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Filme de abertura da Berlinale: uma escolha política?

Os filmes escolhidos para abrir um grande festival internacional não têm, muitas vezes, relação com uma grande qualidade, mas devem-se a outras condicionantes. No caso de Django, mesmo os espectadores de festivais mais atentos estavam no escuro: o realizador era estreante (Etienne Comar) e uma biopic sobre um músico de jazz francês da primeira metade do século XX tinha que ter algo muito especial

Passadas as duas horas de visionamento parece ter sido a política uma boa razão para escolha. Por outras palavras, a escolha de Django termina por funcionar como um comentário subtil sobre estes tempos feios, onde os nacionalismos populistas soterrados pelos genocídios da 2ª Guerra Mundial ameaçam um retorno de consequências imprevistas.

O filme situa-se num ano da vida de Django Reinhardt, um dos mais emblemáticos músicos franceses da altura. Popular e de origem cigana, Django acaba por ver a sua vida bastante complicada no ano de 1943, com a França ocupada pelos nazis e o colaboracionismo do sul a atingir o seu máximo. 

O personagem foi interpretado por Reda Kateb, que na conferência de imprensa falava num filme "militante e anarquista".No enredo, o músico termina por ser perseguido pela operação de "limpeza" dos nazis, contrapondo com a energia da sua música a opressão. A sequência de abertura mostra, justamente, um ato ataque violento a um grupo de ciganos que cantava na floresta.

Os alemães do filme de abertura da Berlinale são os grande vilões da história, mas só no filme: no mundo real Angela Merkel faz boa figura pública acolhendo refugiados enquanto a França expulsa ciganos em comboios (ato do governo Sarkozy há alguns anos) e é a Frente Nacional de Marina le Pen que ameaça destruir de vez qualquer mito de solidariedade da cultura europeia. 



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