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«Dunkirk» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

É um bélico sem o sufixo de épico. Christopher Nolan recolhe os factos históricos que rodeiam a evacuação de mais de 300 mil militares aliados em 1940, nas praias de Dunquerque (França), um episódio crucial da Segunda Guerra Mundial que revelou ao mundo a ameaça ignorada que se o tornaram os alemães sob a ideologia nazi. Nessa recolha, Nolan assumiu-se preparado para retratar a batalha e a retirada, essa ferida no orgulho britânico, ao invés de personificar os idos do campo de guerra através de heróis patriotas, ou do maniqueísmo avassalador cujo tema suscita automaticamente.

E se o realizador, de origem britânica a operar em Hollywood, isola um pedaço de "História morta" ao serviço da sua narrativa, novamente contada em três espaços temporais em constante colisão resultante num só quadro, é verdade que todo esse argumento de reconstituição tornam Dunkirk num ensaio dramaticamente vazio.

Ao contrário de Titanic, de Cameron, em que a dita "História morta" entra em serviço do romanesco cinematográfico, neste bélico filme de jeito possante, a romantização está fora de alcance. Aliás, esta é a "nova " Hollywood idealizada por Nolan, numa cruel limpeza ao misticismo e ao simbolismo contraído nos putrefactos ventos saídos dos enésimos campos de batalha. Se fosse só isso, estaríamos calmos e serenos, esperando o reforço vindo da outra margem, mas não. Mesmo que as "vacas sejam sagradas" e "intocáveis", há que reconhecer que a megalomania tomou Nolan e a sua ambição de germinar um "espírito autoral" o atraiçoa, fazendo-o tropeçar nas suas próprias qualidades.

Se foi dito que o realizador é um artesão cuja emocionalidade é zero, eis a prova dessa inaptidão. Para contrariar, como trunfo na manga, surge a manipulação. Dunkirk arranca com a primeira nota de Hans Zimmer e é com ele que o espectador segue sem interrupções até à última da pauta. A ginástica cometida pelo compositor é tanta que chega a executar com mais exatidão o trabalho que estava encarregue a Nolan: o de adereçar às suas "personagens" as emoções necessárias, a tensão das ocorrências, aquela espera de um milagre que se faz hiperativamente de forma a competir com a (im)paciência da audiência.

É um filme de guerra mirabolante, quer na sonoplastia ensurdecedora, quer na edição "salta-pocinhas" e sob promessa do "time delay". Contudo, é nessa dita edição que não devemos perdoar essa grandiloquência produtiva. Nolan falha na técnica, não reconhece as dificuldades com que se filma em alto mar, em enfrentar as instáveis condições climatéricas marítimas, da coloração que o mar porventura dispõe diariamente.

Não há com que perdoar, Dunkirk tem um orçamento milionário, um realizador com uma liberdade em Hollywood invejável e a tecnologia atual que funcionam como verdadeiros feitos e facilitismos (sem com isto insinuar que grandes produções deveriam estar restringidas a estúdios e a chroma keys). Ou seja, depois de The Dark Knight Rises, este é o novo desleixo de Nolan, para além de ser um filme à sua imagem. Tão subtil que nem um camião-TIR, um peso-pesado sem graciosidade, sem a violência, quer gráfica, quer sentimental, das imagens, ou o constante barulho que retira qualquer experiência sensorial.

"The sweetest sound" clama Mark Rylance ao observar os caças aliados a sobrevoar sobre ele. Poderia ser o "som mais doce", mas Nolan impossibilita essa "audição", assim como é incapaz de nos oferecer o tão aguardado espectáculo que nos prometia. Longe da reflexão humana e social que Dunquerque possivelmente proporcionaria, Nolan atira-nos como epílogo um apelo ao "Novo Mundo" para resgatar este "Velho Mundo" em modo de ebulição.

Parece que afinal a "História morta" acaba por ser "História morta"!

Hugo Gomes

Alejandro Jodorowsky e Roger Corman no 11º MOTELx

O chileno “psico-mago” Alejandro Jodorowsky e o veterano produtor e realizador Roger Corman serão os homenageados da 11ª edição do MOTELx: Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, a decorrer entre 5 a 10 setembro.

Espera-se a presenças de ambos no decorrer do Festival, porém, recordamos que Corman havia sido anunciado como “homenageado do MOTELx” na edição passada, cuja vinda foi cancelada devido a problemas de saúde.  O mesmo se pode dizer sobre o chileno surrealista, cuja visita a Lisboa (no âmbito da anterior Mostra da América Latina) também fora cancelada por iguais motivos.

