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Arranca hoje (18/01) o Festival de Sundance, a maior montra de cinema “indie” dos EUA

Um dos mais prestigiados festivais de cinema alternativo do mundo arranca hoje em Park City, estado do Utah, nos Estados Unidos. O evento decorre entre 18 e 28 de janeiro.

Segundo dados da organização serão exibidas 121 longas-metragens, entre as quais um incrível número de 108 antestreias mundiais. Destes, 30 obras estarão distribuídas pelas diferentes secções competitivas, numa seleção que abrange 29 países. Quase 4 mil longas-metragens concorreram à seleção final – metade dos quais dos Estados Unidos. Em 2017 um público de mais de 70 mil espectadores marcou presença no festival.

O filme de abertura é Blindspotting, obra de estreia de Carlos López Estrada, sobre a amizade de dois presidiários oriundos de um problemático bairro de Oakland, junto de San Francisco. Também no primeiro dia surge “Our New President”, documentário de Maxim Pozdorovkin que promete falatório ao abordar os canais de falsas notícias na televisão da Rússia – muitas delas conectadas com as últimas eleições americanas (mais sobre os Documentários aqui). O encerramento ocorre com Hearts Beat Loud, aparentemente uma proposta típica do indie à moda yankee, onde um pai solteiro mantém os laços com a filha distante através de uma banda que alcança um sucesso minoritário no Spotify. É realizado por Brett Haley.

Blindspotting

A cidade das mulheres

O histórico politicamente correto de Sundance esse ano revela-se, como não poderia deixar de ser, através de um vasto conjunto de filmes femininos na programação. Segundo o festival, num mercado internacional onde as realizadoras respondem por apenas 4% das maiores bilheteiras num ano típico, em Sundance 2018 a proporção sobre para 37%.

Em termos de filmes, Kristen Stewart vive uma relação com Chloë Sevigny em Lizzie, recriação de um dos mais famosos crimes da América – o assassinato de uma família ocorrido no final do século XIX. As duas encabeçam uma longa lista de protagonismos femininos: Laura Dern investiga seu passado doloroso em The Tale, Maggie Gyllenhall é a professora de Kindergarten Teacher, remake do filme israelita de Nadal Lapid, Keira Knightley vai a “Belle Époque” para encarnar a personagem-título de Colette, autora do clássico “Gigi”, Rose Byrne é a esposa de um homem obcecado por um “rocker” desaparecido (Ethan Hawke) em Juliet, Naked, baseado no autor de Alta Fidelidade, e Daisy Reilly abandona guerras galácticas para entrar na corte de Hamlet/Shakespeare em Ophelia.

A taça de atriz mais presente em Sundance, no entanto, vai para a britânica Andrea Riseborough – que participa de quatro projetos.

Colette

Os outros 63%

Entre talentos consagrados, Gus Van Sant tentar ressuscitar a carreira com a “biopic” de um cartunista politicamente incorreto vivido por Joaquin Phoenix em Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot (o elenco inclui ainda Rooney Mara, Jonah Hill e Jack Black), enquanto Ben Lewin, de Seis Sessões, aparece com um filme de espionagem protagonizado por Paul Rudd (The Catcher Was a Spy) e com um cast igualmente estelar – composto por Jeff Daniels, Guy Pearce, Mark Strong, Sienna Miller e Paul Giamatti.

De resto, pregadores afro-americanos e Ku Klux Klan juntam-se em Blade, com Garrett Hedlund e Forest Whitaker, enquando religiosos pacifistas (e igualmente polémicos) estão em Come Sunday, com Chiwetel Ejiofor, Danny Glover e Martin Sheen; já Robert Pattinson entra em Damsel, uma comedy western.

The Catcher was a Spy

Entre os atores na cadeira de realizador estão Paul Dano, a estrear no posto com Wildlife, onde um adolescente dos anos 60 assiste a bancarrota do casamento dos pais, Ruperet Everett, com uma história promissora ao abordar os três últimos anos da vida de Oscar Wilde em The Happy Prince, Ethan Hawke, que dirige Blaze, biografia de um cantor country de morte trágica e Idris Elba, que em Yardie mergulha no mundo dos gangues de Kingstown, Jamaica, nos anos 70.

Por fim e não menos importante, Nicolas Cage aparece sangrento no satânico Mandy, da secção Midnight, seleção de obras que trás ainda, entre outros projetos, o francófono Revenge. Sobre este último, dizem os tempos recentes que quando os franceses metem-se pelo terror é para não serem ignorados. O filme já teve estreia em Toronto – perturbando os incautos precisamente um ano depois de Grave (Raw) ter provocado por lá alguns desmaios. Com um timing de lançamento sensacional, trata-se de um violento “rape-and-revenge film” realizado por uma mulher – a estreante Coralie Fargeat.



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