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Morreu Andy Vajna, o produtor de «A Fúria do Herói», «Instinto Fatal» e «Exterminador Implacável 2»

Andrew G. Vajna, também conhecido por Andy Vajna, conhecido como produtor executivo de filmes como First Blood (A Fúria do Herói) e Total Recall (Desafio Total), faleceu aos 74 anos. A sua morte foi confirmada pelo Fundo de Cinema Húngaro, que o relembrou como uma “figura dominante da industria cinematográfica húngara e internacional”, assim como fundador do respetivo fundo.

Nascido a 1 de agosto de 1944, Vjana, em conjunto com o seu parceiro Mario Kassar, fundaram a Carolco, produtora responsável por blockbusters como Terminator 2: Judgment Day (Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento), os primeiros três primeiros filmes da saga Rambo e ainda alguns filmes de Paul Verhoeven como o já referidoTotal Recall (Desafio Total) e Basic Instinct (Instinto Fatal).

Para além disso, ainda produziu Angel Heart - Nas Portas do Inferno, DeepStar Six (Terror nas Profundidades), Evita, Judge Dredd (A Lei de Dread), BZ - Viagem Alucinante, Nixon e Die Hard: A Vingança. O seu último trabalho no ramo foi com Terminator Salvation (Exterminador Implacável - A Salvação) e o ainda inédito School of Scumbags.

Andy Vajna foi ainda fundador e presidente do American Film Marketing Assn, tendo lançado o American Film Market. 

«Destroyer» (Ajuste de Contas) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Uma Nicole Kidman desfigurada não salva um policial sem personalidade. Esse, incapaz de resolver os demónios inerentes, quanto mais avançar por uma missão de “search and destroy” com conotações pessoais.

Destroyer: Ajuste de Contas tinha a seu dispor todos os instrumentos para orquestrar um corajoso filme posicionado na natureza exaustiva de thrillers ambíguos, aliás, esses tons de cinzentos são tão próprios como a da protagonista, uma atriz que se demonstra pronta para desfazer a teoria da estatueta, auto-desafiando em trabalhos cada vez mais exigentes e forasteiros dos seus territórios confortáveis. Mas se Kidman é a força da natureza aqui, na verdade é porque é a única capaz de “sujar as mãos” para colocar estes amontados de lugares-comuns no seu devido eixo, enquanto que a realizadora Karyn Kusama (só de lembrar que esteve por detrás de “coisas” como Aeon Flux …) nada o faz para os mover (ou demover).

Se o filme corresponde de A a B e consequentemente a C, sem qualquer tipo de reflexão, intercalando por flashbacks intrometidos que não deixam nada ao espectador, Destroyer é assim um filme inóspito de ideias, de sentimentos, estéticas, e sobretudo de contexto social e político. É um mero episódio de revisão aos códigos deste género onde a protagonista safa-se imaculada, mas até isso poderia virar um problema, pois o argumento assinado por Matt Manfredi e Phil Hay (responsáveis por Aeon Flux … a sério, o “filme” persegue-nos) é de difícil resolução, deambulando pelo óbvio, e utilizando a sua estrela numa derivação que se confunde com o prolixo do argumento (quase adquirindo um falso tom malickiano, por outras palavras, “tentativas de maliquices”).

Os resultados são dececionantes, no sentido em que não existe cerebralidade no tratamento deste modelo de crises existenciais de uma detetive à beira de um ataque de nervos. Quanto a atriz, é o melhor que o filme tem para oferecer ... 

Hugo Gomes

«If Beale Street Could Talk» (Se Esta Rua Falasse) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Se a rua falasse, ela diria que Barry Jenkins avançou numa terceira longa-metragem com a confiança que não se encontrava na anterior e premiada obra, Moonlight.

