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«300 Miles» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Será a inocência nos dias de hoje um aspeto perigoso? Será que essa natureza encontra-se perdida perante um Mundo cada vez mais cínico, e assumidamente hipócrita? 
 
Com a crise dos refugiados  a atingir um dos seus picos em 2015, uma fotografia automaticamente tornou-se viral, que suscitou novas discussões quanto à gravidade, ou não, do problema da migração forçada. Essa mesma foto exibia um corpo de uma criança, vitima desse mesmo fluxo migratório, um corpo sem vida que deu à costa da Turquia. Logo, os medias focaram na atenção global desta mesma imagem, explorando o passado desta precoce morte, ao mesmo tempo, sob um tom sensacionalista, desenhar um percurso futuro nos "se" da sua vivência. A comoção foi geral, mas depressa começou a surgir questões quanto às imagens, quanto à manipulação da história e dos interesses políticos por detrás (de ambos os lados) que repentinamente culminavam. Por isso, questiono, será a inocência válida nos tempo que decorrem, sem ser sobretudo, questionada? 
 
Enquanto refletimos, temos que ter em conta que é uma mistura de inocência como também de pura ingenuidade que integram os maiores conflitos do nosso Mundo, desta forma são a base deste 300 Miles, a descoberta das razões que levarão a um dos mais badalados cenários bélicos dos tempos decorrentes. Sim, é a Síria, a temática tabu para muitos, a "mina de ouro" do mediatismo para alguns, e é aqui o arranque deste registo fílmico que reúne a pessoalidade do seu realizador (Orwa Al Mokdad) com a urgência de um jornalista "spotlight" sob tendências de guerrilha. 
 
Porém, neste último ponto, as respostas poderão ficar aquém das nossas expectativas, até porque a perspetiva de todos é requerida desses mesmos dois fatores: inocência e ingenuidade. Da mesma forma que as duas crianças ao relento apontam para o Sol em busca de um ponto negro, visível com um persistente olhar (um simbolismo infantil da busca de uma outra perspetiva), temos os rebeldes, ou homens sob uma grande vontade de rebelar … contra o quê, ou quem? … nem eles mesmo sabem. Tudo se resume a isso, a inocência nos mais diferentes ramos, e é essa mesma torna-nos cego, desinformados, em simultâneo nos revela hipócritas e cínicos nas nossas buscas. 
 
Como documentário, Orwa Al Mokdad vai "beber" bastante do Silvered Water, Syria Self-Portrait (apresentado em Portugal no Lisbon & Estoril Film Festival de 2014), que também utiliza as diferentes plataformas de gravação de vídeo (com principal relance as webcams e câmaras de telemóvel) para mapear um conflito. Mas não é por isso, que este 300 Miles não possui a sua importância como documento de registo. Ou será que estamos a ser inocentes?
 
O melhor - a pessoalidade da obra e o registo de imagens e depoimentos aqui conseguidos
O pior - não se destacar da vaga de documentários que remontam o conflito sírio
 

Hugo Gomes

Rambo terá nova versão

De acordo com a The Hollywood Reporter, a Nu Image/Millennium Films encontra-se de momento a preparar um reboot de Rambo: A Fúria do Herói. Sim, esse mesmo, o icónico filme protagonizado por Sylvester Stallone, sobre um veterano de Guerra do Vietname que revolta-se contra um xerife que o maltratou. 
 
Segundo a fonte, o israelita Ariel Vroman (Iceman), será o realizador desta obra, que possivelmente despoletará um novo franchise. Brooks McLaren será o argumentista.
 
Não existe, porém, nenhum anúncio de um eventual regresso de Stallone à saga, mas sabe-se que o ator encontra-se a preparar um série envolto da mítica personagem que interpretou em 1982, e que repetiu em três sequelas. Série, essa, produzida pelo ator em conjunto com o produtor Avi Lerner para a Fox terá como título Rambo: New Blood, e que centrará nas aventuras do filho do veterano. 
 

Filme suíço com imigrante português vence Doclisboa 2016

Calabria, de Pierre-François Sauter, uma viagem de dois agentes funerários até Itália valeu o prémio principal do 14ª Doclisboa: Festival Internacional de Cinema, enquanto que Black Sun (Sol Negro), de Laura Huertas-Millán, obteve uma menção honrosa na Competição Internacional. Destaque para o mais recente filme de Rita Azevedo Gomes, Correspondências, consagrado com o Prémio José Saramago, e  Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, de Cláudia Rita Oliveira, que foi escolhido pelo Público como o Melhor Filme na Selecção Oficial, e Ama-San, de Cláudia Varejão, considerada o Melhor Filme da Competição Portuguesa.

