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Cannes (dia 4): Ken Loach emociona e Neruda surpreende na Quinzena

American Honey

Aplausos, lágrimas e comoção, foi assim que foi recebido I, Daniel Blake, o mais recente filme de Ken Loach, um “veterano” na Seleção Oficial de Cannes.

As comparações com o anterior e galardoado filme de Stéphane Brizé, La Loi du Marché (A Lei do Mercado), são inevitáveis, mas este “testemunho” da falta de humanidade da Segurança Social e da luta de sobrevivência do proletariado, é um exercício mais emocionante. O enredo segue Daniel Blake (Dave Johns), um carpinteiro de meia-idade e sob perturbações cardíacas que tenta os possíveis e os impossíveis para conseguir a reinserção social ou benefícios de que tem direito. Mesmo conduzido com previsibilidade, lugares-comuns e clichés de todo o tamanho, Ken Loach faz a diferença com o seu activismo agressivo e pela quantidade de questões que este mártir da sociedade londrina levanta durante o percurso à restauração da sua dignidade. Temos aqui um sério candidato à Palma, nem que seja na categoria de Melhor Ator. E como sabemos Ken Loach sempre fora um dos “meninos queridos” do Festival.

Também recebido com aplausos foi o conto erótico de Chan-Wook Park, The Handmaiden, livremente baseado no livro de Sarah Waters, mas endereçado por um retrato sobre a perversão e repreensão sexual da cultura japonesa. Contando com os desempenhos de Kim-Tae-ri, Jung-woo Ha e a estrela Min-hee Kim, eis uma história de traições, sedução e muita luxúria instalado numa Coreia ocupada pelo Japão. Tecnicamente brilhante, atmosférico como Nagisa Ôshima e ambicioso como qualquer grande produção, The Handmaiden é a confirmação de como o cinema sul-coreano está forte e competitivo e de que Chan-Wook Park é um dos nomes mais fortes dessa mesma indústria. Como qualquer obra asiática, vai demorar a chegar ao circuito comercial português.

Talvez menos consensual foi American Honey, a estreia de Andrea Arnold em terras do “tio Sam”. Muita música, muita espontaneadade e jovialidade, a realizadora inglesa recria um meio road-trip, meio coming-to-age que explora uma América profunda, white trash, com o tipo de gente que facilmente votaria em Donald Trump. Este é o regresso do fascinio dos rebeldes sem causa do seu Fish Tank (Aquário).

Pablo Larrain

Gael Garcia Bernal

Mas a grande surpresa esteve presente na Quinzena dos Realizadores, que este ano apresenta uma das mostras mais fortes dos últimos anos. Pablo Larrain, já estabelecido como um nome incontornável da cinematografia chilena, trouxe-nos Neruda, uma “kind of” de cinebiografia do poeta e activista politico Pablo Neruda. Porém, a distância entre a biografia convencional é grande, Neruda apresenta um registo curioso, criativo e estilístico, e com um enredo que cruza o esquematismo dos factos com a fantasia literária própria do imaginário do realizador. O filme foi aplaudido por mais de 6 minutos e meio, um feito histórico para o cinema chileno.

Nicola Garcia, Jim Jarmusch e Kleber Mendonça Filho serão os próximos na corrida à estatueta.



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