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Cannes: Quem ri por último, ri à Frémaux

Cannes ficou em sobressalto após uma convocatória de última hora do produtor Paulo Branco. A Amazon abandonava a distribuição norte-americana de Dom Quixote, o que levou Branco a manifestar-se frente aos jornalistas que se amontoavam na bancada da Alfama Films, no Marché du Film.

Eram 15h00 (hora francesa) e esperava-se a decisão do tribunal em relação à projeção do “filme maldito” de Terry Gilliam no Croisette. Enquanto isso, o produtor português não poupou palavras em direção a Thierry Frémaux e à organização do Festival, acusando-os de calúnia e difamação. Ainda assim, o próprio referiu que caso o tribunal proíbisse a exibição do filme no Festival, estaria disposto a negociar a sua projeção, sublinhando a ausência de qualquer transação financeira. Ou seja, estamos perante uma questão de orgulho.

Pouco tempo depois, o tribunal de Paris indeferiu o pedido de Paulo Branco. O Festival de Cannes não tem que se preocupar, The Man who Killed Don Quixote (O Homem Que Matou Dom Quixote) continua designado como o filme de encerramento da sua 71ª edição e Thierry Frémaux tem razões para rir.

Em outras notícias, o realizador dissidente russo Kirill Serebrennikov encontra-se detido na Rússia, impossibilitando a sua ida ao Festival para apresentar a sua obra, Leto, em Competição. O delegado referiu que a organização tentou tudo ao seu alcance para trazer o realizador à Riviera Francesa, mas segundo Frémaux, Putin terá lhe dito que “na Rússia, a justiça é independente”, relato que suscitou gargalhadas entre o público.

Mas a piada acabou, apesar de tudo, por ser outra. O filme Yomeddine, a primeira longa-metragem do egípcio A.B. Shawky, encontra-se em Competição, um filme manipulador e sobretudo ofensivo. O porquê? Porque o jovem realizador decide contar a história de um leproso viúvo que viagem pelo Egipto em busca do pai que o abandonou. Ao seu lado conta com a companhia de um burro e de um menino órfão. A viagem é atribulada e desafortunada, com todos os tiques para o espectador de condescendência do seu protagonista, o qual deve-se salientar que é um não-ator que sofre das reais “deformidades”. Para além deste sentimento de pena, junta-se um perfeito desleixo na realização, fraca aptidão no tratamento das personagens e uma banda sonora omnipresente para os efeitos previstos: emocionar imperativamente. No final houve aplausos … tímidos … mas, houve.

Rafiki, o romance lésbico queniano que faz História, trata-se do primeiro filme desse país selecionado para o Festival, uma honra que levou a realizadora Wanuri Kahiu, em palco, a gritar “We are proud to be Kenyan”. Quanto ao filme em si, bem, as boas intenção não fazem Cinema, sendo que ao contrário de Yomeddine, o grande problema de Rafiki é a sua ingenuidade, o que por sua vez o leva a caminhos panfletários que prejudicam as personagens e até mesmo as suas relações.

Se a Seleção Oficial ainda não mostrou a prometida garra, a Quinzena dos Realizadores abre com audácia e furtividade requerida. O colombiano Ciro Guerra regressa à secção com Pajaros de Verano (realizado com a colaboração de Cristina Gallego), uma trama de gangsters e narcotráfico sob um cenário indígena tribal. Recordamos que Martin Scorsese encontrou-se presente na abertura para receber a La Carrosse d’Or.



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