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Paul Schrader: «hoje temos quase vergonha em ser americanos»

Paul Schrader vai estrear em Veneza o seu mais recente projeto, First reformed, e numa entrevista ao jornal La Repubblica, o argumentista de Taxi Driver e realizador de filmes como American Gigolo (1980) e A Rapariga na Zona Quente (1979) adiantou que este seu novo projeto será diametramelmente oposto ao "violentíssimo" Como Cães Selvagens, o qual estreou recentemente em Portugal: "É uma meditação sobre o nosso mundo e a sua espiritualidade. São tempos sérios, então chegou a hora de [fazer] um filme sério".

Schrader prosseguiu, acrescentando que o tema surge em muitos filmes de hoje porque vivemos tempos "onde podemos ver o fim do mundo como o conhecemos. Por milénios, filósofos e teólogos de todas as civilizações fizeram perguntas, mas agora é o moments em que a grande resposta está a chegar. O meu filme aborda essa questão, não do ponto de vista social, mas explorando a interioridade do homem".


Ethan Hawke em First reformed

Uma das razões certamente porque o cineasta fala do "final dos tempos" e escolheu lançar agora First reformed tem a ver com o momento político e social nos EUA. Schrader não nega e vai mesmo mais longe, afirmando que "hoje temos quase vergonha em ser americanos, é um momento difícil para aqueles que cresceram a pensar que a América era um recurso para o mundo. Descobrimos que somos o oposto: um problema para o mundo e temos que nos perguntar como isto pôde acontecer, e de maneira tão fácil e rápida".

Já sobre as novas plataformas e a possibilidade em trabalhar para a TV, o realizador parece aberto à ideia: "Certamente, eu trabalharia numa série, todos o fazem. Hoje, os maiores argumentistas trabalham na TV e não nos filmes, é um facto. Hoje, podemos ver filmes de todos os países, mas simplesmente não temos tempo para fazê-lo".



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