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Com fantasmas sicilianos arranca hoje (04/04) a Festa do Cinema Italiano

Em Lisboa o festival decorre até 12 de abril em espaços como cinema São Jorge, UCI El Corte Inglés e Cinemateca Portuguesa. A Festa espalha-se ao longo de abril e maio por mais 15 cidades do país. Para além dos destaques para a produção italiana recente, uma Retrospetiva dedicada a Marco Ferreri, uma reposição de Cinema Paradiso e uma série de eventos paralelos completam o evento. A mostra competitiva já foi devidamente esmiuçada pelo C7nema (ver aqui). De resto há de tudo – de animações a documentários, de obras experimentais a pacíficas comédias.

Para a sessão de abertura foi escolhido o prestigiado Sicilian Ghost Story (na imagem acima), obra que abriu a Semana da Crítica na última edição do Festival de Cannes. O filme é uma recriação com tons oníricos de uma tragédia acontecida na Sicília nos anos 90. Giuseppe di Matteo, um menino de 14 anos, era filho de um delator; sequestrado pelos inimigos do seu pai, passou dois anos em cativeiro. Na sua versão ficcionada é a namorada imaginária do rapaz a contar a história. Visualmente rebuscado, é o segundo trabalho dos realizadores de Salvo, Antonio Piazza e Fabio Grassadonla, esta última uma obra premiada na Festa do Cinema Italiano em 2013.

Para encerramento a escolha recai sobre The Place, mais um dos intrincados jogos narrativos proposto por um dos grandes mestres do argumento no cinema italiano atual, Paolo Genovese. Num bar um homem misterioso, que tanto pode ser Deus como o diabo, faz estranhos acordos com as pessoas que lhe pedem ajuda... No trabalho mais sombrio de Genovese, que teve por cá estreado no ano passado Amigos, Amigos... Telemóveis à Parte, fica uma leitura cáustica do quanto seres humanos são capazes para atingir um objetivo. The Place tem previsão de lançamento em Portugal.

Continuidades

Conforme disse Stefano Savio ao C7nema, um dos objetivos explícitos da programação é a formação do público. "Nós começamos com alguns autores e é importante dar continuidade mostrando a sua obra. Temos que tentar familiarizar o público não só com eles como com os novos atores do cinema italiano."

Um realizador que se enquadra nesta ideia é Paolo Virzi, que continua a sua carreira internacional com Ella & John, protagonizado por Donald Sutherland e Helen Mirren. Virzi já teve lançado comercialmente em Portugal seus dois filmes anteriores (Capital Humano e Loucamente) e em The Leisure Seeker (na imagem abaixo) põe na estrada os dois veteranos para contar a história de um casal onde um deles lida com Alzheimer. "É um filme com uma grande carga emotiva, há uma proximidade muito grande com os personagens", observa.

Velhos mestres

Veteranos e habituados a trazer grandes emoções aos ecrãs também são os irmãos Taviani (Paolo e Vittorio) – aqui com Una Questione Privata. O filme mergulha no livro homónimo de Beppe Fenoglio, um dos mais importantes da Resistência italiana durante a 2ª Guerra Mundial. Na trama o protagonista movimenta-se entre os desejos coletivos na luta contra o fascismo e a sua "questão privada" (a paixão não correspondida do protagonista). Segundo o diretor da Festa, é de "uma originalidade impressionante. A sequência final tem o tipo de liberdade estética que só cineastas de 80 anos podem ter".

Com fase áurea nos 60 e 70, Marco Ferreri tem uma grande retrospetiva na Cinemateca, onde poderão se ver no grande ecrã vários dos seus clássicos subversivos. Um dos mais famosos é A Grande Farra, onde um grupo de homens ricos reúnem-se numa casa de campo para comer até morrer. Tal como outro destaque, Dilinger É Morto, os seus filmes são questionamentos ferozes da sociedade vigente – com muitos tons contemporâneos.

Novas visões

Do antigo para o novo, um ponto importante da Festa é a seção Altre Visioni, por onde circulam os projetos mais experimentais e esteticamente ousados. Entre eles está Hannah, filme contemplativo que rendeu a Charlotte Rampling o prémio de interpretação no Festival de Veneza.

Entre outros destaques, como Il Cratere e Surbiles, Stefano Savio destaca Beautiful Things, obra novíssima de Giorgio Ferrero e Federico Biasin vinda de uma seção paralela do Festival de Veneza ligada aos laboratórios de produção. O filme aborda, através dos quatro protagonistas, o percurso dos objetos industriais – da sua criação à reciclagem, passando por transporte e venda final. "É um filme visualmente extraordinário, magnético, muito estético, com um cuidado ímpar na parte sonora. Esta última compõe uma sinfonia da modernidade". Quase uma estreia internacional, passa pouco depois da sessão do dinamarquês CPH-DOX.

Pintura, fotografia, videoarte

A busca de diversidade passa pela pintura. Dois ícones do Renascimento (Botticelli, Raffaelo) e um do Barroco (Caravaggio) são os protagonistas de três filmes que seguem as experiências do ano passado com a obra dedicada à galeria de Uffizi. Outro evento a decorrer no cinema São Jorge e a Patafísica Italiana, projeto em parceria com a Universidade Nova que desenvolve trabalhos no âmbito da videoarte e são exibidos num "loop" contínuo no cinema São Jorge.

A exposição de fotografia dedicada ao Carteiro de Pablo Neruda, também no São Jorge, apresenta esboços feitos na preparação do filme trazidos pelo diretor de arte do filme, Lorenzo Baraldi, e pela figurinista Gianna Gissi, ambos profissionais com uma longa carreira no cinema italiano.



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