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Cannes (dia 3): Quinzena dos Realizadores abre com forte componente política

A Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica, duas secções paralelas, abriram por fim, as suas mostras. No caso da Quinzena, a seleção deste ano é bastante vistosa e merecedora de umas "evasões" da Competição Oficial do Festival de Cannes. O seu arranque, porém, foi tudo menos pacífico.

Logo após a entrega do Carrosse d'Or (Carroça de Ouro) ao realizador finlandês Aki Kaurismäki - que esteve ausente, tendo o prémio sido entregue ao ator Jean-Pierre Darroussin, que colaborou várias vezes com o cineasta-, surgiu um discurso contra o trabalho temporário e as medidas de austeridade implantadas pelo atual Governo Francês. Longo e por vezes interrompido devido à tradução, este momento facilmente incomodou muito o público presente na cerimónia. Foram mesmo ouvidos apupos, assim como muitos "arrete" (já chega), automaticamente respondidos com aplausos de quem concordou 100% do que foi dito.

Mas depois do confronto verbal e de se acalmarem os ânimos, o filme de abertura foi exibido: Sweet Dreams, de Marco Bellocchio, com realizador e respetivo elenco presentes na sala de projeção. Quanto à obra, o veterano cineasta italiano cedeu a um jogo emocionalmente fácil, a adaptação de um best-seller de Massino Gramellini sobre um homem que tem que lidar com a perda da sua mãe. Demasiado longo, "pastelão" e inofensivo, este talvez tenha sido o maior deslize do realizador. Um início fraco, mas mesmo assim, euforicamente louvado pelo público, no final da sessão. Esperemos que as promessas da Quinzena se mantenham.

Enquanto isso, na Competição Oficial, Bruno Dumont "recicla" o estilo do seu Petit Quinquin em Ma Loute. Num enredo que cruza transgêneros com canibais, aristocracia mecanizada com fenómenos fantásticos e uma réplica de Laurel and Hardy como inspetores, esta pitoresca comédia negra tinha potencial. Tinha, segundo o entusiasmo de muitos jornalistas e críticos antes da sessão, mas infelizmente, o filme perde facilmente o seu "gás", reduz-se à caricatura e pouco mais, e muitos foram aqueles que abandonaram a sala.



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