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Cannes: a volta ao Mundo em 4 desilusões

Dois dias, quatro continentes, quatro desilusões, é assim que resumimos Cannes nos últimos tempos. O dia começou com as promessas doces da nipónica Naomi Kawase, uma presença habitual no Palais, que nos entrega Radiance (Hikari), regido pelas boas intenções do cinema sensorial e a dicotomia da força/fraqueza das imagens. É um romance de ideias, mas cujas não nos levam a lugar nenhum, somente ao meloso jeito de emocionar, ou pelos menos obrigar-nos a tal. Kawase revelou-se num dos maiores desapontamentos do Festival, e um indicador de um cinema cada vez mais imaturo que se tem cometido no Japão, palavras de Takashi Miike - o qual defendeu estar fora desse sistema de agrados sentimentais.

Da Ásia passamos para o Velho Continente, a Europa, como uma das apostas mais promissoras do cinema francês na Competição. Rodin, a biografia do incontornável escultor pelo veterano Jacques Doillon é, como se gritou em plena sessão de imprensa, "um cinema muito velho". É um registo decadente, que faz o bom uso da mise-en-scène, mas que se perde na sua carência de rigor narrativo e no tratamento reconstrutivo do homem que esculpiu o Pensador. Usando essa linguagem apropriada, Rodin encontra-se a ser esculpido, nunca chegando à obra final. Vincent Lindon (na imagem abaixo) protagoniza esta narrativa que fez com que muitos abandonassem a sessão.

No dia seguinte, outro continente. Da América do Norte, EUA, segue uma das escassas participações dos grandes estúdios de Hollywood no Festival. Sofia Coppola cita o célebre filme de Don Siegel, The Beguiled, para o responder de forma feminina a uma obra agressivamente masculina. Só que é incapaz de responder-lhe à letra, e o resultado poderia ser mais afincando. Enfim, Coppola consegue um filme de uma técnica majestosa, uma simbiose por excelência entre a imagem e o som, ambos a funcionar como opostos de um tratamento tão vazio. As personagens não se desenvolvem, a narrativa não define o seu espaço nem tempo e a violência torna-se numa banalidade pura. E não é do mal, como diria Hannah Arendt.

Seguindo agora para sul, Santiago Mitre, que venceu a Semana da Crítica há dois anos com Paulina, estreia-se no Palais com La Cordillera. Inserido na secção Un Certain Regard, a terceira obra do argentino é um ensaio sobre politica com toques de sobrenaturalidade.Nisto, nem uma coisa, nem outra, resultam. É um filme esquizofrénico, pertinente, e de um cinismo que nunca verdadeiramente nos satisfaz politicamente. Mitre é fraco em composições politicas, e a sua crítica é demasiado impostora. Vale pelo grande Ricardo Darin, um omnipotente presidente argentino. Escusado será dizer, que foram muitos, aqueles que abandonaram a sala a meio.



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