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«A História da Eternidade» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Nos primeiros momentos, a morte toma o seu lugar na inospitalidade do cenário. Aí o tempo parou, mas as histórias entrelaçadas neste funeral anónimo florescem: a vida, seja ela qual, continua, seguindo o seu caminho entre os grãos que descem vagarosamente na sinistrada ampulheta. Nessas primeiras sequências é possível perceber o interesse do realizador Camilo Cavalcante em não ligar-se a estados temporais mas sim a crónicas desencontradas, enredos que encontram refúgio numa aldeia que, por sua vez, encontra-se "congelada" no referido tempo.

A História da Eternidade é uma parábola a esse mesmo tempo, que destrói tudo e ao mesmo tempo faz renascer nova vida. É nessa vida depois da morte que o filme interage em mais um "conto de faroeste" disfarçado que, em união com o recente Boi Néon (de Gabriel Mascaro), não oculta a rebeldia aos parâmetros estabelecidos da masculinidade. O ambiente religioso e conservador é apenas "sol de pouca dura", até porque o enredo tem tanto de perverso como de mágico, confiando cegamente na sugestão, na memória, para expelir uma teia de infinidades. Entre espaços é ouvido Fala, cantado por Ney Matogrosso, a confirmar a pureza das artes performativas em consolidação com o másculo do seu teor indisciplinado. A sequência imergida nesta musicalidade invoca outro tributo quanto à narrativa desta história intemporal - o primitivismo - a ligação tenra entre Homem e a Natureza, entre o moderno civilizado e o folclore digno de um ancestral druida.

Camilo Cavalcante, mesmo sob a "cartada" de sugestões, não engana o espectador perante os seus conseguíveis truques de magia, os planos completamente panorâmicos que rodopiam as suas personagens desmascarando ilusões que, no entretanto, poderiam ser impostas e induzidas. A História da Eternidade remete todo esse jogo de misticismo, onde no final, no calor do conflito que cerca entre o grupo de personagens, é novamente o tempo, que é posto em prática, funcionando numa só vez, para apagar o irreversível e embarcar as personagens numa nova oportunidade.

Sim, é tudo uma questão do tempo, que voa ou opta pela imobilidade. Porém, conforme seja o seu "movimento", o cinema continua a ser feito. Refletindo sobre esses espaços temporais que tão importantes foram para a evolução de uma arte. Simplesmente mágico!

O Melhor - As noções temporais de Cavalcante e a estranheza desta ficção

O Pior - Nada a assinalar

Hugo Gomes

Cannes homenageia Robert De Niro com sessão especial

O Festival de Cannes anunciou a presença de Hands of Stone, a cinebiografia do pugilista Roberto Duran, na sua programação. Segundo a organização o filme, que contará com uma única sessão especial, será encarado como um tributo ao ator Robert De Niro, que já declarou estar “entusiasmado por regressar a Cannes, principalmente com este filme, pelo qual eu estou tão orgulhoso."

Hands of Stone segue a vida do lendário pugilista panamense Roberto Duran, que será interpretado por Edgar Ramírez, e a sua relação com o igualmente célebre treinador Ray Arcel, que será o papel de De Niro, numa prestação que Harvey Weinstein, da Weinstein Company, considerou o retorno do seu modo "vintage".

No elenco, podemos ainda contar com as presenças de Ellen Barkin, Ana de Armas, Jurnee Smollett-Bell, Drena de Niro e Usher Raymond, como Sugar Ray Leonard, que fora um dos adversários de Duran, o qual o pugilista desistiu passadas cinco rondas, virando as costas ao combate e dizendo “No Mas”.

Jonathan Jakubowicz, do thriller venezuelano Secuestro Express, é o realizador e argumentista da obra.

 

Vida de Jean-Luc Godard será levada ao cinema

Segundo o jornal The Guardian, está a ser preparado uma cinebiografia do cineasta francês Jean-Luc Godard que será dirigido por Michel Hazanavicius, o realizador do galardoado O Artista.

A vida de um dos pioneiros da Nova Vaga francesa, realizador, argumentista, ensaísta e importante crítico da Cahiers du Cinema, será transposto para o grande ecrã pela produtora Redoutable. Esta produção focará principalmente no romance entre o autor e a atriz, Anne Wiazemsky, durante as rodagens de O Maoísta (La Chinoise). Louis Garrel interpretará o realizador, enquanto que Stacy Martin (Ninfomaníaca) será o referido interesse amoroso. 

Vincent Maravel, chefe de vendas da Wild Bunch, que detém os direitos de distribuição, referiu o eventual filme como "não exatamente uma comédia, mas sim um filme descontraído e afetivamente estilístico". O projeto marcará presença no mercado de Cannes.

FESTin regressa com nova mostra de cinema lusófono

O FESTin prepara mais uma edição repleta de cinema afluente de língua portuguesa. Nesta 7ª estadia no já habitual Cinema São Jorge, o festival apresentará uma mostra composta por 74 filmes, incluindo longas e curtas-metragens ficcionais e documentais, e um rico leque de trabalhos realizados por mulheres. Entre as novidades deste ano conta-se com a recém-criada secção FESTin Arte, que visa o lado mais experimental e alternativo do cinema lusófono. O festival decorre entre 4 e 11 de maio.

O certame arrancará com a estreia As Cartas de Amor são Ridículas, de Alvarina Sousa e Silva, cujo título é inspirado num poema de Fernando Pessoa e que centra na história de um pai e cinco filhas, todas elas com nomes de flores e com idades recomendáveis para casar.

Na competição destaca-se ainda o thriller de vingança, Mundo Cão, que marca o regresso de Marcos Jorge, o mesmo realizador de Estômago, considerado como um dos filmes surpresas de 2007, Zenaida, o drama cabo-verdiano de Alexis Tsafas e Yannis Fotou sobre uma mulher que torna-se vitima de uma rede de tráfico de humanos e ainda Ausência, de Chico Teixeira, com estreia mundial na secção Panorama do Festival de Berlim.

Quanto aos documentário, muitos serão os temas abordados pelas seis longas-metragens presentes na respetiva competição. Nas recomendações surge Touro, de Larissa Figueiredo, a viagem da atriz portuguesa Joana de Verona à Ilha de Lençóis, situado no litoral norte do Brasil, em busca dos rasto mitológicos de D. Sebastião. Estreado em Roterdão e com passagem em Locarno, Touro poderá ser encarado como um herdeiro do cinema docuficcional de Miguel Gomes visto que, segundo a realizadora, o cineasta português foi o seu mentor.


A arte como cura terapêutica de Olhar de Nise, de Jorge Oliveira e Pedro Zoca, o drama da deportação em Deportados, de Paulo Cabral, e a focada realidade do interior das penitenciárias brasileiras em Central, de Tatiana Seger e Renato Dorneles, são outras recomendações a terem em conta na secção documental.

Quanto ao FESTin Arte, que segundo a organização foi criado para servir de espaço para “propostas estimulantes e fora do circuito convencional”, serão apresentados três filmes que tão bem esboçam a experimentalidade e criatividade do cinema em geral. O filme Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, de Petrus Cariry, o confronto emocional de uma mulher ao lidar com a anunciada morte do seu pai, inaugura esta nova secção.

Mesmo com a homenagem ao 20 anos de CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o FESTin terá uma programação com predominância brasileira, muito graças à Mostra de Cinema Brasileiro, que nesta edição salientará a chamada Nova Geração. Um leque de obras distribuídos em variados géneros e alguns deles improváveis na historia do festival como thriller sobrenatural, A Floresta Que Se Move, de Vinícius Coimbra.

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