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«Colossal» por André Gonçalves

colossal pic

 

Uma premissa mirabolante que gera um novo conforto para quem se queixava de falta de ideias originais. Eis finalmente um filme capaz de apresentar algo de novo e levar até ao limite lógico esta apresentação, numa resolução que acaba por não trair o que vem antes.

Colossal acaba no fundo por ser um "2 em 1": um filme de monstros que é uma comédia (falsamente romântica) sobre as atribulações de uma alcoólica que descobre estar a "controlar" um monstro que ameaça Seul. Ela é Anne Hathaway (num retorno à forma exposta em O Casamento de Rachel, e com a coincidência de papéis a acentuar esse facto). Mas ao contrário dos produtos "2 em 1" tradicionais, o filme de Nacho Vigalondo consegue até subverter e expôr o melhor dos dois mundos (embora favoreça sempre mais a comédia do absurdo, com um rácio de tiradas certeiras invejável); para tal, basta que o espectador esteja minimamente disposto a entrar na toca de coelho aqui cavada.

O autor espanhol continua aqui a sua odisseia de culto pelo cinema de género, e Colossal beneficia ainda de um outro factor capaz de o segurar nas altitudes a que está disposto a subir: cumprindo a tradição do cinema dito de "género" ter também um papel social em prol das minorias, o filme pode também ser lido como um testamento feminista. E numa época onde todos querem ser vistos como feministas, mas caem facilmente num panfletismo puro, a metáfora construída por Vigalondo encontra um equilíbrio praticamente perfeito entre o panfleto e a relativa (e também falsa) inofensividade.

Dito isto, repita-se: há que estar disposto a ser levado por esta maravilha que faria certamente os "fundadores" do cinema enquanto entretenimento sorrir. O risco tomado aqui é de tal forma alto que onde uns podem ver a sua resolução como obedecendo plenamente à sua lógica interna, concluindo assim o entretenimento-pipoca mais inteligente da temporada, outros podem achar tudo isto demasiado arrojado para não evitar o disparate. De qualquer das formas, ninguém conseguirá refutar o óbvio: a originalidade desta visão de Vigalondo; está mesmo na altura de dar uma atenção mediática maior a este senhor.

 

André Gonçalves



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