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Cinemas autorizados na Arábia Saudita após 35 anos de proibição

A Arábia Saudita levantou esta segunda-feira, 11 de dezembro, uma proibição com 35 anos que impedia o funcionamento de cinemas no país. O projeto faz parte de um programa de reformas destinado a reduzir a dependência do país em relação ao petróleo. Com o nome Visão 2030, este ambicioso plano foi apresentado em abril de 2016 pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

O governo anunciou que começará a licenciar imediatamente e que as primeiras salas devem ser abertas em março de 2018. Como a maioria dos espaços públicos, estes locais deverão ter secções separadas para homens e mulheres, bem como uma seção para famílias. Quanto aos filmes exibidos, estes "serão submetidos a uma comissão de censura que assegurará que o seu conteúdo respeita os valores (da sociedade saudita) e não viola as leis em vigor". 

"Este é um momento decisivo no desenvolvimento da economia cultural do reino", disse o ministro da Informação, Awwad Alawwad. Espera-se que a Arábia Saudita atinja os 300 cinemas e 2 mil telas de exibição até 2030, de acordo com o ministério.

Recorde-se que principal líder religioso da Arábia Saudita, o Sheikh Abdulaziz Al al-Sheikh, advertiu em janeiro contra a "depravação" da arte, alegando que os cinemas e o entretenimento contínuo podem abrir a porta a «visões vergonhosas, imorais, ateístas e podres» e encorajar a mistura dos sexos. «Espero que aqueles que lideram a autoridade do entretenimento sejam guiados (...) a não abrir as portas ao mal», concluiu o líder religioso.

Vale a pena ainda lembrar que os cinemas públicos no país são ilegais desde os anos 1980, havendo algumas exceções no que toca a projeção de filmes, como o festival anual de cinema Dammam, uma celebração de cinco dias da 7ª arte que consegue contornar as regras através de projeções privadas num centro de artes na cidade da costa do Golfo.

Nas últimas décadas contam-se pelos dedos as produções cinematográficas ligadas ao país, destacando-se o sucesso internacional O Sonho de Wadjda, assinado pela cineasta Haifaa al-Mansour. Este ano, a Arábia Saudita está a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Barakah Meets Barakah, a primeira comédia romântica do reino.



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