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Léa Seydoux descreve como Harvey Weinstein a assediou

«Encontro homens como Harvey Weinstein a toda a hora. O cinema é minha vida: participei em muitos filmes nos últimos 10 anos. Por isso conheço a forma como a indústria cinematográfica trata as mulheres com desprezo.». Assim começa  Léa Seydoux (Spectre; A Vida de Adèle) um texto escrito para o The Guardian no qual relata como foi assediada pelo magnata do cinema. A francesa junta-se assim a uma lista gigantesca de nomes ligados ao cinema que nos últimos dias têm descrito a forma como foram abusadas por Harvey.

Seydoux descreve o momento com precisão, recordando que o conheceu num desfile de moda: «Ele era encantador, engraçado, inteligente - mas muito dominador. Ele queria tomar uma bebida e insistiu em marcar o encontro nessa mesma noite. Não era uma reunião de negócios. Ele tinha outras intenções - eu vi com muita clareza. Encontramo-nos no  lobby do hotel. A sua assistente, uma jovem mulher, estava lá. Ao longo da noite, ele flertou e olhou para mim como se eu fosse um pedaço de carne. Ele agiu como se ele estivesse a considerar-me para um papel. Mas eu sabia que era mentira. Eu sabia disso, porque eu podia ver isso nos seus olhos. Ele parecia excitado. Ele usou o seu poder para fins pessoais, pensando que poderia dormir comigo. Convidou-me para tomar uma bebida no quarto do hotel. É difícil dizer-lhe que não, todas as mulheres têm medo dele. Subimos juntos. Rapidamente, a sua assistente saiu e ficamos só nós dois. Foi  esse o momento em que ele começou a perder  o controle. Estávamos a falar no sofá quando ele de repente saltou para cima de mim e tentou me beijar. Eu tive que me defender. Ele é alto e gordo, então eu tive que resistir vigorosamente. Eu sai, completamente enojada, mas nunca tive medo dele porque sabia desde o início com quem lidava. Depois daquela noite no seu quarto de hotel, vi-o muitas vezes. Trabalhamos na mesma indústria, por isso é impossível evitá-lo. Eu vi como isso funciona, como ele procura uma abertura, como ela testa as mulheres para ver o que pode fazer com elas. Além disso, ele não aceita ouvir um"não". Uma vez eu fui com ele a um restaurante e quando não conseguiu mesa, ficou com raiva e disse: "Você sabe quem eu sou? Eu sou Harvey Weinstein!". Esse é o tipo de homem que ele é».

A atriz prossegue o testemunho, contando alguns episódios do patrão da Weinstein Co. com outras atrizes, mas também afirmando que Harvey não foi o único homem na indústria que a assediou. Primeiro falou de um realizador que lhe disse, quando tinha cerca de 20 anos, que queria dormir com ela, depois de outro com quem teve de filmar cenas de sexo muito longas que duraram dias (A Vida de Adèle?), e finalmente  outro que a tentou também beijar à força: «Como Weinstein, eu tive que empurrá-lo fisicamente. Ele agiu como um louco, fora de si porque eu não queria fazer sexo com ele

Seydoux conclui, deixando um recado às mulheres e à indústria do Cinema: «Se você é uma mulher que trabalha neste ambiente, deve lutar porque é um mundo muito misógino. Porque são os salários tão desiguais? Porque ganham mais os homens que as mulheres? Não há razão para isso ser assim. Hollywood é um mundo incrivelmente exigente com as mulheres. Pensem nas imposições em relação à beleza: todas as atrizes fazem sessões de botox aos 30 anos, elas devem ser perfeitas. É uma imagem das mulheres que é estranha e que acaba por nos controlar.»



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