiro Selton Mello (O Filme da Minha Vida; O Palhaço) irá dirigir o seu primeiro filme nos EUA.

Em entrevista à Variety, o ator e realizador revelou que irá trabalhar em Cathedral City, uma fita que conta com argumento de John Newman (Proud Mary) e produção de Tai Duncan e Paul Schiff, para a Zero Gravity Management, produtora por trás da série Ozark e do filme Beasts of No Nation, ambos da Netflix.

Segundo Mello, o filme conta a história de Glenn Kovelsky, um músico de natureza autodestrutiva, que certo dia descobre que não foi convidado para o funeral do pai. Revoltado com a notícia e o desconhecimento da morte, Glenn vai descobrir gradualmente a vida secreta do progenitor, iniciado uma jornada de busca pela verdade e autodescoberta.

Cathedral City ainda não tem data de estreia nem elenco definido.

Joaquin Phoenix pode ser Joker no cinema

Vem aí um novo filme sobre Joker, desta vez contando com produção de Martin Scorsese e realização de Todd Phillips (A Ressaca, War Dogs).

Segundo a Variety, Joaquin Phoenix está em conversações para desempenhar o principal papel neste projeto sob a alçada da Warner/DC, o qual terá como foco a origem do famoso vilão de Batman, centrando a ação nos anos 80 em um estilo ligado ao género crime/drama.

Apesar de Jared Leto já ter vestido a pele de Joker em Suicide Squad (e que repetirá na sequela), é certo que não irá regressar a esse papel neste filme. A publicação diz que Phoenix é mesmo a primeira opção do cineasta, embora há uns meses atrás tenha-se falado no nome de Leonardo DiCaprio.

Phillips e Scott Silver são os autores do argumento. 

 

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Curiosamente, com a chegada desta notícia será que vai voltar a falar-se de um vídeo - que se tornou uma espécie de mito urbano em 2014 - onde um utilizador do Youtube dizia que tinha filmado Joaquin Phoenix vestido de Joker num espaço de restauração em Nova Iorque? Vejam o vídeo e tirem as vossas conclusões.

«Film Stars Don't Die in Liverpool» (As Estrelas Não Morrem em Liverpool) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Film Stars Don't Die in Liverpool pega nas memórias de Peter Turner, na altura do enredo, um ator de inicio de carreira que conhece por acaso, Gloria Grahame, a suposta vizinha do lado que na realidade foi em tempos um dos rostos reluzentes da grande indústria californiana. Ela tinha 50 anos, ele somente 26, mas nada impediu de viverem um romance que bem poderia imortalizar-se no grande ecrã sob o folego de um drama romântico, daqueles que apenas Hollywood era capaz de fazer.

Contudo, esse mesmo mundo é hoje um escombro fragmentado e em constante confronto, sendo que temos a nosso dispor, como alternativa, uma produção britânica que aposta sobretudo na modéstia. Mas vamos por partes. Quando falamos em modéstias não referirmos simplesmente ao formato telefilme sob o selo de qualidade BBC, consequentemente às cinebiografias esquemáticas que surgem anualmente como bando de pombos em busca do seu prémio. Essa modéstia a que Film Stars’ remete é na singela ternura da sua história, sem nunca trespassá-la para questões mais filosóficas ou existencialistas. Mesmo assim, é um filme cuja sua modéstia não o impede de tentar ser narrativamente criativo, e aqui sublinho o tentar.

Por entre uma narrativa que oscila por dois espaços temporais, o encontro e por fim o derradeiro reencontro, os flashbacks são integrados na ação decorrente. Desta forma a nossa memória cinéfila invoca-nos para a outro trabalho notável de costura entre as diferentes dimensões temporais, Profissão: Repórter, de Michelangelo Antonioni, onde Jack Nicholson, numa muda de camisa à velocidade do panorama executado pela câmara, protagoniza a sua própria “memória”.

Nesse sentido poderemos apelidar o filme de Paul McGuigan (do culto Acid House e do agora esquecido Lucky Number Slevin) como um descendente de quinta geração das experimentações "antonionianas", mas é certo que o seu esforço em tecer uma narrativa que não se joga ao comprido pelo básico academismo é de facto um esforço louvável.

