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«Une Nouvelle Amie» (Uma Nova Amiga) por Paulo Portugal

François Ozon acrescenta a drag queen ao armário de mulheres que habitam o seu cinema. Mesmo sem ser um Ozon vintage, Une Nouvelle Amie diverte-nos com a adaptação de uma curta história de Ruth Rendell, The New Girlfriend, onde um homem descobre a paixão pelas roupas de mulher após a norte da esposa. Uma situação agravada pelo facto da amiga de sempre da defunta (Anais Demoustier) acabar por transferir para David/Virginie (Romain Duris) a atração que afinal de contas teria pela amiga. É assim nesta subtil e complexa transferência de sexualidades que seguimos a personagem de Roman Duris, preocupada com a depilação, maquilhagem e em ocultar o seu tom de voz. Inteligente a opção de Ozon em transformar a história em comédia. Ele que refere nas notas de produção que "queria que todos os homens saíssem a correr do filme para comprar vestidos, meias e maquilhagem, não para as mulheres, mas para si próprios".

É claro que sem este tom de comédia, o filme não teria o mesmo efeito. E, na verdade, em alguns dos melhores momentos temos Duris e Demoustier alegremente às compras ou, muito simplesmente, a deixá-lo abraçar todos os tiques femininos. Alguns deles delirantes, como quando é surpreendido com a visita da sogra e se vê forçado a disfarçar as marcas de batom ou quando se esquece de barbear...

Une Nouvelle Amie mostra-nos um Ozon perverso, mas divertido, próximo de Almodóvar, apesar de não ser difícil ver aqui a piscadela de olho subtil a Hitchcock, sobretudo quando veste e despe tantas vezes a personagem motivando a alusão à forma como James Stewart tentava vestir a defunta na pele de Kim Novak, em Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes.

O melhor: Ozon provocador e Duris em drag
O pior: O guião e o final padecem de alguma ingenuidade


Paulo Portugal
(Crítica originalmente escrita em setembro de 2014)



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