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Cannes (dia 2): Cinema romeno mostra força em dia de desilusões

 

No segundo dia de Cannes, o sol teve por fim a sua "grande entrada", porém, com ou sem, o Festival continua com algumas surpresas, desilusões e os "suspeitos do costume".

Cristi Puiu divertiu a imprensa com o seu Sieranevada, uma reflexão aos medos interiores, reprimidos na sociedade atual, e à procrastinação do ativismo político. O filme arranca com um almoço de família em Bucareste, três dias depois dos atentados à sede da publicação Charlie Hebdo, em Paris. Com as suas 3 horas de duração, Puiu conseguiu aguentar a proposta. Os deslizes foram poucos, mas o exercício de espaços limitados e de realismo encenado encontra-se lá.


Sieranevada

Falando em ativismo e ideologias, a secção Un Certain Regard arrancou com o thriller dramático Clash, de Mohamed Diab, um outro exercício de espaços limitados que pisou diversas vezes o território do filme de cerco. A ação é exclusivamente restrita ao interior de uma "carrinha-jaula" num Egito de 2013, em plenos confrontos entre a Irmandade Islâmica e as forças armadas egicias. O ritmo é frenético, e nesse aspeto, Clash nunca vai além da sua promessa, mas a relação entre personagens acaba por tornar-se cliché e a ingenuidade politica abranda qualquer indicio de crítica e de agressividade nessa mesma vertente.


Clash

Ingénuo é Money Monster, a produção da Sony Pictures, Fora de Competição. O filme não mais do que uma declaração munida de vingança à fraude bolsista e à comunidade da alta-finança. Esta terceira longa-metragem de Jodie Foster, resultou num encontro com a moralidade que o cinema de Hollywood adora "fabricar" entre o grande público. O pior foi o discurso algo ativista que ela e a sua estrela (George Clooney) proferiram na conferência de imprensa. Entre perguntas rídiculas, futéis e limitadas de muitos jornalistas presentes no pavilhão da conferência, e os repúdios de Clooney a Donald Trump e à sua política - "o EUA nunca será governado por Trumph" - este foi provavelmente, até à data, o momento mais mediático de todo o Festival.


Staying Vertical

Quanta à competição, Alain Guiraudie apresentou Staying Vertical, a bizarra história de uma paternidade acidental que caiu em troça entre a imprensa. O realizador de O Desconhecido do Lago criou uma obra nada natural, por vezes inverosímil e sexualmente explicita, como só ele consegue. Temos aqui um sério candidato à Palma de Ouro? Penso que não!

Veremos como se sairão os novos trabalhos de Bruno Dumont, Chan-Wook Park e o sempre "presente" Ken Loach.



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