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Roterdão: portugueses marcam presença num dos festivais mais influentes da Europa



Com uma programação reunindo um bom número de antestreias mundiais e um traço muito vincado no cinema de autor, o Festival de Roterdão decorre entre 24 de janeiro e 4 de fevereiro na cidade holandesa. A influência do certame é indicada pelo número de obras que, no restante do ano, aportam nos eventos semelhantes em Portugal. 

Apesar das suas propostas estéticas nem sempre acessíveis ao grande público, o festival anunciou mais de 300 mil espectadores no ano passado. 

A abertura do certame caberá ao sueco Jimmy, a quarta longa-metragem de Kesper Ganslandt, um filme sobre promessas e famílias desfeitas, tudo sob a perspetiva de uma criança de 4 anos.

A participação portuguesa, algo que se tem verificado anualmente, é assinalável – com catorze filmes. Seis deles fazem parte da seção Bright Future – entre os quais A Fábrica de Nada, de Pedro Pinho, eventualmente o detentor do melhor currículo de festivais do cinema português do ano passado. O realizador também se encontra presente em outra obra em tournée em Roterdão, Djon África, estreia na ficção de João Miller Guerra e Filipa Reis. Integrado na competição principal do certame, o Tigre de Ouro, a produção segue Miguel, ou simplesmente conhecido como o título da obra, um jovem de ascendência cabo-verdiana que procura as suas raízes na terra onde nunca pisara. Ao sabor de um clima suave, ele quase esquece o seu objetivo…. Quanto ao termo ficcional, os realizadores de premiadas curtas e médias metragens como Nada Fazi (2011), Cama de Gato (2012) e Fora de Vida (2015) afirmaram ao C7nema que apesar de ser um passo novo, a ficção era uma elemento bem percetível no seu Cinema.


Djon África

Outro projeto da produtora Terratreme presente no evento é a também estreia ficcional de Susana Nobre, em Tempo Comum. Um filme que aborda as questões familiares despoletadas pelo nascimento de um bebé – as alterações na vida conjugal e nas interações sociais dos pais. Para Nobre, é um projeto minimal tendo como referência, para além da experiência enquanto mãe, o dispositivo utilizado em Dez, do iraniano Abbas Kiarostami.

Em companhia, estão presentes o russo Tesnota, de Kantemir Balagov, vencedor do último Lisbon & Sintra Film Festival, Meteros, de Gürcan Keltek, galardoado no Porto / Post / Doc e a segunda longa-metragem de Valérie Massadian, Milla, também premiada em Portugal (Doclisboa). Esta última, uma coprodução portuguesa, segue as mesmas pegadas do anterior Nana, onde as personagens encaram o ambiente como um refugio. Se na primeira obra, seguimos uma menina de 4 anos que se vê sozinha após uma tragédia familiar, neste deparamos com dois adolescentes inadaptados que encontram consolo em casa abandonadas.


Tempo Comum

A curta-metragem Miragem Meus Putos, de Diogo Baldaia, estará em competição na subsecção Ammodo Tiger. Visto na última seleção do Indielisboa, eis um retrato de uma geração através de três narrativas distintas. No Bright Future Short, poderá ainda ser visto o novo trabalho de Filipa César (Spell Reel), que em colaboração com o artista Louis Henderson, concebem Sunstone, um ensaio sobre a relação entre a imagem e o colonialismo. Uma entrevista com o programador da seção Bright Future pode ser lida aqui.

João Canijo comparece com Fátima na secção Voices, espécie de panorama de cinema contemporâneo de Roterdão. Já outro importante filme nesse espaço é Western, de Valeska Grisebach. Leonor Noivo regressa com a curta Tudo o que Imagino, uma docuficção presente na categoria Long Distance dos Voices Shorts.


O Termómetro de Galileu

Já Teresa Villaverde aparece na Deep Focus com o mais experimental O Termómetro de Galileu, obra que terá aqui a sua antestreia mundial, “uma homenagem à arte de viver e à vida dedicada a arte”, segundo a realizadora. O filme tem como base a sua convivência com o realizador italiano Tonino de Bernardi -  com quem trabalhou numa produção local de uma versão de Electra de Sófocles apenas com aldeões. Ela escolheu para mostrar cenas do quotidiano que refletem o passado – segundo o festival “transformando o incidental no sublime”.

Como “colegas” de Villaverde nesta secção, podemos contar com o mais recente de Philippe Garrel (L’Amant D’un Jour), Wang Bing (Mrs. Fang), Bruno Dumont (Jeannette) e  F.J. Ossange em coprodução franco-portuguesa - 9 Dedos. Com Damien Bonnard e Diogo Dória como protagonistas, a obra foca sobretudo numa corrida contra ao tempo mas sem futuro.


Quem é Barbara Virgínia?

A destacar ainda a produção de Paulo Branco, The Captain (O Capitão), de Robert Schwentke, registado na secção A History of Shadows. O filme que em Portugal teve estreia no Lisbon & Sintra Film Festival leva-nos aos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, onde um jovem soldado alemão disfarça de oficial da SS, de modo a sobreviver, sem conhecer as consequências de tal ato, principalmente na questão identitária. Também de produção portuguesa, Zama, o mais recente filme de Lucrecia Martel, encontra-se igualmente inserido na secção.

De forma a evitar o seu esquecimento, Luísa Sequeira prepara para mostrar às audiências internacionais o seu filme-investigação Quem é Barbara Virgínia?, sobre a realizadora Barbara Virgínia, a primeira a nível nacional e a primeira participação portuguesa no Festival de Cannes. A mulher que tinha tudo para dar ao cinema tornou-se um espectro e os seus filmes, ora desprezados, ora perdidos (como é o caso de Três Dias sem Deus, onde resta apenas 8 minutos sem som). A sessão será antecedida por Aldeia Dos Rapazes – Orfanato Sta. Isabel De Albarraque, curta de Virgínia que serviu de estudo para a sua estreia e derradeira longa.



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