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«Paradies: Liebe» (Paradise: Love) por Hugo Gomes

Liebe (Amor), Glaube (Fé) e Hoffnung (Hope), são os três elementos que compõem a trilogia do cineasta austríaco Ulrich Seidl, Paradies (Paraíso), um olhar certamente intrusivo sobre uma sociedade ocidental preconceituosa e dicotómica.

Apresentado individualmente e respetivamente nos Festivais de Cinema de Cannes, Veneza e Berlim, Paradies é o selo referencial do próprio cinema de Seidl, um autor dotado de um humor particular que cria situações de desconforto para com o espectador, como também menosprezando os seus preconceitos e tabus. Trata-se de um realizador provocador, polémico sem insinuar o mediatismo, ao invés disso resolve unificar a ficção com o documentário de forma a conseguir imagens violentamente cruas doseadas com o realismo documental.

Paradies: Liebe é o primeiro filme da trilogia, que apesar de integrar um conjunto de três obras, estas são autónomas, sendo possível ser visualizadas independentemente, contudo a linha perpendicular entre elas advém da relação e interação das suas personagens protagonistas. Nesta pelicula, Ulrich Seidl apresenta Teresa (Margarete Tiesel) ao público, uma mulher cinquentona vienense que decide fazer turismo sexual nas praias tropicais do Quénia. À chegada deste paraíso africano, Teresa começa a iludir-se com os propósitos da sua chegada, e ao invés de encarar a situação como um puro prazer luxurioso, inicia-se numa demanda em busca do amor sincero e puro que tanto desejou conhecer. Contudo a protagonista irá procura-lo no lugar errado e em ocorrências equívocas. Para além disso, Teresa é inapta para amar, pouco vivida em virtude de tal sentimento como também é incapaz de ser amada.

Expondo o amor como um negócio internacional, Ulrich Seidl comporta de forma obscena e explicita enquanto ilustra uma narrativa que demonstra os e próprio interesse na suas historias. O realizador parece criar um mundo fílmico muito pessoal, ignorando por completo a viabilidade para com os espectadores, deixando de lado as suas suscetibilidades e anseios. Seidl não enriquece as suas personagens, não as desenvolve, apenas as esquematiza, com tal fator ameniza o choque do filme com o público, ao mesmo tempo tornando-se fiel ao realismo e colocando o ator numa posição de total exposição. Liebe é irónico e bruto, uma fita que não deixará ninguém indiferente e onde as morais são quase intransmissíveis. A busca do amor nos trópicos como quem busca o Santo Graal!

O Melhor: A opção do autor em não desenvolver as suas personagens faz com que o espectador não preocupa com elas, fazendo com que o dano moral seja menor.

O Pior: Ulrich Seidl é impiedoso em "rasgar" as suscetibilidades, o público mais sensível certamente irá desaprovar isso.

Hugo Gomes



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