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Arrancou ontem o PANORAMA -7ª Mostra do Documentário Português

Começou ontem a 7ª edição de Panorama, a mostra anual dedicada ao documentário português, que sofre este ano os piores cortes orçamentais de sempre, mas, ainda assim, consegue ter mais filmes do que o ano passado e ainda expandir-se para uma nova sala: o Teatro do Bairro, no Bairro Alto. Tal é possível devido ao trabalho de muitas pessoas que prescindiram de qualquer honorário ou que aceitaram valores simbólicos para garantir que a mostra acontece. A dedicação ao cinema por quem faz esta mostra é louvável e digna de admiração. Fernando Carrilho, um dos organizadores da mostra, concluiu ontem a sua apresentação com um apelo sentido ao ICA para não os abandonar nesta hora difícil.

Num momento crucial da sociedade portuguesa, quando, paralelamente a esta sessão de abertura do Panorama, o governo português anuncia as novas medidas de austeridade, num plano que não só se revela ineficaz, mas como até quem já o defendeu teoricamente o diz agora prejudicial, o cinema português tem, mais do que nunca, um papel social e político importante e é nesse registo que se insere o Panorama, refletindo sobre o Cinema Novo, uma corrente de Cinema que, em plena Ditadura, procurou novas formas de mostrar o descontentamento e a resistência do Homem na sociedade moderna. Belarmino, de Fernando Lopes,foi o filme ideal para esta abertura: por um lado homenagem ao realizador que morreu o ano passado, por outro um filme exemplar desta nova corrente do cinema.

Belarmino conta a história de Belarmino Fragoso, pugilista, que conta a sua vida na primeira pessoa, enquanto é entrevistado de forma informal por alguém detrás da câmara. O caso típico de um narrador não-confiável, Belarmino consegue, apesar disso, mostrar a realidade de uma classe mais pobre na Lisboa do início dos 60. Belarmino, sabendo-se filmado, anda pelas ruas de Lisboa a falar com amigos, a meter-se com mulheres, a colorizar fotografias (mais um biscate), a frequentar recintos noturnos, tudo de uma forma cândida e despreocupada. Com uma fotografia excelente, o filme só peca por um desenho de som agressivo, pela montagem confusa de um combate de boxe e pelo desvio ficcional desnecessário.

Como todos os anos, o Panorama é acompanhado por uma edição que é mais do que um catálogo dos filmes apresentados, já que apresenta textos e entrevistas que pretendem dar leituras possíveis dos temas abordados e do documentário português.



1 comentário

  • Luiz Carvalho
    Luiz Carvalho 04-05-2013 Ligação de comentário

    Já agora não seria de todo inútil dar serviço ao leitor sobre o local e horas do festival.

    Quanto à banda sonora agressiva não percebo.

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