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Cannes: As canções de amor que movem ilhas e trespassam sexualidades

36 anos depois da sua projeção em Cannes, A Ilha dos Amores regressa à Riviera como um dos filme-evento desta 71ª edição. O seu retorno não é em vão, em causa está um trabalho de restauro invejável por parte da Cinemateca Portuguesa, com digitalização 4K com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996.

Com isto, foi conservada na obra de Paulo Rocha a esplendorosa fotografia de Acácio de Almeida e a acústica sonora que nos transporta para um Oriente distante à boleia do eterno trágico-romântico Wenceslau de Moraes, interpretado por um dos “santos” do cinema português, Luís Miguel Cintra. O ator esteve presente na sessão especial ao lado do diretor da Cinemateca Portuguesa, José Manuel Costa.

A imaculada beleza captada pelo olhar clinico de Rocha, desde a simetria cénica até a profundidade que nos convida a um outro filme presento nos espelhos, A Ilha dos Amores preencheu cada espaço do ecrã da Sala Buñuel. Apesar de ser um filme narrativamente difícil de se ver durante a euforia de Cannes, os seus magistrais planos não deixaram ninguém indiferente quanto à restauração.

Regressando agora a 2018, à Competição Oficial, que tem por fim, algum dinamismo. A primeira com Leto, retrato punk da juventude inquieta da Leninegrado dos anos 80. Trata-se do novo filme do dissidente russo Kirill Serebrennikov, que para além de ser uma vibrante coletânea musical (Bowie, Sex Pistols, T-Rex, Blondie, etc) apresenta-nos uma bidimensionalidade narrativa que desfaz muito dos formatos de cinebiografia.

Já o segundo filme a demonstrar a sua “garra” na Seleção Oficial é Plaire, Aimer et Courir Vite, de Christophe Honoré, a sua resposta ao êxito de Moonlight. Segundo o realizador de Canções de Amor, o filme galardoado ao Óscar em 2017 apresentava a homossexualidade como uma maldição digna de vitimização. No seu novo trabalho, somos apresentados aos amores e desamores de um homossexual em Paris do inicio dos 90’, no calor da epidemia do HIV. Ao contrário do que poderia suscitar com o contexto histórico, Plaire, Aimer et Courir Vite celebra o amor nas mais diferentes formas, para além de encarar a homossexualidade como algo normalizado, consciente e, porque não, humanista. Até ao fim não existem vitimizações, tudo faz parte do ato de amar e de ser amado. Encontramos a sidequel de 120 Battements per Minute!

Já na Quinzena de Realizadores, o último filme do espanhol Jaime Rosales, um experiente no Croisette, divide critica e público. Petra, titulo que também serve de nome à personagem principal (Bárbara Lennie, que também ingressou o elenco de Todos lo Saben, de Asghar Farhadi), é um drama em busca da paternidade que abraça um forte fluxo de tragédia. Rosales evita em toda sua condução, uma emotividade farsante, sendo que a principal característica desse afastamento é a recusa pelo grande plano e pela decopagem técnica. Ficamos a saber, numa entrevista a publicar brevemente, que Rosales foi convidado a trabalhar com a Netflix. Aceitará? Veremos...

Hoje teremos o muito antecipado Jean-Luc Godard e o seu Le Livre d’Image, seguido pelo novo de Jia Zhangkee e de Pawel Pawlikowski.



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