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Vida de Jean-Luc Godard será levada ao cinema

Segundo o jornal The Guardian, está a ser preparado uma cinebiografia do cineasta francês Jean-Luc Godard que será dirigido por Michel Hazanavicius, o realizador do galardoado O Artista.

A vida de um dos pioneiros da Nova Vaga francesa, realizador, argumentista, ensaísta e importante crítico da Cahiers du Cinema, será transposto para o grande ecrã pela produtora Redoutable. Esta produção focará principalmente no romance entre o autor e a atriz, Anne Wiazemsky, durante as rodagens de O Maoísta (La Chinoise). Louis Garrel interpretará o realizador, enquanto que Stacy Martin (Ninfomaníaca) será o referido interesse amoroso. 

Vincent Maravel, chefe de vendas da Wild Bunch, que detém os direitos de distribuição, referiu o eventual filme como "não exatamente uma comédia, mas sim um filme descontraído e afetivamente estilístico". O projeto marcará presença no mercado de Cannes.

FESTin regressa com nova mostra de cinema lusófono

O FESTin prepara mais uma edição repleta de cinema afluente de língua portuguesa. Nesta 7ª estadia no já habitual Cinema São Jorge, o festival apresentará uma mostra composta por 74 filmes, incluindo longas e curtas-metragens ficcionais e documentais, e um rico leque de trabalhos realizados por mulheres. Entre as novidades deste ano conta-se com a recém-criada secção FESTin Arte, que visa o lado mais experimental e alternativo do cinema lusófono. O festival decorre entre 4 e 11 de maio.

O certame arrancará com a estreia As Cartas de Amor são Ridículas, de Alvarina Sousa e Silva, cujo título é inspirado num poema de Fernando Pessoa e que centra na história de um pai e cinco filhas, todas elas com nomes de flores e com idades recomendáveis para casar.

Na competição destaca-se ainda o thriller de vingança, Mundo Cão, que marca o regresso de Marcos Jorge, o mesmo realizador de Estômago, considerado como um dos filmes surpresas de 2007, Zenaida, o drama cabo-verdiano de Alexis Tsafas e Yannis Fotou sobre uma mulher que torna-se vitima de uma rede de tráfico de humanos e ainda Ausência, de Chico Teixeira, com estreia mundial na secção Panorama do Festival de Berlim.

Quanto aos documentário, muitos serão os temas abordados pelas seis longas-metragens presentes na respetiva competição. Nas recomendações surge Touro, de Larissa Figueiredo, a viagem da atriz portuguesa Joana de Verona à Ilha de Lençóis, situado no litoral norte do Brasil, em busca dos rasto mitológicos de D. Sebastião. Estreado em Roterdão e com passagem em Locarno, Touro poderá ser encarado como um herdeiro do cinema docuficcional de Miguel Gomes visto que, segundo a realizadora, o cineasta português foi o seu mentor.


A arte como cura terapêutica de Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca, o drama da deportação em Deportados, de Paulo Cabral, e a focada realidade do interior das penitenciárias brasileiras em Central, de Tatiana Seger e Renato Dorneles, são outras recomendações a terem em conta na secção documental.

Quanto ao FESTin Arte, que segundo a organização foi criado para servir de espaço para “propostas estimulantes e fora do circuito convencional”, serão apresentados três filmes que tão bem esboçam a experimentalidade e criatividade do cinema em geral. O filme Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, de Petrus Cariry, o confronto emocional de uma mulher ao lidar com a anunciada morte do seu pai, inaugura esta nova secção.

Mesmo com a homenagem ao 20 anos de CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o FESTin terá uma programação com predominância brasileira, muito graças à Mostra de Cinema Brasileiro, que nesta edição salientará a chamada Nova Geração. Um leque de obras distribuídos em variados géneros e alguns deles improváveis na historia do festival como thriller sobrenatural, A Floresta Que Se Move, de Vinícius Coimbra.

Jean-Gabriel Périot: "encontramos o nosso lugar como ser humano enquanto resistimos a algo"

Une Jeunesse Allemande foi um dos filmes mais elogiados da passada edição do Indielisboa, um relato inteiramente composto por imagens de arquivo que demonstra a ascensão da Fação do Exército Vermelho, fundando por Andreas Baader e Ulrike Meinhof. Jean-Gabriel Périot foi o mentor dessa estrutura documental e agora é uma das figuras centrais da edição deste ano do mesmo festival que o havia acolhido. O C7nema falou com o realizador que tem demonstrado um intenso trabalho a nível de pesquisa, funcionado em prol da "mãe" de todas as questões - Porquê que lutamos?

É a sua primeira vez em Portugal?

Não, é a minha terceira vez.

Como se sente ao saber que um festival de cinema dedica a uma secção especialmente para si?

