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Cannes (dia 5 e 6): Quando Jim Jarmusch mostra todo o seu encanto

Paterson

Marion Cottilard prova em Mal de Pierres o porquê de ser uma das atrizes franceses mais cobiçadas do momento, o seu desempenho, mesmo não sendo o melhor da sua carreira, faz dela uma potencial candidata ao Prémio de Melhor Atriz, e tendo em conta a edição do ano passado, sabemos o quanto Cannes gosta de premiar atores “nativos”. Dirigido pela realizador Nicole Garcia, Mal de Pierres é um romance obsessivo que reúne variados ingredientes como adultério, loucura (fou) e compaixão. Para além da atriz, Louis Garrel e Alex Brendemühl preenchem o ecrã. O primeiro, provando que é um dos grandes galãs do atual cinema francês. 
 
Na secção Un Certain Regard, a ética é questionada com Apprentice, do singapurense Boo Junfeng, uma drama negro sobre um jovem que candidata-se ao cargo de Guarda Prisional, acabando por ser um ajudante do carrasco da Ala dos Condenados à Morte. É um filme ditado pelo dilema, mas conduzido com garra e rigor por parte Junfeng, os desempenhos são uma mais valia e aquele final, sim senhor, arrebatador, o qual persegue-nos até mesmo depois da sessão. O debate está lançado e Apprentice conseguiu esse feito.
 
Enquanto isso, Jim Jarmusch conseguiu conquistar tudo e todos com uma das potenciais obras-primas. Patterson é um retrato emocional do trabalho literário de William Castle Williams. Um filme enraizado na sua poesia que “desenha um circulo” de rotinas para depois quebrá-lo com uma pausada postura. Existe nesta obra protagonizada por Adam Driver e a futura estrela Golshifteh Farahani (apostamos nisso), uma espécie de best-of do cinema de Jarmusch, desde as conversas triviais de Coffee and Cigarette, até ao experimentalismo de Limites do Controlo e a singeleza de Broken Flowers. Até à data é dos melhores na secção competitiva.
 
 
Personal Shopper
 
Menos feliz foi Personal Shopper, a nova colaboração de Olivier Assayas com Kristen Stewart, dois anos depois de Clouds Sil Maria (obra que garantia à atriz norte-americana o César de Melhor Secundária Feminina), foi vaiado no seu primeiro visionamento para a imprensa. Trata-se de uma proposta bem diferente daquelas que os “visitantes” da competição de Cannes estão habituados a assistir. Assayas explora o terror e outros elementos sobrenaturais como o espiritismo e quando os invoca, atinge exactamente o ponto preciso. Personal Shopper consegue ser mais aterrorizante que 90% dos “verdadeiros” filmes de terror que chegam aos nosso cinemas. Acrescento ainda que Stewart está em muito boa forma. 
 
Jeff Nichols, Brillante Mendoza, Pedro Almodóvar e Kleber Mendoça Filho são os próximos concorrentes a entrar em palco. 
 


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