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França: atrizes negras e mestiças denunciam racismo em livro

Com o Festival de Cinema de Cannes prestes a começar, dezasseis atrizes negras ou mestiças francesas apontam num livro as manifestações de racismo comuns ouvidas no exercício de seu trabalho. Com o nome Noire n'est pas mon métier, o projeto quer iniciar um debate sobre o racismo no cinema francês e no dia 16 de maio elas vão marcar presença no certame para falar dos "clichés herdados de outras épocas".

"Felizmente você tem traços delicados", "você fala africano?", "É demasiado negra para (desempenhar) uma mestiça", "não é suficientemente africana para protagonizar um a Africana" são algumas das frases que este grupo de mulheres denuncia na obra. Entre os nomes do cinema local que assinam em conjunto o livro, encontram-se Nadège Beausson-Diagne (Bem-vindos ao Norte), a ex-Miss França Sonia Rolland (Palácio das Necessidades, 2013), e Eye Haidara, nomeada ao César pelo seu papel em O Espírito da Festa (2017) ou Assa Sylla, revelação de Bando de Raparigas (2014).

"As coisas estão a mudar, mas muito devagar", disse Aïssa Maïga (Bienvenue à Marly-Gomont) à AFP, acrescentando: "O salto que eu espero, para uma representação mais justa, não acontece, eu preciso me expressar... Sou capaz de interpretar qualquer mulher." Em causa está principalmente a presença de negros em filmes com papéis menores ou estereotipados, simplesmente em cena para de forma quase anedótica cumprirem uma quota de presença nos filmes. 

A questão da representação dos negros no cinema também vai estar certamente em foco em Cannes durante a masterclass de 10 de maio de Ryan Coogler, o diretor de Black Panther.



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