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Alice Rohrwacher: "As mulheres têm uma herança de 4 mil anos ou mais de abusos, opressão e marginalização"


© Fabio Lovino

Depois de Corpo Celeste e Le Meraviglie (O País das Maravilhas), Alice Rohrwacher regressou a Cannes com Lazaro Felicie, projeto com claras referências biblicas e que centra a história de uma comunidade de camponeses que sofre de escravatura, mas que desconhecem a sua situação, acreditando serem criados de uma Marquesa, cujo rio marca a fronteira desse território. A personagem principal chama-se Lazaro, um jovem com limitações mentais, demasiado ingénuo e de uma felicidade avassalador, que se torna amigo do filho da Marquesa, o qual tem o desejo de destruir o império da sua mãe. 

Fortemente simbólico, recheado de elementos religiosos e místicos, espelhando uma Itália em modo de fábula, Lazaro Felicie é um forte candidato a prémios no certame e foi descrito pela própria cineasta ao C7nema como "um conto que possa tornar o espectador num inocente, como uma criança".

Num ano que o #MeToo e o #TimesUp dão nas vistas em Cannes, Alicia referiu a importância do movimento, até pela mudança de mentalidades na própria imprensa: "Já estive 3 vezes em Cannes e sempre me perguntaram como é ser uma realizadora, uma mulher nesta indústria. Na última vez [Pais das Maravilhas] tal questão vinha normalmente de revistas femininas ou da imprensa cor-de-rosa, mas atualmente tornou-se, finalmente, numa pergunta séria."

A italiana reconheceu ainda que "o festival começou a tratar o problema da representação feminina com seriedade" e relembrou que as "mulheres têm uma herança de 4 mil anos ou mais de abusos, opressão e marginalização." "Era impossível estudarmos, ou sequer termos uma expressão própria. Por isso é importante, sobretudo do ponto de vista político, encarar o feminino com a devida seriedade", conclui.

 



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