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António Cordeiro diagnosticado com doença grave e incurável

 

O ator português António Cordeiro foi diagnosticado com uma doença grave e incurável, que lhe vai condicionando progressivamente a fala e os movimentos. A notícia já tinha sido avançada em agosto pela TV7 Dias, que mencionou ainda que a incapacidade provocada pelo seu estado de saúde o tem feito passar por dificuldades financeiras. Agora, no programa de entrevistas Alta Definição de Daniel Oliveira - que será exibido na RTP no próximo sábado - o ator falou mais aprofundadamente do tema.

Conhecido do grande público principalmente pelo seu trabalho na TV, em especial pela participação em telenovelas e séries como Claxon, Major Alvega ou até Duarte e Companhia, António Cordeiro pôde ser visto recentemente no Cinema em Índice Médio de Felicidade de Joaquim Leitão.

 

«The House with a Clock in Its Walls» (O Mistério da Casa do Relógio) por Jorge Pereira

  • Publicado em Critica

O nome de Eli Roth sempre esteve associado ao cinema do macabro, muitas vezes recheado de gore, ultra violência, canibalismo ou assassinos psicopatas. Quando se vê o tom infanto-juvenil deste O Mistério da Casa do Relógio, talvez se perceba que o cineasta pode estar a fazer o que um dos seus grandes ídolos (que até surgiu em Hostel num cameo) faz há décadas. Falamos de Takashi Miike, capaz de filmar um filme tortuoso na sua maldade, crueldade e visceralidade ou um trabalho para miúdos divertidos e sempre estridentes. E fá-lo no mesmo ano, "sem espinhas".

O início de O Mistério da Casa do Relógio diz logo tudo e se não soubéssemos que era Roth a realizar, pensaríamos num Spielberg ou Zemeckis a filmar qualquer coisa de Charles Dickens com uns toques de Sonnenfeld (A Família Adams).

Estamos em 1955, em New Zebedee e Lewis Barnavelt (Owen Vaccaro) é um jovem que chega à cidade para viver com o tio  (Jack Black) após os pais faleceram num acidente. Esse tio excêntrico (não é um robe que tem vestido, mas um quimono) é um feiticeiro que vive perto da também bruxa Florence Zimmerman (Cate Blanchett) numa casa repleta de "vida" e magia. Se Jack Black encaixa bem como o familiar exótico e estapafúrdio com a aparência de um ilusionista barato, já Blanchet dá uma frieza e seriedade à sua personagem que balança bem a relação dos dois, meramente platónica mas capaz de produzir momentos de química de forma orgânica.

Com uma nova vida, numa nova cidade, e com novos amigos, o pequeno rapaz vai sentir a dureza da infância como um ser estranho e bizarro que anda de óculos de proteção como o seu herói da TV, o Captain Midnight, cimentando a sua solidão com o sentido de perda, em especial em relação à mãe.

Não há absolutamente nada de novo por aqui e tudo nos soa a incrivelmente familiar, para não dizer derivativo, por isso quando ouvimos Jack Black a proibir o sobrinho de abrir um armário na sua mansão, sabemos que esse é o fruto proibido e apetecido que dará dinâmica ao enredo fantasista que se segue. O resultado final é um filme extremamente confortável em tocar em todos os lugares comuns com claros objetivos de iniciar um novo franchise, sendo na prestação dos atores que surgem as mais valias, especialmente quando Kyle MacLachlan aparece em cena como o grande antagonista, mesmo que o último terço demasiado carregado de computação gráfica e sequências sobrenaturais nos afaste do tom emocional exigido.

Por tal, O Mistério da Casa do Relógio até deve ser valorizada pelo tom nostálgico e clássico referencial com que é construído (sempre tendo como base a obra literária de John Bellairs, da década de 1970), mas no final fica a sensação que este é um filme que sobressai pelos detalhes (e não pelo seu todo) e que chega tarde demais.