O registo tão Sundance é substituído por um ego artístico que contamina uma narrativa sob os tons de um cinema mimético e imagético, é a estética doce a imprimir emoções (há aqui qualquer coisa de Wong Kar-Wai dos tempos de In the Mood for Love), desde a música jazz que ecoa como recordações vitalícias no casal de personagens, cada um deles experienciando um romance que não se conforma nas omnipresenças de Hollywood. É um amor que remexe no trágico da sua natureza sociopolítica, tecendo com isso um mapa de uma América resumida em pontos fulcrais; a discriminação, a religiosidade fervorosa e o corrupto sistema que desfavorece minorias e incentiva um medo justificado pelas autoridades.

Sim, Jenkins sustenta toda esta conversa de esquina num retrato crítico e sentido da sua própria comunidade, isto, em tempos em que a administração Trump fomenta ainda mais as desigualdades raciais e legitima a violência e ódio aos mesmos. If Beale Street Could Talk segue as pisadas contextuais de Moonlight (neste caso, transforma a década de 70 numa réplica social dos nossos tempos), mas avança em terrenos mais exóticos que as abordagens anteriores. Assistimos a um homem novo, determinado, sem o medo da pouca especificidade e das deambulações que providenciam como atalhos temporais. A criação de uma narrativa-mosaico sem as requisições do próprio conceito insertado em produções do género, porém, desafiando o espectador a “costurar” os destino destes mesmos protagonistas.

Barry Jenkins devolve ao livro do escritor e ativista James Baldwin a sua “rua” original, 20 anos depois do francês Robert Guédiguian o ter deslocado para as ruas de Marselha. Mas não se trata somente de um caso de fidelidade, tudo deveu-se à criação de um filme sensível e curioso erguido pelos subtis talentos de Kiki Layne, Stephan James (completamente ignorado nesta award season) e Regina King, convertidos peões nestes quarteirões inspirados pela plasticidade. É sim, o melhor trabalho de um realizador disposto a abandonar a frieza da veracidade encenada no Cinema e aproxima-la à poética das imagens.

Mesmo que o resultado não seja totalmente integrado nesse senso, filmes como If Beale Street Could Talk são raros na terras do Tio Sam. 

Hugo Gomes

«Tiro e Queda: O Filme» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Poderíamos entrar aqui em mais umas quantas lengalengas sobre a rivalidade entre o cinema comercial nacional e o dito autoral … poderíamos, mas a esta altura do campeonato, até nós sentimos cansados de o invocar, muito mais em encontrar uma “ponta onde se pegue” num projeto como este Tiro e Queda. Aliás, o titulo condiz na perfeição para com a natureza deste … embrião a filme, um verdadeiro headshot à paciência do cinéfilo e um atentado ao gosto, pelo que se traduz segundo os cabecilhas desta tramoia, num consenso para o grande público.

Com produção de Leonel Vieira, que nos últimos anos abandonou as faíscas que o poderiam guiar por caminhos mais dignos, hoje (levado da breca), cedido ao inóspito destas anormalidades, confia em Ramón De Los Santos (na sua primeira longa-metragem) para conduzir a dupla humorística de sucesso (Eduardo Madeira e Manuel Marques) num prolongado anúncio publicitário a uma companhia de seguros.

Por entre o descarado "product placement", Tiro e Queda é a prova de fogo para qualquer espectador, desde a sua transladação da linguagem puramente televisiva (e mesmo dentro dessa linguagem existem “dialetos” mais corajosos), até ao stand-up comedy falhado cujo humor (fácil, demasiado fácil) - possivelmente direcionado à caricatura - apenas ridiculariza o bom senso de quem acredita em milagres vindo destes ventos. Não se trata de ser enfadonho, nem é isso que está em causa na crítica de cinema, nem sequer neste filme. O problema é a sua inaptidão para a indústria portuguesa, sabendo que ela não existe. Porém, com “coisas” como esta, dificilmente existirão razões para a sua existência.

No final, ficamos solidários para com a “personagem” de Óscar Branco: “afinal, somos uns cabeçudos aqui”. Haja paciência …

Hugo Gomes

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