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Novo Starship Troopers agradará Presidência de Trump, diz Paul Verhoeven

Com o sucesso crítico de Elle, Paul Verhoeven parece ter regressado às luzes da ribalta. Durante a reavaliação dos seus 50 anos de carreira, foi questionado diversas vezes sobre o tratamento do seu legado norte-americano por parte dos grandes estúdios, em particular às novas versões de Desafio Total e Robocop. O realizador holandês declarou que os estúdios de hoje em dia são incapazes de lidar com o sarcasmo e que a ironia, visto que ambas as versões modernas diferenciaram das suas criações graças a um tom mais dramático. Para Verhoeven, essa foi a causa do insucesso das duas obras, assim como a sequela de Instinto Fatal, em 2006.
 
Atualmente, segue as notícias de que a Columbia Tristar encontra-se interessada em "refazer" outra obra sua, Starship Troopers, que Verhoeven filmou em 1997 e que apesar do insucesso no box-office e na crítica da altura, tornou-se num objeto de culto graças ao seu circuito no home-video
 
Uma semana depois de Donald J. Trump ser eleito o novo Presidente dos EUA, curiosamente, o original Starship Troopers, foi apresentado no Film Society of Lincoln Center. Presente na sessão estava o próprio Verhoeven e o ator Casper Van Dien que integraram um QaA. Durante essa sessão, o realizador foi confrontado a responder a sua opinião sobre o eventual remake.
 
Verhoeven afirmou “Foi dito no artigo que a equipa de produção iria fielmente basear-se no livro [da autoria de Robert A. Heinlein]. Claro, eu realmente, realmente tentei afastar-me do livro, simplesmente porque senti que a matéria-prima é simplesmente fascista e militarista.” “Sente-se que ao concentrar no livro originará um filme que enquadra-se na Presidência de Trump.
 
A nossa filosofia era bem diferente dele [do livro], procurávamos uma história dupla, uma incrível e aventureira história desses jovens que iriam combater, mas ao mesmo tempo queríamos mostrar às audiências o tipo de pessoas que são, o que está por dentro dos seus corações, que sem saber, estavam a caminho do fascismo” 
 
As fontes adiantam que esta refilmagem será escrita por Mark Swift e Damian Shannon, os mesmos argumentistas de um outro reboot com estreia prevista para 2017, Baywatch - As Marés Vivas, com Dwayne Johnson e Zac Efron. 
 
Vale a pena recordar, que Starship Troopers: Soldados do Universo, seguia o percurso militar de Johnny Ricco (interpretado por Casper Van Dien), numa sociedade em "pé de guerra" com criaturas alienígenas semelhantes a insetos. O realizador atribui nesta pura aspiração de série B, uma satirização à propaganda fascista e militarista, a relembrar os tempos de Leni Riefensthal ao serviço do Partido Nazi. 
 
 

«The Whole Truth» (Toda a Verdade) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Promete dizer a verdade, somente a verdade e nada mais que a verdade?” Prometo … e prometo afirmar que os papeis de advogados para o inexpressivos Keanu Reeves assenta-lhe que nem uma luva. Prometo ser sincero que ao declarar que nesta réplica ao sucesso de Advogado do Diabo, Reeves é um rei, mesmo que o filme que lhe sirva de trono é um thriller padronizado de Courtney Hunt, a mesma realizadora de Rio Gelado. Confesso ainda que The Whole Truth não é, nada mais, nada menos, que o título que fugiu do circuito home video (ou VOD, adequando-se aos novos tempos). Um filme que recupera alguns “mortos vivos” de Hollywood, entre quais um Jim Belushi que evita o foro cómico como o “diabo foge da cruz”, e uma irreconhecível Renée Zellweger, que tirando o seu “não estava a espera disso” êxito de Bridget Jones, parece não ter lugar no cinema atual.