Entretanto, os dispositivos A a B e sucessivamente a C encontram-se lá, “rasteirinhos” e quietinhos, como manda a indústria atual. Porém, existe outro enriquecimento que não devemos esquecer – Annette Bening. Toda a memória hollywoodiana num só velcro. A atriz vai para além da personificação copista e encara esta oportunidade para executar um cocktail daquela Hollywood preservada, hoje encarada como um museu ambulante. Um afunilamento de idiossincrasias, gestos e presenças, que bem relembra-nos uma das frases de Charles Aznavour em Tirez sur le Pianiste de Truffaut (“Conheces uma, conheces todas”).

Existe algo de Gloria Swanson nela, não apenas na partilha do nome próprio (é lógico!), mas na natureza Diva que nega o seu esquecimento, habitando na ilusão de um estrelato longínquo (alusão a Sunset Boulevard, a prestação mais célebre de Swanson).

Obviamente, o filme passa o recado desse paralelo, ou a citada comparação, assim como as outras que diluem no desempenho de Bening. Uma Marylin Monroe "sob efeito de Schrödinger" (se a estrela de Some Like It Hot tivesse chegado aos cinquenta anos) e a uma aura de mistério conjugada digna de uma Laurel Bacall (Has anyone ever told you that you look like Lauren Bacall when you smoke? / Humphrey Bogart. And I didn't like it then either.).

Sim, o filme tende em executar com uma prenunciadora astúcia e as memórias de Turner devem a isso, um tributo ao seu amor perdido, ao romance que transcendeu todos os ecrãs que projeta um legado de performances e estados naturais. Film Stars Don't Die in Liverpool é “pequeno cinema” preso no corpo de um protótipo de “pequena produção”. E devido a tais esforços, merecia melhor sorte que um somente derrotado desta "award season".

Por fim, e como mera curiosidade, eis filme anexado a uma meta-dimensão, que nos transporta para o glamour desses tempos de “ouro”, ao mesmo tempo que lança farpas aos movimentos atuais e a hipocrisia político-social ligada à elite hollywoodesca. E faz tal apenas transmitindo a vitória de “verdadeira” Gloria Grahame na Gala dos Óscares. A sua vitória como secundária em The Bad and the Beautiful e o seu curtíssimo discurso, um “thank you” corrido, hoje seria visto como uma afronta ao pseudo-ativismo mercantil de muitos dos vencedores das iguais estatuetas.

 

Hugo Gomes

Agnès Varda (em cartão) no famoso almoço que reúne os nomeados aos Oscars

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já premiou com um Oscar honorário - numa cerimónia a 11 de novembro passado - a realizadora Agnès Varda.

Na altura, e numa entrevista à Associated Press, Agnès Varda não se mostrou muito fascinada pela homenagem, declarando: «É ridículo, sou conhecida e ainda sou pobre, atraio poucos espectadores, os meus filmes não dão muito nas bilheteiras. É uma espécie de consolo. A minha filha disse-me que eu deveria ir. Mas não é o verdadeiro Oscar. Não é sequer entregue em fevereiro, é em novembro. É o Oscar dos pobres. Estou lisonjeada, mas não tanto.»

A verdade é que a cineasta francesa nascida na Bélgica vai ter nova oportunidade de conquistar uma estatueta já no próximo dia 3 de março, já que o seu Olhares Lugares, feito em colaboração com o artista JR, está nomeado na categoria de melhor documentário. 

Ontem, 5 de fevereiro, decorreu o famoso almoço que antecede a cerimónia e reúne todos os nomeados aos prémios desta temporada. Como a cineasta não podia estar presente, já que teria de estar na entrega dos prémios Lumière em França, para os quais estava nomeada (e ganhou), JR foi o seu representante na cerimónia da Academia, e o fotografo levou uma réplica em cartão (em tamanho) da cineasta para o evento.

Os melhores momentos da Agnès Varda de cartão no seu caminho para a cerimónia foram registados e podem ser vistos no vídeo abaixo.

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