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Claudia Llosa filma a "Distância de Segurança" de Samantha Schweblin

Depois de ter dado nas vistas em 2009 com A Teta Assustada, filme que arrecadou o Urso de Ouro em Berlim, a peruana Claudia Llosa seguiu para os EUA onde assinou Aloft, um projeto com menos sucesso que contava com Jennifer Connelly no protagonismo. 

Quatro anos se passaram desde esse filme, mas agora a cineasta tem um novo projeto. A Netflix acaba de anunciar uma das apostas para 2019, um filme em torno da obra literária Distância de Segurança, da escritora argentina Samantha Schweblin. A produção arranca no início do ano, no Chile, estando o guião a ser trabalhado por Llosa e Schweblin.

Editado em Portugal pela Elsinore, Distância de Segurança é descrito como "um relato hipnótico e vertiginoso sobre o amor e a perda, sem medo de mostrar que nada é um cliché quando, no final, acaba por nos acontecer". 

Denis Villeneuve: "A Star Is Born marca o nascimento de um grande realizador"

O realizador Denis Villeneuve - responsável por filmes como O Primeiro Encontro (2016) ou Blade Runner 2049 (2017) - declarou à Variety estar completamente apaixonado por A Star is Born (Assim Nasce Uma Estrela).

"Nunca vi nada como a estreia norte-americana de 'A Star Is Born' (...) Não foi um visionamento normal. Foi um concerto de rock. Várias vezes durante o filme, o público explodiu com altos aplausos. Eles estavam, claro, respondendo às performances eletrizantes de Bradley Cooper e Lady Gaga. (...) Ao ver o filme senti que tinha acabado de assistir a um puro ato de cinema em que a vida e o próprio assunto central da obra se refletiam numa história de amor soberba”, disse o cineasta.

Villeneuve acrescentou ainda que "é difícil acreditar que este filme é o trabalho de um diretor em estreia", que "o nível de precisão do trabalho da câmara e da mise-en-scene" é impressionante e que A Star Is Born "marca o nascimento de um grande realizador".

Pixar anuncia novo projeto original

 

A Pixar anunciou o título e o elenco vocal do seu novo projeto, Onward, que vai chegar aos cinemas a 6 de março de 2020.

Com a realização de Dan Scanlon (Monstros: A Universidade), o filme acompanha dois irmãos elfos que partem numa jornada para descobrir se existe ainda magia no mundo.

Chris Pratt, Tom Holland, Julia Louis-Dreyfus e Octavia Spencer são alguns dos nomes que vão dar voz às personagens. 

 

«Roma» por Jorge Pereira

  • Publicado em Critica

As memórias da infância em tempos de instabilidade política têm sido uma forte inspiração para os cineastas um pouco por todo o mundo, com destaque para os sul e centro americanos, que têm colocado em cena filmes que relatam dramaticamente as suas vidas nos anos 60, 70 e 80.

Filmes como Infância Clandestina ou O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias são exemplos disso mesmo, e agora mais a norte no continente, Alfonso Cuarón visita de forma muito pessoal o México dos anos 70, não para contar a sua história, mas para através do seu olhar e memórias ficcionalizar a vida de duas mulheres, Sofia (Marina de Tavira), uma mãe de quatro filhos de classe média, e Cleo (Yalitza Aparicio), uma trabalhadora doméstica Misteca. A vida de ambas está entrelaçada para além da relação patrão-empregado, partilhando as duas um desmoronamento emocional e íntimo que afeta sobremaneira a dinâmica de uma família. É que se uma (Sofia) se vê obrigada a lidar com a ausência do marido, a outra (Cleo) anda "desencontrada" de um "namorado" que desapareceu misteriosamente após uma ida ao cinema. São novamente personagens femininas em alvoroço emocional, não tão diferentes das que vimos em E a Tua Mãe Também, Os Filhos do Homem e até Gravidade.

À medida que as suas vidas se complicam cada vez mais e percebem que acima de tudo estão sozinhas para lidar com os seus dilemas e problemas, estas duas mulheres - separadas pela raça e hierarquia social- vão-se aproximando, nunca como semelhantes, mas com um maior sentido de familiaridade, sentindo-se uma verdadeira maior proximidade na relação dos mais pequenos com a sua empregada, transformada em ama e numa segunda "mãe fabricada".

Há uma sequência na celebração de um fim de ano que demonstra isso mesmo, em que família e empregados se unem para combater um fogo florestal, sempre com a proximidade emocional de um clã, mas sempre com um afastamento hierárquico nos seus papéis sociais e funções. Essa mesma cena serve também para mostrar um México unido, uma mescla de culturas, raças e credos carimbados por disparidades sociais, visíveis igualmente na topografia (extremamente observável quando a família se mete em viagem, ou quando Cleo tenta encontrar o namorado em zonas mais pobres), que invariavelmente culminam em grandes tumultos e confrontos ideológicos, como a batalha campal entre milícias paramilitares apoiadas pelo governo e manifestantes estudantis, que culminaram no massacre de Corpus Cristi, apresentado numa sequência profundamente devastadora.

Cuarón inspirou-se e dedicou esta obra à sua ama (Liboria "Libo" Rodriguez) e o seu sentido para o detalhe em cada sequência, plano e fotograma é inspirador para nos revelar a sua paixão pelo material, o qual navega entre o drama, a comédia (às vezes absurda) e o suspense (na vida pessoal, familiar, social e na política mexicana) com uma fluidez absolutamente melancólica, onde não faltam mesmo toques e referências para além do óbvio neorrealismo, com uma cena numa sala de cinema a levar-nos até ao filme Perdidos no Espaço (1969), o qual influenciou Gravidade.

Nesse jogo de memórias, referências e nostalgia, numas ruas do México onde até se pode dizer que Cuarón chega a filmar com um olhar "Scorseseano" e brinca com correrias à Godard, a cinematografia e a direção artística são imaculadamente obras primas per se, com o preto e branco meticuloso a transparecer o seu fascínio habitual pela luz natural e pela aplicação de mais ou menos contraste e saturação em cada frame, carregando o filme permanentemente de uma sensação de infortúnio, mas simultaneamente de  conforto familiar num país em reboliço. Há ainda o belíssimo sentido do cineasta em navegar entre close-ups, de detalhe e planos gerais, nunca escapando a preciosismos pessoais e históricos (o homem canhão num comício remete ao populismo e ao espetáculo como resposta à pobreza), jogando o mesmo muitas vezes com duplas ações no mesmo plano (o parto, em grande destaque) que acrescentam densidade, profundidade e sentido trágico.

Assim, e adicionando o belíssimo trabalho no som, em termos técnicos Roma é uma verdadeira aula de Cinema, uma ode aos pequenos e grandes detalhes, o que somado a uma narrativa delicada, sensível e figuras extremamente humanas e empáticas, onde se destaca uma soberba Yalitza Aparício, fazem dele um dos filmes obrigatórios de 2018.


Jorge Pereira

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