Mais alguma coisa a declarar neste tribunal?” Posso dizer que o filme não merece este esforço conjuntivo de ser falado. Todo o enredo oscila entre a vulgaridade, até ao involuntariamente cómico, passando por um plot twist que nos envergonha com tamanha incapacidade. Mas devo acrescentar que perante uma indústria que nos conduz a filmes exageradamente pretensiosos, politicamente perversos, um leque imenso de super-heróis e adaptações de tudo e ao mesmo tempo de nada, biopics a cobiçar prémios sazonais ou ainda comédias com Melissa McCarthy, The Whole Truth convence-nos pela sua humildade. Aquela honestidade de não querer ser mais do que realmente é, nem de se convencer com grandes aptidões enquanto não os tens, e mais, aguentar-se “à bomboca” perante o enredo ridículo que ostenta.

Então, considera o nosso réu inocente?” O que tentei dizer é tendo em conta o nosso panorama industrial cinematográfico, The Whole Truth é tão inofensivo que o torna inocente. Sim, isso mesmo, inocente. “Meritíssimo, não tenho mais nenhumas perguntas para a nossa testemunha?””Muito bem, testemunha dispensada.”

Hugo Gomes

«The Last Family» vence 10ª Lisbon & Estoril Film Festival

The Last Family torna-se no grande vencedor da 10ª edição do Lisbon & Estoril Filme Festival. O filme do polaco Jan P. Matuszynski conquista o Prémio Melhor Filme Jaeger-LeCoultre, enquanto que The Sand Storm, de Elite Zexer, recebe a menção honrosa. O júri da Competição Oficial foi composto pelo cineasta Jerzy Skolimowski, que foi homenageado no festival, as atrizes Marthe Keller e Valentina Lodovini e o artista visual André Saraiva.

O mais recente trabalho de Paul Verhoeven, Elle, que tem arrecadado elogios por onde passa, foi o escolhido pelo público para o respetivo Prémio. Em relação às curta-metragens, The Sleeping Giant, de Laura Samani (Centro Sperimentale de Cinematografia, Itália), triunfa o Prémio, enquanto  que Paul Est Là, de Valentina Maurel (INSLA, Bélgica), recebe uma menção honrosa. O júri era composto pelos realizadores Daniel Rosenfeld e Lola Peploe e pelo ator Stanislas Merhar.

«Christine» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Antonio Campos repesca um dos episódios mais trágicos da televisão norte-americana - o suicídio em direto da pivô e jornalista Christine Chubbuck - para apurar as causas que levaram esta mulher a cometer ato tão grotesco.

A composição desta personagem misteriosa deve-se muito a Rebecca Hall que subjuga-se a este tormento psicológico num filme que aposta desde cedo na iminência da catástrofe. Obviamente, que o espectador sabe como terminará esta aventura pessoal, assim como um certo filme de James Cameron que "flutuou" nos box-office em 1997, mas o aqui em causa não é um filme válido pelo seu desfecho, e sim, um episódio recorrido em decadência humana, uma tragédia grega que joga o meta-palco da sua criação.  

Campos sempre teve um "fraquinho" por personagens torturadas, absorvidas por um ambiente em total decomposição, assim como o destino destas. Rebeca Hall cria em Christine um derradeiro duelo intrínseco entre uma réstia de esperança, uma salvação que o espectador aguarda desesperadamente, porém, sabendo à partida que tudo é em vão. Sim, este é o tipo de obra que qualquer guia televisivo expõe o aviso do "anti-feel good movie", o cinema que reflete o quão frágeis nós somos, o quão vitimas somos dos nosso próprios objetivos profissionais, ao mesmo tempo, Antonio Campos dá-nos certas luzes sobre a condição e evolução da comunicação social, em certa parte, a forma como o jornalismo adaptou-se às audiências e não o oposto.

Existe aqui, evidente inspiração aos dotes dramáticos de Network, de Sidney Lumet, à hipocrisia implementada pela "caixinha mágica" e a sua interação com o exterior. Contudo, como biopic, se é que Christine anseia afirmar-se como tal, o filme tende em afastar-se desses lugares comuns de agenda award season, apostando da ênfase dramática e na criatividade desse sentido nas suas personagens. A depressão é um efeito secundário e o complexo desempenho de Rebecca Hall a principal medida.   

"Yes, but …"

Hugo Gomes

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