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«Jason Bourne» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Prevejo que aquilo que o leitor pretende realmente saber, é se esta quarta estância é ou não o esperado regresso do "velho" Jason Bourne (e não outro esquecível e oportunista spin-off como O Legado de Bourne). Com Paul Greengrass de novo detentor da batuta e Matt Damon, o "corpo ao manifesto" de mais uma conspiração global, a resposta é claramente - sim. 
 
Sim, eis o modelo de ação milenar que a saga tão bem apresentou-nos em três bem sucedidos filmes. Até porque em 2002, Doug Liman assinava a adaptação do livro de Robert Ludlum (e remake de uma mini-série televisiva de 1988), tendo um resultado que saiu dos eixos da matéria prima, mas que primou numa "vintage" sofisticação. Identidade Desconhecida evidenciava de uma ação de realismo formatado, de tons cinzento que depressa o divergia dos embriões da moda Matrix que o início do século lançava sem exaustão, e "bebendo fortes golos" dos ditos thrillers conspirativos da década de 70. 
 
A outra razão da dita inovação foi de uma mera questão de timing, Matt Damon, sob a pele de um mortífero homem sem memória, enfrentava os mais diferentes inimigos, todos eles vindos ou fruto das politicas de segurança nacional e da fragilidade do mesmo. Vivíamos em tempos pós-11 de setembro, o centro daquele vórtice de heróis da "pesada" diretos dos 80s e 90s perdeu o seu "quê" de invencibilidade, eram agora um alvo como tantos outros (falo obviamente dos ataques ao Pentágono, que gerou uma alarmante ideia de vulnerabilidade num país que sempre apresentara ideia diferente). Ou seja, sob uma forte atmosfera de medo e paranoia, a estreia de Identidade Desconhecida e a sua receção foi um meio para despoletar outros ensaios de ação cada vez mais focados neles próprios, por outras palavras, tornaram-se mais ambíguos, críticos e menos dados a maniqueísmos geopolíticos. 
 
A saga Bourne funcionou como uma distorcida variação da Guerra Fria, há quem encontre aqui uma certa veia do Candidato da Manchúria e a ferocidade de um Charles Bronson, quer em Death Wish ou no subvalorizado O Mecânico. Com a vinda de Greengrass à realização e o seu modo de filmagem guerrilheira, tivemos direito a dois dos mais duros e credíveis filmes de ação do nosso tempo (Supremacia e Ultimato). 
 
Voltando a este quarto filme, somente intitulado de Jason Bourne, onde o nosso "anti-herói" envolve-se (ou novamente) na intriga que nunca o abandonara desde 2002. O 11 de setembro e as políticas de medo já lá vão, mas nunca nos abandonaram, por um lado a insegurança mantêm-se, mas existe outras preocupações que o filme Greengrass quer manter-se atualizado, e uma delas chama-se "Caso Snowden". Desde a revelação dos ficheiros da NSA pelo ex-analista de sistemas que uma das grandes questões levantadas pelo Homem em relação à sua gradual dependência da tecnologia é a preservação da privacidade e os jogos orquestrados nas nossas sombras. A informação torna-se no ouro deste novo milénio e nisso Jason Bourne consome mais uma vez para embarcar em mais um conjunto de sequências de ação e de neo-espionagem. 
 
 
A gestação de nove anos deu-nos uma réplica dilacerada pelos habituais lugares-comuns, o filme de Paul Greengrass pode bem ser moderno, mas é repetitivo e a inovação diversas atribuída à saga não encontra lugar em todo este pano global. Porém, aquilo que não se pode acusar neste Jason Bourne é de moleza, o filme continua a apresentar-nos um ritmo gratificante, sempre interagido com o realismo e ampliado por um realização hand-cam de enorme caráter. Depois disto, temos ainda uma Alicia Vikander a roubar qualquer cena em que surge (não percam esta "rapariga" de vista, por favor).
 
Contudo, existe algo interessante nesta, para muitos, enésima produção de adrenalina: é que Jason Bourne faz até um certo mapeamento da situação europeia através dos seus locais de rodagem. Iniciando com a Islândia, passando pela Grécia (sob motins), chegando à Alemanha e atravessando uma Inglaterra receosa, quatro localidades que traduzem todo um recente historial da velha Europa, o continente em constante metamorfose politica, social e económica. Todavia, não estou aqui para dar lições ou debates sobre a nossa vivida atualidade, isso terá que ficar para outro dia!
 
O melhor - Alicia Vikander, a contemporaneidade do enredo
O pior - o efeito repetição
 
Hugo Gomes
 
 

MOTELx comemora décima edição com algumas novidades "assustadoras"

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Como já é tradição, Lisboa vai voltar a ser invadida pelo terror a partir do mês de Setembro, mais concretamente entre o dia 6 e 11. 
 
Trata-se do MOTELx, um dos festivais lisboetas que mais cresceu nos últimos anos, e falando em anos, vale a pena salientar que temos “à porta” a 10ª edição do Festival Internacional de Terror de Lisboa. A grande novidade, que começará a ser implantada nas edições posteriores, é a tão esperada Competição Nacional de Longas-Metragens, que segundo a organização servirá como incentivo para o preenchimento de um lote tão vago no nosso cinema, o género terror e fantástico.
 
