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Robert Pattinson presente no 11º Lisbon & Sintra Film Festival

Robert Pattinson estará presente na 11ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival. O ator que se tornou mundialmente famoso com o fenómeno Twilight irá apresentar duas sessões do festival. Hoje, pelas 21h00, estará presente no Centro Cultural Olga Cadaval, ao lado do escritor Don Delillo, para apresentar Cosmopolis, a sua colaboração com David Cronenberg que resultou numa atípica versão de um mundo à beira de uma apocalipse económico.

No dia 25, Pattinson estará no Cinema Medeia Monumental para a projeção de Good Time, dos irmãos Safdie, obra que concorreu à Palma de Ouro do último Festival de Cannes e cujo seu desempenho foi, acima de tudo, elogiado. A sessão será seguida por um Q&A com o ator.

O 11º LEFFEST – Lisbon & Sintra Film Festival decorre em Lisboa (Cinemas Monumental, Nimas, Amoreiras; Teatro Nacional D.Maria II) e Sintra (Centro Cultural Olga Cadaval, Palácio de Queluz, MU.SA-Museu das Artes de Sintra) até dia 26 de novembro.

Morreu o ator João Ricardo

Morreu João Ricardo, o ator e encenador acarinhado pelo grande público graças à sua presença em inúmeras telenovelas e séries televisivas. O ator não resistiu a um tumor no cérebro que fora diagnosticado em 2016, tendo na altura sido submetido a uma cirurgia de urgência. Encontrava-se numa unidade hospitalar de Lisboa desde quarta-feira.

Tinha 53 anos e para trás deixa uma longa carreira dividida entre televisão e teatro. No cinema a sua presença foi escasso, mas mesmo assim trabalhou com os realizadores Luís Filipe Rocha (A Passagem da Noite), Margarida Cardoso (A Costa dos Murmúrios) e João Botelho (Corrupção, A Corte do Norte e Filme do Desassossegado).   

«The Beguiled», o mais recente filme de Sofia Coppola, não chegará aos cinemas portugueses

  • Publicado em Mercado

Apesar de ter conquistado o Prémio de Realização no último Festival de Cannes e com um elenco de luxo dirigido por Sofia Coppola, The Beguiled não chegará às salas de cinema em Portugal, sendo lançado diretamente no mercado home vídeo (DVD e Blue-Ray), no VOD e por via streaming. O filme foi o escolhido para abrir a 4ª edição do Porto/Post/Doc que arranca já no próximo dia 27 de novembro, segundo o press release do festival, esta será provavelmente a única oportunidade de o vermos projetado num grande ecrã.

Sofia Coppola concebeu o filme como uma resposta feminina à obra de Don Siegel em 1971, com Clint Eastwood e Geraldine Page nos principais. Com uma intriga que nos transporta para os meados da Guerra Civil Norte-Americana onde um soldado da União encontra exilio numa casa habitada por mulheres sulistas, conquistou elogios pela crítica durante a sua passagem na competição de Cannes, onde foi realçado principalmente as suas virtudes técnicas, assim como o elenco que operava coletivamente neste conto de violência idealista (Nicole Kidman, Colin Farrell, Kirsten Dunst e Elle Fanning).

O C7nema esteve presente em Cannes, tendo a oportunidade de visualizar o filme de Coppola, considerando-o “uma produção construída sob adereços, sob cores e ruídos, mas o vazio acaba por reinar nesta guerra entre sexos.” [ler crítica completa].

«Lucky» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Lucky metamorfoseou, não durante o seu processo de criação e idealização, mas adaptando locucionariamente o seu discurso para os tempos que o abrangem. E quem o confirma é o próprio realizador, John Mitchell Lynch, ator de longa carreira aventurosa na sua primeira longa-metragem. Este concebeu a obra como uma celebração ao ator Harry Dean Stanton, porque em todo ele, uma personagem-tipo, concentrava todos os elementos e aspeto no qual o identificamos acima da ficção, e sobretudo fora da realidade desconhecida, a figura que a cinefilia nos impôs - o Harry Dean Stanton que o cinema criara.

Mas a tragédia bateu à porta do ano 2017. O célebre ator de Paris, Texas deixou-nos; uma despedida que transforma o célebre numa melancolia prolongada, a celebração torna-se assim numa homenagem fúnebre, e a personagem-tipo num esboço da memória cinéfila. Provavelmente, com o infortúnio, Lucky adquire uma dimensão que o favorece, o cowboy” solitário que vive a sua rotina como um “safe place” e que perante o primeiro sinal vindo do ceifeiro questiona todo esse ciclo, é agora uma cuspidela” na cara da Morte”, um sorriso malicioso perante os desfechos incutidos pela sociedade.

Haverá vida depois da morte?” Para Lucky a vida é única e sem acréscimos, a Morte é o fim e imperativamente aceite. The only thing worse than awkward silence: small talk” (Pior que o silêncio constrangedor é a conversa barata). Harry Dean Stanton projeta o seu eu” num sofrimento invisível, uma espécie de solipsismo que adereça o seu quotidiano, encarado com uma automatização sacra e uma ironia crescente.

Sentimos que o ator não esmera em criar algo novo na sua partitura interpretativa, nem há sentido para tal, é a memória funcional a insuflar com vida este “farrapo humano”, um homem posicionado entre a sugestão e o segredo, a coragem e o medo, que tende em ceder por entre fissuras em relação à maior das doenças da Humanidade: a velhice, consequencialmente a solidão e o fim de um legado. A personagem é só, mas o filme não acolhe um sentido miserabilista perante a sua pessoa; é só porque assim o espectador o sente, mais do que as palavras proferida ocasionalmente sobre o assunto. There's a difference between lonely and being alone" (Há uma diferença entre solidão e estar só), ou dos temas quase paradoxais induzidos num bar de esquina, tendo como parceiros do crime", um ressuscitado James Darren e um David Lynch como consolo da tão referida memória.

E em orquestração com essa, o encontro com outro parceiro, Tom Skerritt, 38 anos depois de Alien, a invocar a Morte como um vilão pelo qual escaparam e que mesmo assim vivem no receio da eventual riposta. O sorriso aqui aludido que será transmitido nas proximidades do final - a essência que pedíamos após a desintegração completa da rotina vivente. Apela-se à anarquia tardia. Ou será antes rebeldia? O olhar matreiro de Stanton proferindo um último discurso, uma última resposta para o seu fim. Para depois seguir ao seu Paraíso, o leito dos laicos, o deserto que o acolhera no seu apogeu e que tanta vida reminiscente oculta.

Mesmo que Stanton aposte no “realismo” que acabara de definir (“realism is a thing”), e nas verdades entre indivíduos que nunca corresponde uma verdade absoluta, este cantinho transforma-se o seu Éden, prevalecendo memórias e garantido o merecedor descanso eterno. Isto acontece porque o sentido alterou com o contexto, a celebração aos vivos é agora uma dedicada canção para os mortos.  

Hugo Gomes

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