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O regresso de Pinhead no trailer de «Hellraiser: Judgment»

Uma das sagas de terrores mais duradoras prepara-se para estrear o seu décimo capítulo. Trata-se de Hellraiser, que por cá obteve o título de Fogo Maldito, uma alegoria sadomasoquista inspirada nos contos de Clive Barker que estreou pela primeira vez no cinema em 1987 (com o dito escritor a assumir o cargo de realizador).

O filme rapidamente ascendeu ao estatuto de culto e o seu “monstro-estrela”, Pinhead, converteu-se numa das mais populares figuras do género. A sequela direta, que estreou em 1988, prolongou esse mesmo sucesso. Porém, depois do quarto filme, que foi um fiasco, o franchise ficou retido no circuito de Home Video, onde continuou de forma presencial. À chegada deste décimo capitulo, Doug Bradley, que sempre vestiu a pele desse demónio, saiu do projeto. No seu lugar temos Paul T. Taylor (Super).

Escrito e dirigido por Gary J. Tunnicliffe, responsável pelos departamentos de caracterização de X-Men Origens: Wolverine e Pulse, o intitulado Hellraiser: Judgment seguirá diretamente para o circuito de Home Video, Video-on-demand e streaming.

Como curiosidade, a atriz Heather Langenkamp encontra-se no elenco. Para quem desconhece, ela foi Nancy Thompson, a grande protagonista de Pesadelo em Elm Street, de Wes Craven. 

«The Commuter» (O Passageiro) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

É o efeito estafeta. Jaume Collet-Serra recebe os planos gerados por Luc Besson e Pierre Morel que consiste em transformar Liam Neeson num action man cinquentão, e põe em prática tal projeção, posicionando-o como um arquétipo de John McClane. É bem verdade que nesta cumplicidade, produções como Unknown e Run All Night funcionaram de forma moderada.

Todavia, existem “coisas” que perpetuam vícios nefastos, entre eles a maligna avença de Neeson com transportes públicos. Aqui o avião de Non-Stop dá lugar a um comboio numa linha subjacente de Nova Iorque e, em modo teste, o ator, agora tornado em sexagenário (ele faz questão de relembrar isso inúmeras vezes), vê-se enredado num jogo mortal, tendo como objetivo o encontrar um misterioso sujeito. Prazo: até ao fim da linha. Prémio: quantias monetárias que rapidamente passam para a segurança da sua família.

Assim sendo, a personagem de Neeson terá que usar o seu intelecto e o leque de “especialidades adquiridas por um longa carreira” (velha cantiga) para conseguir decifrar o “enigma”. Uns pozinhos de thriller hitchcockiano o qual Collet-Serra sempre esmiuçara e uma tendência whoddunit digna de uma Agatha Christie de segunda. Pois, não vale a pena suspirar por isto, porque de inteligência este The Commuter nada tem. Aliás, é apresentado “cartão amarelo” para Hollywood.

Existe um problema (um!), uma grave anomalia na condução dos diálogos, ou melhor, na construção destes. Aqui somos confrontados com falas mais explicitas do que as imagens que se inserem, ou a informação despejada desalmadamente que apresenta um artificio irrealista ds mesmo. Talvez seja de forma a não levar o espectador em erro, ou (pior dos cenários) lançar uma indireta à inteligência do seu público-alvo. Preferimos pensar que é só um agravado desleixo. Porém, o mal desta enésima correria de Liam Neeson é a epidemia que parece invadir muitas das produções cinematográficas, reduzidas a produtos de linha montagem. Mas não avançaremos por esses diagnósticos complexos, não há tempo para isso, seguimos para a próxima paragem.

O argumento, automatizado, colado a “cuspo”, vislumbrando uma extensa paisagem de lugares-comuns e de manientos truques segue até um twist que se adivinha a léguas. Talvez seja o trabalho técnico que nos dá algumas “luzes” do “potencial”. Desde a edição rotineira e recortada do seu arranque, que provoca em nós o efeito de conformismo férreo, até à grande sequência de ação filmada num só take, uma moda muitas vezes apresentada erradamente por muitos com o palavreado “lufada de ar fresco”.

