Prestes a comemorar os seus 80 anos no próximo dia 7 de abril, Francis Ford Coppola está pronto para embarcar num de seus projetos de sonho.
Em conversa com a Deadline, o realizador de Apocalipse Now (1979) e O Padrinho (1972) planeia finalmente filmar Megalopolis, um projeto ambicioso que esteve prestes a se concretizar no início dos anos 2000, mas que saiu de órbita no ano dos ataques do 11 de setembro de 2001.
Ambientado em Nova Iorque, Megalopolis segue um arquiteto cuja tentativa de criar uma utopia na cidade é combatida pelo presidente da câmara: “Sim, planeio começar este ano a minha antiga ambição de fazer um grande projeto utilizando tudo o que aprendi ao longo da minha longa carreira, iniciada aos 16 anos no teatro. Será um épico em grande escala“.
Coppola – que define a produção como gigantesca – já começou a falar com potenciais atores e à Deadline referiu o nome de Jude Law. “É um filme incomum; será uma produção em grande escala com um elenco enorme. Vou fazer uso de todos os meus anos a fazer filmes em diferentes estilos e tipos, culminando no que acho que é a minha própria voz e aspirações. Não está dentro do mainstream do que é produzido atualmente“, afirmou o cineasta, que se prepara para apresentar no Festival de Tribeca Apocalypse Now: Final Cut.

Sobre essa nova versão do seu filme, o cineasta disse: “Dado que a versão original do Apocalipse não era apenas longa, mas também incomum no estilo e substância para um filme daquela época, tendíamos a cortar cenas sempre que possível, não apenas no tempo, mas também naquilo que era considerado ‘esquisito’. Talvez 15 anos depois, tenha visto [o filme] na TV de um hotel, e como sempre gostei de ver o início, comecei a assistir e acabei por ver tudo. Percebi que, justamente com o tempo decorrido, o filme não era tão estranho quanto eu pensara, e se tornara mais “contemporâneo”. A arte de vanguarda do presente, frequentemente torna-se o “papel de parede” da arte no futuro (mainstream). Isto, para além da opinião de muitas pessoas (incluindo do distribuidor) de que muitas coisas boas foram cortadas, levaram ao que mais tarde foi chamado de Apocalypse Redux, que teve uma distribuição nos cinemas bem-sucedida graças a Harvey Weinstein. Mas essa versão tinha tudo o que havia sido cortado, restaurado. Mais tarde, mais uma vez, quando questionado sobre qual versão eu pessoalmente queria que fosse apresentada, muitas vezes senti que o original de 1979 foi abruptamente encurtado, e Redux era muito longo. Decidi então o que sentia agora ser a versão perfeita, que é o que vamos mostrar em Tribeca no final deste mês, chamada Apocalypse Now Final Cut. ”

