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Cannes (dia 7): quando é o mainstream que surpreende

 

Um dia de desilusões e algumas surpresas vindas do campo mais inesperado ... do mainstream. Cannes é um festival que transpira cinema de autor, aqui existe sim um grande fascínio pelos artesãos acima dos seus "produtos", e, obviamente, um enorme interesse em encher o seu tapete vermelho. Falando em tapete, vale a pena salientar o protesto da equipa de Aquarius contra a situação politica atual brasileira e obviamente a extinção do Ministério da Cultura. Mas quanto ao filme, falaremos em próximos capítulos.

A maratona arranca com um autêntico "balde de água fria": Julieta, o filme que poderia recolocar Pedro Almodóvar no mapa é um produto poeirento e sem rigor cinematográfico. O cineasta espanhol por detrás de obras como Má Educação, Fala com Ela e o incontornável Tudo Sobre a Minha Mãe, apresentou à imprensa, numa manhã solarenga, um filme contado em duas vozes temporais, porém, sincronizadas na banalidade do território telenovelesco e dos lugares-comuns que funcionam como marcas autorais. Esta Espanha colorida e burguesa impressionou poucos e com isto a imprensa espanhola possui, novamente, motivos para tecer artigos de ódio ao realizador, tudo isto depois do escândalo dos Papéis do Panamá.

Talvez um pouco mais sóbrio, Jeff Nichols levou o seu Loving a Cannes, um filme que respira mais a Óscares do que à Palma de Ouro. Com o mediatismo em relação à campanha eleitoral de Trump, obras como estas merecem sobretudo um maior destaque: o reacender de um polémico caso dos anos 50, onde o estado de Virginia proíbiu o casamento entre duas pessoas de etnias diferentes, converteu-se num filme competente mas nada mais ... Sim, a afirmação dos Óscares não foi feita em relação à qualidade, visto que os prémios t^wm um cariz mais político do que supostamente cinematográfico.

Agora a surpresa. Incrivelmente esta vem de The Nice Guys, a rendição de Shane Black após o desastroso (apesar dos fãs não admitirem, mas ele sim) Iron Man 3. A sua experiência na Marvel Studios revelou-se numa deceção, sendo que a sua aposta num neo-noir vintage e ousado tenha sido a melhor opção. Ryan Gosling está impagável, fazendo dupla com um Russell Crowe sob uns "quilinhos a mais", mas preservando uma química bem ritmada. Com referências ao black e sex exploitation dos anos 70, assim como à indústria pornográfica em ascensão, The Nice Guys é o filme que Kiss Kiss Bang Bang não conseguiu ser. E divertido o quanto baste.



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