Posso dizer que fico feliz por ver um festival a passar os meus filmes. Digamos que quando um festival decide dedicar-me uma retrospetiva e criar uma espécie de "relação" comigo é no mínimo … estranho. 

O seu trabalho é quase exclusivamente à base do found footage, mas a questão é como surgem as suas ideias? Olha para uma imagem e elas "falam" consigo?

Tirando algumas exceções, a ideia nunca vem das imagens, e sim dos livros. Quando interesso-me por um assunto começo por ler bastante, investigo, pesquiso e só depois da ideia formada é que dirijo-me para os arquivos, ou seja, já existe filme antes das imagens. Só houve um que fugiu à regra, "Eût-elle été criminelle...", o qual eu segui primeiramente aos arquivos. Mas tirando isso, eu começo por inteirar-me num tópico e só depois é que surge o meu "assalto" aos arquivos.

Os seus filmes têm uma forte componente política, por norma eles abordam a luta contra qualquer coisa. Esta sua vontade de demonstrar a insurreição, o combate, a manifestação, surgiu em algum ponto da sua vida, ou simplesmente você é um rebelde que odeia autoridades?

Na verdade, eu realmente odeio autoridades! (risos)

Mas por alguma razão?

Apenas não percebo porque é que algumas pessoas pretendem ser superiores, esse é um verdadeiro problema da autoridade. Por exemplo, eu sou um realizador, por isso poderia superiorizar-me perante os outros, mas para conseguir criar ou manter uma relação com os eles devo manter ao mesmo nível e não assumir como uma autoridade. O mesmo se passa com os políticos ou os chefes de estado, ninguém é superior a ninguém. Mas sei muito bem que precisamos de organização, porém, precisamos ainda mais de partilhá-la. Não cabe a uma pessoa decidir o destino de todos os outros.

E foi então que começou a fazer filmes sobre a luta contra a autoridade de qualquer forma?

Nem sempre isso se aplica aos meus filmes. Mas, por exemplo, mesmo quando deparamos com a resistência, a luta assim por dizer, questionamo-nos do "porquê que as pessoas lutam". Penso que é uma questão de energia.

 

Une Jeunesse Allemande

Então é essa a questão que procura nos seus filmes, o porquê de nós lutarmos?

Sim, é essa a questão que procuro. Por vezes, quando lutamos, libertamos muita energia e essa mesma energia quebra as nossas rotinas de vida. O universo não é perfeito, mas penso que encontramos o nosso lugar como ser humano enquanto resistimos a algo.

No caso da sua longa-metragem, Une Jeunesse Allemande, acredita ter feito um manifesto?

Não, pois penso que quando fazemos um referido manifesto o fazemos de maneira positiva. Se fizesse um manifesto comunista, por exemplo, seria algo do género "nós mudaremos o Mundo, mas ele teria que ser assim". Une Jeunesse Allemande é mais um filme sobre História a ser feita. Assistirmos a tantas pessoas falharem que é como um completo conjunto de fracassos. Nada muda. Julgo que neste filme é mais uma questão "do que fazer" e não "do que recusar". Tudo resume-se a uma invocação de resistência.

Referiu numa entrevista que prefere partilhar os seus filmes aos alcances de todos, mas no caso Une Jeunesse Allemande não funcionou bem assim. Quer explicar o porquê dessa decisão?

Simplesmente não tem a ver comigo, mas sim com a produção. Porque o cinema é arte e também indústria, e para faze-lo é preciso dinheiro, então arranjei quem o financiasse e esses mesmos produtores querem o seu dinheiro de volta. É assim que funciona, trata-se de um produto, não se pode divulgar gratuitamente na internet, essas pessoas [produtores] querem a sua "fatia". Obviamente que para mim, enquanto realizador, é preferível partilhar os meus filmes de maneira que todos pudessem vê-los.

Foi curioso referir o seu filme como produto, por norma os realizadores evitam esse mesmo adjetivo.

O problema do cinema é que ela é uma indústria. Politico, autoral, etc, faz tudo parte da indústria. Como eu fiz muitos filmes sem dinheiro, os festivais sempre foram importantes para a divulgação dos meus filmes, exceto, obviamente, a internet. Mas quando iniciei não havia internet e mesmo assim ela não é suficiente. Por exemplo, eu próprio não gosto de ver filmes na internet, prefiro ir a um cinema ou até mesmo ter um DVD. Mas como realizador preciso de ir a todo o lado. É um preço a pagar para quem deseja fazer filmes.

E quanto a novos projetos?

Vou apostar num filme de ficção acerca de Hiroxima.

Ficção? Quer falar melhor sobre esse projeto?

