Takashi Miike vai explicar a crianças como a violência é má

(Fotos: Divulgação)

Takeshi Miike está em San Sebastián para apresentar o seu First Love

O realizador japonês Takashi Miike afirmou ontem no Festival de San Sebastián que o seu próximo projeto será uma série de animação para crianças dos 3 aos 6 anos, na qual lhes explica como a violência é má.

Cineasta de exceção com uma carreira repleta de obras antagónicas, Miike é responsável por verdadeiros “filmes choque” carregados de perversões e transgressões (como AuditionVisitor Q e Gozu), obras de cariz mais infantil e familiar (Ninja Kids) e dramas de ação histórica ou filmes de época (13 assassinos e Sabu, por exemplo). Esta variedade foi explicada pelo próprio cineasta como a sua maneira de ser no que toca ao que fazer a seguir: “Nunca penso, quando vou fazer um filme, se ele vai ser deste ou daquele género. Pego na história que tenho em mãos e transforma-a cinematograficamente da melhor maneira possivel”.

Lamentando a cada vez menor apetência da indústria japonesa em executar filmes onde a Yakuza tem um papel importante, Miike disse que este First Love – que ainda não foi exibido no Japão – está a ser comercializado como uma história de amor, embora com a Yakuza no retrato: “É um filme sobre o mundo dos Yakuza, no qual a maioria das suas gentes leva uma vida miserável, sem sentido. O que queria apresentar com este filme era que, inclusivamente neste tipo de gente, pode surgir de forma inesperada uma história de amor.”

First Love conta a história de um pugilista que se cruza no caminho com uma jovem obrigada pela Yakuza a prostituir-se para pagar uma dívida do pai. Com ação, humor e violência (cabeças a rolar), a obra surpreende ainda na sua ponta final ao mostrar uma sequência de ação com automóveis num registo de animação. O realizador explicou que essa opção está ligada à existência de cada vez menos efeitos práticos e duplos jovens no setor: “Cada vez há menos gente especialista nesta arte na indústria japonesa – e talvez também seja assim no ocidente. A indústria tenta cada vez mais evitar acidentes de trabalho e pagar mais por isso, por tal prefere-se recorrer ao CGI. (..) Nisto, temos verificado um envelhecimento desses especialistas, limitando as opções e encarecendo todo o projeto“. 

 

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