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Novo trailer de «Christopher Robin», o reencontro com Winnie the Pooh

Foi divulgado um novo trailer de Christopher Robin,  filme da Disney focado no universo criado por A.A. Milne, onde o urso Winnie the Pooh reencontra o seu amigo de infância, o homónimo Robin, agora em adulto.

Marc Forster regressa na direção de variações próprias dos clássicos contos infantojuvenis, 14 anos depois de Finding Neverland (Em Busca da Terra do Nunca), onde remetia às pisadas de J.M. Barrie no processo de criação de Peter Pan. Ewan McGregor interpreta o adulto Christopher Robin, liderando um elenco composto por Hayley Atwell, Jim Cummings, Toby Jones e Chris O’Dowd.

Estreia prevista para agosto.

«Le Redoutable» (Godard, O Temível) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Há que admitir a coragem de Michel Hazanavicius em “biografar” aquele que para muitos é um Deus vivo da 7ª Arte. A repudia é iminente, visto que este estudo de um homem que decide reinventar-se, mais do que ele próprio, o seu cinema, soa como uma heresia de tal tamanho, e maior, tendo em conta o tratamento acordado nesta demanda antipessoal.

Encarnado por Louis Garrel, filho de um dos realizadores que mais estima tem por Godard, Phillipe Garrel, o cineasta-representação é uma espécie de clown, um herdeiro indigno do slapstick do Buster Keaton ou das vontades de ridicularização de um Monty Python. Ele é uma “pinatta”, pronta a ser vardascada por Hazanavicius e pelo público. Cuspido como uma caricatura, uma imagem generalizada do gigantesco ego, porém, é aqui que reside o maior trunfo deste Le Redoutable, a ousadia de transfigurar algo divino, algo intocável, não ceder ao “crowd pleaser” de veneração ao ídolo.

Em entrevista, Hazanavicius falou que por vezes grandes artistas são péssimas pessoas. Não cabe a nós julgar Godard à distancia, mas a História é a favor do criador de Le Redoutable. A sua instabilidade, o seu narcisismo, a sua obsessão pela afirmação no circuito artístico e politico, elementos que contribuíram para a criação de novas linguagens cinematográficas, novas visões para além da narrativa, e ao mesmo tempo o levaram gradualmente ao registo eremita que os seus últimos filmes tem indiciado (convém salientar que não o perdoamos pela crueldade causada a Agnés Varda, captado em Visages, Villages).

Mas a crítica ácida e de coñojes termina aqui. O filme entra num registo de autodefesa, uma auto-humilhação para ser mais claro. Enquanto tenta estabelecer uma espécie de meta-cinema para esse propósito, assim como a personificação de Louis Garrel aclama tratar-se de um “ator” e não o “verdadeiro Godard” (reforçando com “ainda por cima um mau ator”), Le Redoutable adquire uma insegurança em seguir avante a sua ideia, em recear o culto godardiano munido de tochas e forquilhas pronto para o tumulto.

Depois há ainda a tendência de mimetizar os maneirismos dos filmes do “homenageado”, remetendo a um La la Land referencial, a um doce tranquilizador das fúrias estabelecidas. O resultado dessa brincadeira de parecenças é insuficiente, “espertalhona” e ao mesmo tempo míope, reduzindo toda uma cinematografia (anos 60) para adereços bibelôs. Porém, acima dessa leveza, existe Stacy Martin que se afigura como a atriz Anne Wiazemsky, a relação perturbada de Godard, e cujo esforço trespassa a previsível caricatura.

Hugo Gomes

Luc Besson acusado de violação

Uma jovem atriz que já trabalhou com Luc Besson em dois filmes apresentou queixa à polícia, acusando o diretor de a ter violado na semana passada. 

A policia não quer, para já, comentar a situação, mas a mulher, que pediu para não ser identificada na imprensa, descreveu à Variety como foi vitima de uma "agressão sexual violenta" a 10 de maio, após uma reunião com o cineasta no Bristol Hotel, perto dos Champs-Elysées, em Paris.

O representante legal do cineasta já disse negou "categoricamente negou todas as acusações feitas contra ele".

«Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

 

O chamado realismo encenado, a reconstrução do “olhar de ninguém”, não nasceu em Portugal exclusivamente pela mão de João Salaviza, mas foi graças ao seu empenho que por fim reinventou-se na nossa cinematografia. A verdade é que com a Montanha, a sua primeira longa, o jovem realizador culminou todo o seu universo até então fragmentado ao seu trabalho de curtas, citando as lengalengas da infância rebelde, dos filhos emancipados, os que acham perder-se na Terra do Nunca.

Mas até a criança teve que crescer, esse o dito “realismo” amadureceu, peregrinou para o Brasil e lá encontrou uma outra dimensão, o sobrenatural. Será cliché comparar este Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos como um anexo ao naturalismo para com o sobrenaturalismo de um Apichatpong Weerasethakul, porém, o contágio desse mesmo “olhar de ninguém”, que por sua vez é um olhar consensual, coletivo, adensa o que poderia ser um enésimo docudrama (subgénero hibrido que Portugal necessita acima de tudo renovar).

Seguindo de viagem para a Aldeia Branca, região no centro brasileiro, Salaviza filma a tribo Krahô, em especial atenção o jovem “pai de família”, Henrique Krahô. Mas até aqui o realizador, em conjunto com a estreante Renée Nader Messora (que trabalhou como assistente de realização em Montanha), demarca-se do ensaio antropológico. Não lhes interessa o documento de registo, mas sim o ativismo. A dupla preenche a trama de um índio perdido em terra de “Brancos” com ficção, passo atrás do então invocado realismo, passo à frente no misticismo tropical, o mundo invisível que estes indígenas temem e admiram. E sob esse olhar estrangeiro, mesmo o de Messora, que no fundo é uma “estrangeira” no seu próprio país, este que pertence à ancestralidade dos que vivem de acordo com a Natureza, que Chuva e Cantoria na Aldeia dos Mortos defronta-se como um silencioso pedido de luta.

A luta que se encontra à beira da ebulição pela deriva do nosso protagonista num mundo que não lhe pertence, o oásis “civilizado” em terra selvagem, onde o pastor prega o seu sermão em cada esquina, onde a glorificação do vaqueiro, o sertanejo e da masculinidade patriarcal estão presentes nas ruas e a discriminação “normalizada” que atravessa no seu caminho (“Krahô? Não. O teu nome de Branco?” pede a enfermeira durante o ato de preenchimento do formulário médico).

São lutas que ganham dimensão durante a narrativa mas que perdem força perante o real, o mundo que vivemos, cada vez mais perto e cada mais longe. Com isso, Krahô pede ajuda aos espíritos de outros tempos, talvez esse podem ajudá-lo a reencontrar o seu caminho, por entre a densa selva.

O filme é só uma parte de algo maior. Salaviza e Messora sabem perfeitamente disso. A luta pela dignidade indígena continua.

Hugo Gomes

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