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FESTin arranca entre as memórias do passado e gritos de «Fora, Temer»

 

Foi uma noite de celebração, mas também de recordações dolorosas e reivindicação.

A sessão de abertura do Festin- Festival de Cinema Itinerante de Língua Portuguesa ficou marcada pela exibição de O Outro Lado do Paraíso, mas antes disso, a diretora artística Adriana Niemeyer falou sobre o festival, as suas conquistas e dificuldades, lançado logo no início a questão: «qual foi o último filme que viu realizado por uma mulher?»

A Mulher está em grande destaque nesta 8ª edição do festival, o qual vai sobrevivendo com o apoio incansável da Câmara de Lisboa e da EGEAC, entre outras entidades. Na falta de apoios privados, num país em que muitas empresas falam no apoio ao que é português, estranha-se essa ausência de investimento num certame onde a lingua portuguesa é a rainha. A diretora geral do Festin, Léa Teixeira, esteve ausente da sessão de abertura, mas deixou um pequeno comunicado em vídeo com as mesmas queixas.

Quando chegou a vez de apresentar a fita de abertura do certame, Luiz Fernando Emediato – autor do livro autobiográfico onde o filme se inspira – falou das suas memórias do golpe militar de 1964, fazendo um paralelismo com a situação atual no Brasil. Foi nesse momento que a bem composta Sala Manoel de Oliveira no cinema São Jorge começou a gritar: «Fora, Temer», um grito que se estendeu do Brasil a muitos países europeus sempre que acontece um evento ligado à cultura brasileira.

Emediato, pode até apoiar os gritos, mas avisa gerando alguns risos: «Não fui eu que comecei».

As dolorosas memórias de um sonho interrompido


O Outro Lado do Paraíso

É tão ingénuo como fascinante o olhar de Nando, um rapaz de 12 anos, sobre a sua infância e o golpe político que interrompeu o sonho e a esperança de um país. O ator Eduardo Moscovis interpreta António, pai de três filhos do interior de Minas Gerais que, após uma revelação com contornos misticos, decide se mudar para Brasilia, um local visto como uma espécie de Terra Prometida (em 1883, um padre, José Belchior Bosco, profetizou isso mesmo). Para António, ali vivia o presidente, não faltaria trabalho e todos seriam muito felizes nesse destino.

Chegados ao local, as luzes da cidade encandeiam a família e dão esperança para o futuro. Mas quando eles chegam mesmo onde vão viver, a primeira frase de Nando quando vê os barracos demonstra logo o principio do fim do sonho: certamente não era ali que o presidente vivia.

Idealista e nunca se dando como derrotado, o sonho permanece ao som da labuta de António, um homem incansável e capaz de dar tudo à família para que eles sejam felizes (até uma televisão, que vai dar mais trabalho à mulher). O tempo passa, António trabalha no duro, enquanto Nando divide o seu tempo entre a escola, a leitura de livros de política e um namorico com a filha da professora.

As condições sociais e politicas do país deterioram-se. Cada vez mais somos invadidos por imagens de arquivo que mostram a fragilidade da situação, a qual culminaria com um golpe de estado, quebrando o sonho de António, sem que este perca, na mente, a sua utopia.



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