Ana Moreira fala de Amor Amor: "A minha personagem não é trágica" - C7nema
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Ana Moreira fala de Amor Amor: "A minha personagem não é trágica"

Longe vão os tempos de Os Mutantes, filme que deu a conhecer ao público um dos grandes nomes do panorama atual da interpretação. Ana Moreira, a jovem que nesse filme acabava numa casa de banho numa situação verdadeiramente dramática, foi aos poucos consolidando a sua carreira, participando em filmes de cineastas como José Fonseca e Costa (O Fascínio), Margarida Gil (Adriana), João Botelho (A Corte do Norte; Filme do Desassossego; Os Maias), Miguel Gomes (Tabu) e a já implícita Teresa Villaverde, com quem ainda filmou Transe.

Com Jorge Cramez, participou em curtas (Venus Velvet; Nunca Estou Onde Pensas Que Estou) e Longas (O Capacete Dourado), protagonizando agora este Amor Amor, filme do cineasta português onde desempenha o papel de Marta, uma mulher que suscita várias paixões dentro de um grupo de amigos mas que não consegue o amor daquele que mais deseja: Jorge (Jaime Freitas).

Como se preparou para esta personagem "trágica"...?

Esta personagem não é trágica. Primeiramente, eu conheço este guião há muito tempo. Já é a segunda vez que filmo com o Jorge Cramez. Primeiro fizemos uma longa-metragem que se chamava o Capacete Dourado, há coisa de dez anos atrás, e quando estávamos a terminar esse filme o Jorge falou-me desta história, deste guião, e havia a possibilidade de eu interpretar uma das personagens, na altura, mais novas. Entretanto 10 anos passaram-se, nós todos crescemos e ganhamos mais juizo, espero eu, e quando se voltou a falar do Amor Amor e quando fiz a audição rapidamente percebemos que já não dava para eu interpretar uma das personagens mais novas e que, se calhar, estava na boa altura de eu fazer a Marta.

É um guião cujas personagens eu já conhecia muito bem e é um privilégio voltar a trabalhar com o Jorge e, de alguma forma, repetir um realizador, o que faz que seja muito mais facil a comunicação e o entendimento, perceber o que é que o realizador pretende. O que é que ele quer, o que é que ele não quer, porque cada realizador é um Universo singular; cada um com o seu conjunto de referências e histórias e bagagem emocional.

Além disso, eu e o Jorge conhecemos-nos há muito tempo, também através de outras rodagens, outros trabalhos. Já temos um longo percurso, uma cartilha de vida juntos profissionalmente. Foi, de alguma maneira, muito fácil entrar nesta personagem, neste Universo do Jorge, neste conjunto de amigos

Acrescentou alguma coisa à Marta, discutiu com o Jorge sobre ela?

Sim, na medida em que o texto foi reescrito várias vezes ao longo destes anos, mas durante os ensaios houve uma leitura em conjunto com alguns dos atores; uma leitura completa do guião. Fizemos as nossas questões, demos as nossas ideias e o Jorge é muito aberto a isso. O Jorge, como realizador, gosta muito de atores e é muito aberto às sugestões. Ele confia muito nessa colaboração. Aliás, ele quer mesmo que se acrescente algo às personagens que ele escreve e inventa.Por isso, nesse sentido sim. Mas o Jorge também me conhece muito bem, por isso ele sabe e espera que eu entregue alguma coisa durante o filme, durante a rodagem.

Cada uma destas personagens tem especificidades muito grandes. Estive a conversar com o Nuno [Casanovas] e ele disse-me que a personagem com que se enquadra mais na sua maneira de ser era com a personagem da Margarida [Vila-Nova]...

[Risos]

A Marta é a personagem que a Ana mais se identifica ou dentro deste naipe de personagens há alguém com quem partilhe mais similaridades na sua maneira de ser?

Dentro deste naipe de personagens... acho que me identifico com um bocadinho de todos. A personagem da Margarida é deliciosa, com toda a sua liberdade, espontaneidade e até alguma perversidade, sem maldade. É deliciosa nesse aspeto. A inocência do irmão do Guilhermo Moura, que faz o irmão da Lígia, também é interessante.

Acho que tenho um bocadinho de todos. Não me encontro enclausurada numa só definição destas personagens. E todas elas começam de uma maneira e acabam de outra. Por isso, à sua forma, cada uma delas libertam-se daquilo que eram antes durante a ação em que se desenrola o filme, que é só o dia até ao fim do ano. Elas próprias voltam-se a descobrir de outra maneira.
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Essa gímnica de tudo ocorrer durante um dia exige dos atores um cuidado especial para não haver diferenças nas próprias personagens. Isso afeta, influi muito no trabalho do ator?

Afecta, claro que afecta. É algo que tens de ter em conta. É diferente. Quando tens um filme em que são vários dias de ação e normalmente as coisas não são filmadas em continuidade , tens de pensar onde é que estás nesse dia da ação. Se estás mais para trás, uns dias mais para a frente. Tens de avançar e recuar no tempo e tens de fazer isso com a personagem. Aqui é o mesmo caso só que no espaço de horas. Não tens de em dias, tens de pensar em horas mais à frente. E ainda por cima com o acréscimo de como se passar tudo no ambiente envolto de festa e pela madrugada a dentro. Tens de pensar no cansaço, na fadiga e em todas as questões emocionais que as personagens atravessam.

Quanto a outros projetos, tem mais alguma coisa agendada? Sei que tem o Fátima...

Tenho o Fátima, um filme que não sei se já estará pronto. Foi feito cá com a Sonia Braga e o Harvey Keitel e onde tenho uma pequena participação. Mas agora vou ter dois espectáculos no Porto para apresentar, um com o encenador Luis Mestre, e outro com o Joclécio Azevedo. Um será mesmo um texto teatral, uma peça de teatro. O outro será um objeto coreográfico. Vai ser um desafio para mim. Foi um convite que me foi lançado e que estou entusiasmada.

Agora vem aquela pergunta que os atores normalmente não gostam de responder. Teatro, Cinema ou TV? O que puxa mais por si...

Eu gostava de poder trabalhar assiduamente em todos os suportes, porque são maneiras muito diferentes de trabalhar. No entanto, o Cinema é o que tem surgido mais. Por que sim. Não há nenhuma razão. Tenho pena que televisão não surja mais. Ás vezes falta oportunidade, ou disponibilidade. Mas... no fim, no fim, no fim.... tenho de dizer o Cinema.

Mas então não tem nenhum projeto no Cinema já agendado para este ano?

Há, remotamente. Eu não gosto nunca de falar sem ter os contratos assinados, mas posso acrescentar que este ano realizei a minha primeira curta-metragem, com o apoio do ICA, que terá a sua estreia por altura do verão.



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