 

COMPETIÇÃO INTERNACIONAL

Grande Prémio Cidade de Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

Calabria, Pierre-François Sauter

Menção Honrosa Grande Prémio Cidade De Lisboa para Melhor Filme da Competição Internacional

Black Sun, Laura Huertas-Millán

Prémio Sociedade Portuguesa de Autores Do Júri Da Competição Internacional

Azayz, Ilias El Faris

 

COMPETIÇÃO TRANVERSAL

Prémio José Saramago - Fundação José Saramago E Livraria Lello - Para O Melhor Filme Falado Em Português, Galego Ou Crioulo De Origem Portuguesa Transversal A Competições E Riscos.

Correspondências, Rita Azevedo Gomes

Prémio FCSH Para Melhor Primeira Obra Transversal A Competições e Riscos

300 Miles, Orwa El Mokdad

Prémio Jornal Público Para Melhor Curta-Metragem Transversal A Competições e Riscos

Downhill, Miguel Faro

Prémio do Público - Prémio RTP Para Melhor Filme Português Transversal A Competições, Riscos, Heart Beat e Da Terra À Lua

Cruzeiro Seixas – As Cartas Do Rei Artur, Cláudia Rita Oliveira



COMPETIÇÃO PORTUGUESA

Prémio Íngreme / Doclisboa Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa

Ama-San, Cláudia Varejão

Prémio Kino Sound Studio Do Júri Da Competição Portuguesa

A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha

Prémio Escolas ETIC — Para Melhor Filme Da Competição Portuguesa

O Espectador Espantado, Edgar Pêra

 

COMPETIÇÃO VERDES ANOS

Grande Prémio La Guarimba

Pulse, Robin Petré

Prémio Especial Do Júri Verdes Anos

O Cabo Do Mundo, Kate Saragaço-Gomes 

 

 

«A German Life» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Deixem o entretenimento de lado, a faceta artística e experimental decidida a quebrar barreiras da transcendência visual e sonora, e encarem o seguinte - o Cinema é também um registo de memórias. Uma "cápsula do tempo" que congela esse mesmo Tempo, para ser alvo de descobertas para futuras gerações. O que somos? O que vivemos? Qual a nossa real natureza? Em A German Life nenhuma dessas perguntas será por fim respondida, mas o ensaio de preservação de pedaço de História é aqui invocada em todo o seu esplendor. Existe neste documentário uma aura passiva, de não alterar o rumo dessa mesma memória, mas sim citá-la com as mesmas palavras proferidas por quem as realmente viveu, como vivente desses mesmos episódios temos Brunhilde Pomsel.

Quem é esta mulher? Perguntam vocês. O que de interessante tem a sua vida para merecer tal registo? O interesse não vem aqui ao caso, Pomsel não é um "animal enclausurado" exibido numa coleção zoológica, é sim uma mulher disposta a narrar as suas maiores "humilhações". Humilhações, essas, que a própria descarta de culpas e inocências - "vivíamos numa época diferente", "… para condenarem a mim, primeiro condenariam todo o povo alemão". Brunhilde Pomsel foi a estenográfica do Departamento de Propaganda Nazi, a mulher que fora constantemente próxima de um dos mais odiados homens de toda a "pegada" deixada pela Humanidade, Joseph Goebbels. O homem em questão foi um dos maiores responsáveis pela propagação dos ideais do Partido Nazista, e um dos braços direitos do próprio Adolf Hitler. O discurso de Pomsel, por outro lado, não tende em denunciar diretamente todo o trabalho exposto por estes "homens fardados", mas sim descrever os sentimentos experienciados num país fechado, sob forte influência politica de quem culminou uma Guerra sem precedentes.

São quatro, os realizadores deste A German Life, um quarteto de mentes que serviram como investigadores do background de Brunhilde Pomsel, aqui exposta a uma confissão sem fim. Visualmente, a fotografia de tons cinzento salienta o rosto envelhecido da protagonista (aplausos para Frank Van Vught). Este é um rosto de 103 anos, as rugas são como "cicatrizes" marcadas pelo maior dos inimigos, o Tempo. E antes que o Tempo faça das suas, deixando as memórias residente de Brunhilde Pomsel no puro esquecimento, os realizadores Christian Krönes, Olaf S. Müller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer tentaram aqui uma "corrida" contra esse mesmo némesis. Explorar e extrair de Pomsel, as relevantes palavras para um futuro próximo.

A German Life ostenta uma brilhante fotografia, como já havia referido, que atribui-lhe uma sensação de platina a um prolongado "talking head", uma entrevista ditada com emoção e comoção de quem é subjugado, intercalado com propaganda anti-nazi e até mesmo simpatizante nazi (faltava mais a fundo na própria propaganda do Departamento de Pomsel). Não tendo uma estrutura brilhante na sua concepção como documentário, A German Life vive como um documento sem culpas, nem denúncias do foro moral a uma, acima de tudo, cidadã de um período negro da nossa História. Aqui, a importância das palavras anexadas a memórias à beira da extinção, valem mais que ressentimentos ou decepções que aqui poderiam extrair.

"A Verdade é o maior inimigo do Estado." Joseph Goebbels

Hugo Gomes

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