Porém, falando em homenageados, a organização anunciou que irá preparar um tributo a George A. Romero, falecido recentemente, na programação deste ano. Nota-se que o “mestre dos mortos-vivos” esteve presente no MOTELx em 2010, e segundo a equipa do festival “foi a sessão de autógrafos mais longa em 11 anos de evento”.

O regresso do MOTELx irá assumir-se como o mais ambicioso até à data, cerca de 14 sessões diárias e mais de 100 filmes inserido numa programação sem precedentes, tendo em conta as palavras dos organizadores durante a conferência de imprensa.

Para além dos habituais Warm-ups (sessões pré-festival), o infantojuvenil Lobo Mau, os Prémios MOTELx (Melhor Curta de Terror Portuguesam Yorn Microcurtas), o 11º MOTELx tem como principal novidade a associação com o Passado e Presente - Lisboa, Capital Ibero-americana de Cultura 2017. No âmbito desta colaboração cultural, seremos presenteados com sessões especiais dedicadas a Jean Garrett, um dos nomes incontornáveis do cinema exploitation brasileiro dos anos 70, e ainda, o “desenterrar” de duas produções ibéricas, raras, que de certa forma tentaram preencher o vazio do fantástico no cinema português nos anos 70.

A mostra lisboeta de cinema de terror terá lugar no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Cinemateca Portuguesa e Júnior, Rua da Moeda, Museu do Berardo, Lounge e Largo de São Carlos (sessões Warm-ups).

Morreu George A. Romero, o "mestre dos mortos-vivos"

Morreu George A. Romero, conhecido pelo universo do terror como o "mestre dos mortos-vivos", não o responsável pela sua introdução no cinema mas pela redefinição, ainda hoje incontornável, de tais criaturas, graças à sua trilogia Dead (Night of the Living Dead, Dawn of Dead, Day of the Dead).

Segundo a família, o cineasta faleceu durante o sono, ao som da banda sonora de The Quiet Man (O Homem Tranquilo, 1952), filme de John Ford que consistia num dos seus favoritos. Romero encontrava-se numa "severa batalha contra o cancro dos pulmões”. Tinha 77 anos.

The Night of Living Dead (A Noite dos Mortos-Vivos, 1968) foi a sua primeira longa-metragem e possivelmente o seu filme mais marcante, onde, sob a inspiração da literatura de Richard Matheson, unia zombies com questões político-sociais. Ao contrário do senso comum, George A. Romero não trabalhou exclusivamente com estas criaturas algures entre a vida e a morte, conta-se comédias dramáticas (There's Always Vanilla, 1971), dramas fantásticos (Hungry Wives, 1972), vampirismo psicológico (Martin, 1978), ação punk-medieval (Knightriders, 1981) e outras incursões no género de terror (Creepshow em 1982, Monkey Shines em 1988, Bruiser em 2000).

Obviamente, foram os mortos-vivos que o tornaram célebre e de certa forma provedor desse mesmo subgénero. Depois de Night', expandiu esse apocalipse com Dawn of the Dead (Zombie - A Maldição dos Mortos-Vivos, 1978), que funcionou como uma mórbida critica ao consumismo e capitalismo, Day of the Dead (Dia dos Mortos, 1985), uma afronta às classes sociais estabelecidas e passando alguns anos, apostando noutra trilogia "de morte" com Land of the Dead (Terra dos Mortos, 2005), onde devolveu a astúcia ao subgénero, Diary of the Dead (Diário dos Mortos, 2007), um found footage sobre a queda do mundo moderno e Survivor of the Dead (A Ilha dos Mortos, 2009), um regresso ao signo da série Z.

Confirmado: Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese juntos em novo filme

Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese voltarão a trabalhar juntos na adaptação do livro "Killers of the Flower Moon: The Osage Murders and the Birth of FBI", escrito pelo jornalista David Grann.

Apesar deste projeto já se arrastar há anos, só agora foi confirmado a sua produção. A dupla Leo & Martins procuravam desde então investidores interessados. As mesmas fontes apontam para a possibilidade de Robert De Niro (anexado a um outro filme de Scorsese, The Irishman, agora em fase de rodagem), integrar o elenco.

O filme nos levará à década de 20, onde a tribo indígena Osage tenta resistir ao Governo quanto à apropriação das suas terras para fins de exploração mineira. O projeto tem estreia agendada para 2019.

Recordamos que este será a sexta colaboração do ator com o realizador. 

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