Jorge Pereira

«La Villa» (A Casa Junto ao Mar) por Jorge Pereira

  • Publicado em Critica

Há três elementos destacáveis na cinematografia de Robert Guéguidan: as suas personagens mostram sempre as suas convicções e exalam as suas ideias de forma afincada, mas sempre com naturalidade, introspecção e um sentido intelectual no debate; a sua postura e ideais de "esquerda" frequentemente levam-no a um cinema denso com temas sociais abordados e organizados por camadas (mesmo nas incursões históricas de época), sempre com um grande sentimento, familiaridade e humanismo, provavelmente fruto de inspiração biográfica, já que é filho da "classe trabalhadora"; ao recorrer tantas vezes aos seus atores fetiche - Ariane Ascaride e Jean-Pierre Darroussin. - cria uma forte consistência na sua obra e verdadeiras marcas de autor..

Neste A Casa Junto ao Mar, Guéguidan leva-nos novamente às suas raízes ao mostrar a região das calanques de Marselha, onde após um velho homem ter um enfarte, é visitado pelos familiares. De um lado temos a filha, Angèle (Ariane Ascaride), uma atriz que após a morte da sua própria filha há 20 anos atrás- quando ela estava ao cuidado do seu pai - levou ao seu distanciamento. Do outro temos Joseph (Jean-Pierre Darroussin), um homem que surge com a namorada muito mais nova, Béràngere (Anaïs Demoustier). Há ainda um outro filho, que nunca abandonou a região que outrora estava sempre cheia de vida e que agora se transformou num pouso de turístico sazonal, onde apenas alguns ainda vão tendo uma vida na pesca, ou então em pequenos estabelecimentos.

Este é um filme sobre o sarar de feridas, não só familiares, mas sociais, de laços de amizade e até de relacionamentos amorosos tardios, tudo marinado sobre uma grande dose de nostalgia sem esquematismos, sendo pelo meio debatidos temas como a desertificação humana, a pressão turística sobre os habitantes que restam, a pressão dos bancos, o racismo, a xenofobia e derradeiramente até mesmo questões contemporâneas que assolam a Europa. E Guéguidan faz tudo isso de forma apaixonante e introspetiva, com uma boa dose de cabeça e coração, não se quedando na superficialidade dos temas, embora nunca os explore exaustivamente.

O resultado final é um filme aparentemente simples, de revisitar o passado e repensar o futuro, mas existe uma complexidade em cada personagem, nos temas e na própria localidade (que o realizador diz que lhe lembra um palco teatral) que gera um apaixonante e esperançoso drama de reflexão.


Jorge Pereira

SNU: filme sobre Snu Abecassis já tem trailer

Já está online o trailer do filme em torno de Ebba Merete Seidenfaden, a editora Dinamarquesa que ficou conhecida por todos como Snu Abecassis.

Inspirado em fatos verídicos, este projeto da Sky Dreams em coprodução com a Santa Rita Filmes, acompanha a história de amor e coragem vivida entre Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro até ao trágico acidente que lhe custou a vida em Camarate na noite de 4 de dezembro de 1980.

Com a realização de Patrícia Sequeira e protagonizado por Inês Castel Branco e Pedro Almendra, o filme conta ainda no elenco com participação de Inês Rosado, Simon Frankel, Ana Nave, Patrícia Tavares, Pedro Saavedra entre outros.

Recorde-se que a a história da relação entre Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro já esteve para ser transformado em telefilme por Vicente Alves do Ó (Al Berto), mas "foi cancelado por razões misteriosas" em 2014, segundo uma publicação desse ano do realizador no Facebook.

Ainda na TV, a vida de SNU será retratada brevemente na RTP numa série - denominada Três Mulheres - que vai abordar também a vida desta figura, juntamente com a de Natália Correia e Vera Lagoa. O projeto, com a assinatura de Fernando Vendrell (Aparição), em vez de se focar na relação amorosa de Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro, como o filme, vai acompanhar os tempos em que a dinamarquesa chegou a Portugal e fundou a Dom Quixote. Victória Guerra será SNU nesta série. 

SNU - o filme - estreia em março de 2019.

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