Portanto, nada de novo aqui. Nem a Oeste, Este, Norte ou Sul. Criativamente inexistente, somente mais uma paragem no meio de nenhures.      

Hugo Gomes

Globos de Ouro 2018: quando o Cinema não é protesto suficiente

  • Publicado em Artigos

Por mais destaque e singularidade que tentam emanar nas suas cerimónias, os Globos de Ouro são sempre vistos como uma linha reta à premiação dos Oscars. A noite de ontem, pouco se destacou nesse sentido. Foi a feira das vaidade, porém, coberta de negro devido ao tão badalado protesto contra o assédio sexual, uma assombração que parece viver em Hollywood. E o decorrer da cerimónia deixa claro, que Hollywood não quer esquecer isso. Seth Meyers entra a “matar” com um rol de piadas nesse ramo, desde Weinstein a Kevin Spacey, passando pela sua masculinidade, ninguém sai ileso no seu discurso inicial. Mais um fator de que os Globos não conseguem deixar a sua marca, até porque os Óscares parecem dotados desse “comentarismo” político-social, diversas vezes embalado pela hipocrisia. E falando em hipocrisia, ouviu-se uns certos apupos a Meryl Streep.

Enfim, mas os Globos de Ouro não são o “We are the World” do discurso mediático, são Cinema … e Televisão, onde esta última tem adquirido uma portentosa relevância na indústria. Celebram-se séries como grandes produções hollywoodescas, festejam-se vitórias como verdadeiros oscarizados. The Handmaid’s Tale e Big Little Lies provam a sua força nas suas respectivas nomeações, tornando-se os grandes da noite - quer no pequeno ecrã, quer no grande panorama.

Mas o Cinema está lá, a tentar vincar a sua constante ofuscação. Three Billboards Outside Ebbing, Missouri prova a sua consistência na época de prémios, arrecadando 4 estatuetas, entre as quais as previsíveis ator secundário (Sam Rockwell) e argumento (a mais merecida das suas indicações), em conjunto com o de melhor atriz (Frances McDormand a destroçar Sally Hawkins) e o surpreendente Melhor Filme. Martin McDonaugh viu o prémio de realização cair nas mãos de Guillermo Del Toro, a provar que é uma força a acontecer nos Óscares, quem sabe, a consagração do cinema de género. De mãos vazias, saíram três grandes da indústria: Steven Spielberg, Ridley Scott e Christopher Nolan, o resto do quinteto de “all-male directors”, ferroada lançada por Natalie Portman na apresentação da categoria à luz da ausência de Greta Gerwing, Patty Jenkins e Dee Rees nos nomeados.

Lady Bird tira o tapete a Get Out na categoria de Melhor Filme Comédia ou Musical. Para quem esperava que o filme de Jordan Peele, completamente deslocado da sua secção, levasse a estatueta desmerecida (comédia, vai se lá ver), entrou aqui numa desesperante espiral. Até porque Daniel Kaluuya viu o prémio de melhor ator (comédia) ser entregue a James Franco com a sua mimetização de Tommy Wiseau. Surpresa, das surpresas, surge em palco o “verdadeiro” Wiseau, impedido de discursar por Franco. Este foi o momento mais hilariante da noite.


De resto, Saoirse Ronan foi a melhor atriz de comédia por Lady Bird; Gary Oldman foi reconhecido como melhor ator dramático (como as academias adoram “imitações”); Coco, sem “espinhas”, conquista a melhor animação e Allison Janney rebaixa a sua concorrência (Laurie Metcalf) como melhor atriz Secundária em I, Tonya (Margot Robbie não foi reconhecida desta vez na categoria principal). Surpresas das surpresas, surge com a vitória de Fatih Akin e o seu In the Fade no melhor filme em língua estrangeira (para os Oscars apostasse em The Square- O Quadrado).

Contudo, existem ainda dois momentos que gostaria de destacar na Cerimónia. Uma foi o discurso inspirador de Oprah Winfrey, que motivou lágrimas e, apesar de tudo, deu um “cheirinho” de corrida presidencial. E o segundo ponto, e talvez o mais doloroso, Kirk Douglas decadente e inaudível em palco. Sabemos que ninguém é imortal, mas a velhice é tramada … e infernalmente cruel.

