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«Anima Nere» (Almas Negras) por Roni Nunes

Se os clássicos do cinema de gangster eternizaram a violência como uma das marcas primordiais do mundo do crime, o universo da máfia tem se prestado em tempos recentes para mostrar que as atrocidades físicas não são o seu único componente relevante. Com um parentesco com a perspetiva de J.C.Chandor e o seu Um Ano muito Violento e, felizmente, menos obtuso que a adaptação do livro de Roberto Saviano por Matteo Garrone (Gomorra), a terceira obra de Francisco Munzi avança por um terreno cada vez menos improvável.

Menos focado na truculência e no mundo dos negócios a qual está atrelada, o filme envereda pelo que o seu título deixa entrever: por trás de um criminoso está um ser humano. No centro está a uma família composta por três irmãos que têm em comum o facto do pai ter sido assassinado por um chefe mafioso local. Mas enquanto dois deles enveredaram pelo crime, o outro torna-se pastor de ovelhas, algo com o que não se conforma o seu filho – admirador de um dos seus tios. O conflito é aguçado quando o irmão honesto é fortuitamente envolvido nas contendas entre grupos rivais.

Tal como no filme de Chandor, há muito poucos tiros: essa fantasia sombria lida com ódios contidos e emoções no limite e troca as voltas como poucos a quem espera por ajustes de contas à moda dos clássicos de Coppola. Nem sempre gere bem a expectativa inevitável que acaba por criar ao parecer que vai tomar o rumo de uma narrativa tradicional: se por vezes a tensão chega ao rubro (a cena do filho na vivenda, no último terço) por outras as escapadelas rumo à descompressão são algo dececionantes.

O MELHOR: uma abordagem psicológica do mundo do crime
O PIOR: por vezes frustra as expectativas que cria


Roni Nunes



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