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Sundance 2013: «We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks», por Joanna Rudolph


Em 2010, a Wikileaks passou de uma organização delatora sem fins lucrativos relativamente desconhecida para o estatuto de fenómeno internacional, em especial devido à decisão do seu carismático líder, Julian Assange, em publicar documentos classificados do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América que poderiam por em risco pessoas inocentes.

Como resultado, Julian Assange, um ex-hacker, torna-se simultaneamente um vilão e uma estrela, duas facetas que são apresentadas neste «We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks», o novo filme do argumentista e realizador Alex Gibney. Sempre construído de uma forma balanceada e fascinante, o documentário providencia um estudo em torno da WikiLeaks – da sua criação até ao seu «encerramento».

Para contar esta história, são apresentadas conversas na internet entre Bradley Manning, o soldado americano que entregou os documentos à WikiLeaks, e Adrian Lamo (um antigo hacker e seu confidente que depois o denunciaria às autoridades), bem como entrevistas com pessoas altamente envolvidas no tema, como o próprio Lamo, Daniel Domscheit-Berg (um desencantando antigo porta voz da WikiLeaks) e  Kevin Poulsen (um ex-hacker  e atualmente editor da Wired.com, meio que foi o primeiro a divulgar a história).

A profundidade com que é traçado o perfil psicológico de Bradley Manning é fascinante, tal como as entrevistas que revelam a hipocrisia e as éticas questionáveis da Wikileaks, em especial de Julian Assange. Inicialmente, Assange é uma figura agradável e a sua identidade entrecruza-se com a missão da Wikileaks, que era a promoção da transparência enquanto se garantia aos jornalistas e informadores a certeza que não seriam perseguidos ou detidos pelos seus atos. Contudo, quando a segurança da WikiLeaks é comprometida, Assange revela-se mal preparado para lidar com a fama e com a atenção que de repente desperta.  

Inicialmente é divertido vê-lo a saborear a atenção dos Media, mas rapidamente o tom muda para o "lado negro da fama" quando a imprensa se volta contra ele e começa a informar que Assange enfrenta acusações de estupro na Suécia. Nesta fase, o próprio Assange torna-se o pronúncio do secretismo, declarando uma "caça às bruxas" contra qualquer um que o desafie e à Wikileaks. 

Na verdade, Assange define, por exemplo, o filme de ficção «The Fifth Estate», que Bill Condon prepara, como «uma massiva campanha de propaganda contra ele». O mesmo até pode ser dito sobre este «We Steal Secrets: The Story of WikiLeaks», mas ao menos esta é uma história clássica de David contra Golias que consegue promover o debate de temas muito sérios como a censura e a transparência.


O Melhor: Psicologicamente desafiante
O Pior: A sua inconclusividade 
 

 
 Joanna Rudolph
 



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