Para os Oscars espera-se um maior destaque a Get Out e quem sabe (a minha aposta), a Wonder Woman, visto que a heroína da DC integrou o painel da Producers Guild of America, o que é sempre um sinal. E sim, na maior das hipóteses a vitória de Gary Oldman como ator, um prémio de “consolação” pelos anos e anos de negligência por parte da Academia. Por enquanto, é só esperar pelo dia 23 de janeiro, quando as nomeações foram anunciadas.

«Darkest Hour» (A Hora Mais Negra) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

A esta altura do campeonato torna-se difícil separar Darkest Hour de um outro olhar sobre a crise de Dunquerque. Sim, refiro ao homónimo filme de Christopher Nolan, o qual tantas maravilhas foram dirigidas por esse Mundo fora. E nesse “concurso opinativo”, o mais recente filme de Joe Wright sai a perder no senso comum por simplesmente emanar a dita biografia classicista, erguido, como é o costume, pela omnipresença do seu ator principal.

O conflito bélico em si, encontra-se visualmente ausente, mas verbalmente presente nos discursos dos seus lideres, um campo de batalha torna-se terreno politico que se vislumbra em “horas mais negras”. A assombração da guerra e um homem, o belicista primeiro-ministro Winston Churchill, que se torna na figura-chave de uma nação a passos largos a essa mesma “escuridão”, parecem não ser par para o explicito pomposo de Nolan. Porém, é aí que se enganam.

Darkest Hour é em toda a sua condução (e perdoam-se as aventuras no cinema mais clássico a puxar pela Hollywood “banhada” pelos seus ídolos de ocasião), um filme pacifico com a nossa imaginação. Um retrato de um Reino Unido como uma ilha em pés de guerra, onde as verdadeiras “trincheiras” residem a milhas de distancia, mas é com as suas invocações verbais que o espectador é engolido por esse cenário sugestivo (apenas relembrado por pequenos detalhes sem a afiambrada explicitude).

Enquanto isso, Wright deixa-nos antever um aprumo técnico, a começar pela primeira sequência onde um picado navega por entre o parlamento inglês, causando uma extensão à sensação de conflito interno, o plano geralizado que dá lugar a um dinâmico conjunto a servir de preparativos para a enésima esquematização biográfica (recordamos a natureza teatral injetada num outro parlamento em Lincoln, de Spielberg). A luz, as sombras, tudo incluindo na fotografia de Bruno Delbonnel jogam a favor da avizinhada ansiedade e, em conformidade, a banda sonora rompante de Dario Marianelli assume o inicio de batalha como um rufar dos tambores (o tão profético confronto encontra-se ao virar da esquina).

Obviamente, que Darkest Hour funciona como um objeto de requinte e de alguma classe no seu vigor vintage, e Gary Oldman é par para esse desafio, não fosse o facto da obra o apropriar como a sua força-motora. Apesar do “boneco imitador” que o ator contrai nesta sua composição (como os votantes e academistas tanto adoram premiar), é nessa coerência histórica indiciada na sua interpretação o qual Joe Wright trabalha como um vetor, o resto vem por acréscimo.

A certo ponto, sentimos esse classicismo a estorvar a seriedade do filme. Vejamos a sequência decorrida no metro, onde Churchill entra em contacto com os seus eleitores, acompanhado por um “belo” discurso de empório patriótico, e de inspirada manipulação para nos dar a ideia de que o “povo é quem mais ordena” naquele cenário sociopolítico. Enfim, rasteiras e mais rasteiras que não condenam de todo este Darkest Hour, mas o enfraquecem frente ao leque de biopics da award season.

Mas em relação ao outro Dunkirk, a dominância das palavras e o uso sugestivo do trabalho de Wright adquirem uma dimensão fulcral e menos jubiloso em relação a tão proclamada obra de Nolan. E, verdade seja dita, puxando para trás, em 2007, Joe Wright conseguiu em 5 minutos aquilo que o outro não conseguiu em hora e meia. Nem sempre a quantidade é sinonimo de qualidade.  


Hugo Gomes

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