Mas as novidades são muitas, entre elas a vinda de Ruggero Deodato, produtor e realizador de uma das mais badaladas obras de terror dos anos 80, Holocausto Canibal. Relembro que o filme que remete a um grupo de documentaristas em busca de um perdida tribo amazónica, acabando por se tornar o “prato principal” deste seio canibal, foi um dos precursores do found footage de terror que originou produtos tão célebres como O Projeto de Blair Witch, [REC] e Atividade Paranormal. Para além de mencionar que a obra foi proibida em inúmeros países e a sua estreia foi tão controversa que Deodato teve que provar em tribunal que os atores encontravam-se vivos e bem de saúde.
 
Entre a seleção, a secção Serviço de Quarto, existe um dedicada preocupação pela geografia e pela diversidade desta, ao mesmo tempo presenteando ao espetador uma vasta gama de obras asiáticas que não fossem este tipo de iniciativas, de certo demorariam ou provavelmente nunca chegariam ao nosso país. Entre os revelados para preencher a programação do MOTELx estão; o êxito nipónico Sadako Vs Kayako, o crossover de duas importantes sagas de J-Horror (Ringu e Ju-On), o regresso de Kyoshi Kurosawa (Rumo à outra Margem [ler crítica]) ao género de terror com Creepy, o exercício de medo vindo diretamente do Irão, Intitulado de Under the Shadow e a homenagem vampírica, The Transfiguration, que fora apresentado no último Un Certain Regard, em Cannes. 
 
 
Na secção de documentário poderemos encontrar o muito elogiado De Palma, a conversa entre o realizador de Carrie e Scarface com Noah Baumbach e Jake Paltrow que tem servido como um dispositivo de reavaliação de um homem apontado como o herdeiro de Hitchcock. E o muito esperado Tickled, uma investigação a um jogo de cócegas que se revela num autêntico filme de terror.
 
Em O Quarto Perdido, secção que visa em recuperar pérolas e filmes perdidos da nossa cinematografia, vai contar com a estreia mundial de O Segredo das Pedras Vivas, uma obra de produção complicada do mestre da fantasia lusitana, António de Macedo. Enquanto isso, em paralelo, um ciclo dedicada ao excêntrico e alienado Walerian Borowczyk, um realizador polaco radicado na França que foi o autor de obras oníricas, fantasias quase buñueliana recheados de erotismo e bizarria. Borowczyk faleceu em 2006, a partir daí seguiu-se um trabalho de restauração do seu legado e a reanálise da sua visão cinematográfica. As sessões (La Béte, Docteur Jekyll et les Femmes) serão apresentadas na Cinemateca sob uma iniciativa da White Noise.
 
Destaque ainda para o visual e spot deste ano, um fantasma de uma das mais lendárias personalidades da nossa História, D. Sebastião, o rei que nunca voltou a casa, mais um trabalho prometedor da Take It Easy / Easy Lab, com realização de Jerónimo Rocha.
 
O 10º MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa decorrerá no Cinema São Jorge, Cinemateca e Teatro Tivoli BBVA.  

Eddie Redmayne em novo filme do realizador de «O Jogo da Imitação»

Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo, A Rapariga Dinamarquesa) vai protagonizar The Last Days Of Night, o novo filme de Morten Tydlum (O Jogo da Imitação). 
 
Também escrito por Graham Moore, The Last Days Of Night apresenta-nos a disputa jurídica entre dois magnatas da Era Industrial, Thomas Edison e George Westinghouse, para fornecer em larga escala ao território norte-americano. Redmayne vai desempenhar o famoso advogado Paul Cravath, naquele que foi o maior caso da sua carreira.
 
O filme entrará em produção no início do próximo ano, com objetivo de estrear no final de 2017 nos cinemas de todo o Mundo.

Brie Larson será a Captain Marvel

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A Marvel Studios confirmou através do seu painel no San Diego Comic Con, que Brie Larson será uma das super-heroínas deste universo cinematográfico – Captain Marvel.
 
A atriz galardoada com o Óscar de Melhor Atriz graças ao seu desempenho em Quarto [ler crítica], irá interpretar uma piloto de Força Aérea, Carol Danvers, que adquire dotes sobre-humanos após o contacto com tecnologia alienígena. Decidida a combater o crime e defender o seu planeta, ela torna-se a Captain Marvel.
 
Vale a pena salientar que Captain Marvel, criado em 1967, era inicialmente um personagem masculino, uma resposta da editora ao rival Super-Homem da DC Comics, visto que ambos eram alienígena a tentarem adaptar ao planeta Terra. Carol Danvers, que fez a sua estreia em 1968, era descrita como o interesse amoroso do herói, mas as ideia do criador era de a converter numa super-heroína, visto que existia uma escassez nessa temática. 
 
No inicio dos anos 70, estava agendado a primeira aventura a solo da personagem, o que não aconteceu em consequência dos executivos que acreditavam que a fabricação de super-heroínas era dispendioso e pouco rentável. Mas no final da década, Carol Danvers conseguiu a sua pessoal jornada heroica sob o título de Ms. Marvel, integrou também as equipas sobre-humanas, The Avengers: Os Vingadores e X:Men.
 
Em 1982, o original Captain Marvel morre e Mrs. Marvel assume o seu legado.
 
O filme está agendado chegar aos cinemas a março de 2019.
 
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