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MOTELx 2016: «Nem Respires» não faz jus ao seu buzz!

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Como já era previsto, muitos foram aqueles que seguiram em massa para a abertura do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Aliás não são todos os dias que um festival lisboeta consegue chegar às 10 edições, sendo que, segundo os organizadores que discursaram na sessão de arranque, 2016 será um ano em festa, não apenas como data comemorativa (os por fim dois dígitos), mas pela apresentação de grandes novidades dentro da programação.
 
Dentro desse ramo, a Competição de Longas-Metragens é um feito, um sonho desejado pelo MOTELx durante os 10 anos de percurso que teve por fim concretizado. Esperemos, partilhando o mesmo desejo que os programadores, a hipótese de vermos longas-metragens de terror nacionais em competição num futuro próximo. Nas Curtas-Metragens existe também superações, o prémio da Competição é o maior de sempre no que refere a festivais nacionais, 5.000 euros serão dados à curta elegida pelo júri. Os resultados, por enquanto, só dia 11 de setembro, a data que marca um encerramento de mais uma “invasão” terrorífica na capital portuguesa.
 
Depois de apresentados os “brindes” deste MOTELx 2016 é então que é exibido o descrito filme-sensação Nem Respires, que tem vindo a conquistar o box-office dos EUA durante duas semanas consecutivas, destronando o Esquadrão Suicida. O público parece ter admirado com força a esta proposta de Fede Alvarez, o homem que cometeu a “loucura” de refazer o tão amado Evil Dead em 2013. Contudo, mesmo com ótima receção por parte da audiência, uma sessão divertida e interativa que contou com imensos aplausos, risos e até mesmo inquietações. Mas para o lado do C7nema o fascínio parece ter ficado à porta. 
 
Nem Respires possui mestria técnica, nisso Fede Alvarez tem a minha saudação, os movimentos de câmara servem como “bengala de Hoover” para condensar o espaço sugerido do cenário e a sonoplastia é um acessório perfeito para acolher o ambiente claustrofóbico. Mas então o que falhou? 
 
De Fede Alvarez, de todo o frenesim impulsionado pela crítica norte-americana, muito mais com as intermináveis aclamações da palavra “original”, esperava-se isso mesmo, uma proposta sobretudo criativa. Ao invés disso temos a confirmação dos problemas que tem vindo a abalar os filmes de estúdio, os receios de apresentar-nos personagens sem motivos (o medo dos EUA pelo ateísmo já é deplorável), implantam-nos maniqueísmo que nos leva aos acérrimos lugares-comuns. Aqueles momentos chaves desengonçados que apenas alimentam uma narrativa que ficaria dotada no minimalismo. 
 
Nem Respires revelou-se numa proposta perdida no enxugado subgénero do home invasion, o enésimo caso do terror é sodomizado pelos estúdios e pela fórmula crowd pleasure. Deixou-se de lado as lições aprendidas em A Ameaça (1971) e Os Olhos da Noite (1967), e até mesmo de You’re Next, de Adam Wingard, que encerrou uma edição do MOTELx com grande estilo.
 


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