De certa maneira será uma metáfora sobre o que Hiroxima "aprendeu". Passei algum tempo na cidade, em preparações para o meu 200,000 Phantoms, ouvi os seus habitantes, os sobreviventes da catástrofe, os testemunhos. Com tal experiência senti-me mais livre, o facto de ter em minha posse este tipo de História e o conhecimento gerado por este. Uma História preciosa, e igualmente frágil, porque os sobreviventes tentam lutar para serem felizes, mesmo tendo em conta tudo aquilo que passaram. Ou seja, terem a possibilidade de serem felizes, combatendo tudo aquilo que poderá destruir o mundo. Este filme trará não uma questão política, mas sim de como lidamos com o tempo. 

         

«Everybody Wants Some!!» (Todos Querem o Mesmo) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Dazed and Confused, que por cá obteve o título de Juventude Inconsciente, reivindicou um efeito proustiano nos espectadores de 1993, ano em que a obra estreava nos cinemas. É que este espontâneo filme do "hiperativo" Richard Linklater trouxe-nos à memória, algo mais que um retorno à década de 70 com todos os seus "adornos" e marcos, mas si a juventude de cada um. Sem ser especifico nesta detenção de recordações, Juventude Inconsciente teve como enredo um grupo de jovens a viverem o seu último dia de aulas de liceu, depois disto só mesmo a Universidade, o destino que muitos destes partilham num dia pleno de "liberdade". Disposto por uma rebeldia única, cujas intrigas encontram-se endereçadas nas espontaneidades destas personagens "abertas" e "intermitentes" (o espectador apenas sabe tão pouco de cada uma delas e o que se conhece é somente aquilo que as personagens estão dispostas a distribuir).

São 24 horas descritas de pura imersão neste mundo inconsequente, onde a folia é a palavra de ordem e o futuro, algo não desejado e ainda disforme. Mas passados 23 anos, surge uma sequela que só vem a confirmar o quanto Linklater não gosta de estar parado. Contudo, este Todos Querem o Mesmo (tendo como titulo original Everybody Wants Some, como tributo à homónima  música de Van Halen) está mais próximo do anterior Boyhood do que propriamente da referida prequela. Até porque a edição neste capítulo tem uma presença mais prejudicial no próprio decorrer temporal na narrativa.

Enquanto que em Juventude Inconsciente, a “intriga” foi nos entregue como um cartão de visita para um dia na vida destas personagens, em Todos Querem o Mesmo, a proposta torna-se mais ambiciosa e simultaneamente mais simples de transcrever para o grande ecrã: o último fim-de-semana de férias de um caloiro universitário, que porventura foi uma das personagens destaque do filme de 1993. Esse e mais uma personagem repetente que surge lá pelo meio, são as únicas ligações "vivas" com a anterior de Linklater.

Neste fim de semana que antecede a mais um ciclo de rotinas, "liberdade" é vendida, como é de esperar, ao redor de três elementos - álcool, droga e sexo. Porém, ao contrário do que esses trindade de fatores poderia culminar, provavelmente uma qualquer "canção" de rockstar, a verdade em que em Todos Querem o Mesmo, o teor é ingénuo, apenas descontraído e isente de qualquer julgamento vindo para lá do politicamente correto ou da propaganda de mocidade. A sensação é simples, é como se as personagens e o próprio espectador experienciasse pela primeira vez essas ditas experiências ao som de uma coletânea musical dos anos 80.

Mas voltando ao tema da edição: devido à narrativa centrada em três dias, onde vemos jovens a serem inconsequentemente jovens, o filme possui uma maior manipulação quanto à edição e a respetiva influência no tempo decorrido. Entre outras, a edição torna-se mais omnipresente, visto chega a funcionar em prol das emoções das personagens, com por exemplo, o slow motion e cabelos "ao vento" tão digno das enésimas comédias adolescentes. Chegamos até a sentir saudades da entrega ao natural de Juventude Inconsciente, provavelmente uma das propostas mais bem-vindas do cinema pseudo-neorealista dos anos 90.

Mas existe todo aquele senso nostálgico digno de Richard Linklater, um homem que tão bem filma atos de camaradagem como de puro hedonismo juvenil. Talvez a culpa desta "inferioridade" nesta revisão, não seja do realizador, da reciclagem das histórias, da sua esperada edição, da falta de naturalismo apresentado, mas sim dos anos. Com sabem são os 80 e não os libertadores e rebeldes 70, como se costuma dizer. Não sei se tal terá alguma influência, mas é certo que a surpresa dissipou, o que vemos é uma aventura que se gostaria recordar, infelizmente sem esses referidos momentos "proustianos".

 

O melhor - Um filme que mostra simplesmente juventude, e jovens a serem jovens.

O pior - a edição tem um papel fundamental na fluidez da narrativa, ao contrario da naturalidade da "Juventude Inconsciente".

 

Hugo Gomes

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