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Entrevista a Luisa Sequeira, realizadora de «Quem é Bárbara Virgínia?»

Uma das propostas mais curiosas do DOCLisboa 2017 foi «Quem é Bárbara Virgínia?», um documentário sobre a primeira mulher a realizar um filme em Portugal, na década de 40, e a qual foi também o primeiro português (sim, em termos absolutos) a apresentar um filme em competição em Cannes, em 1946, Três Dias sem Deus, do qual restam 26 minutos sem som.

O c7nema falou com Luisa Sequeira, jornalista, mentora do Shortcutz Porto e apaixonada do Cinema Português que agora também se aventura na realização.

Como surgiu a aventura de fazer um documentário sobre Bárbara Virgínia?

Estava a trabalhar num projeto sobre a mulher no cinema português. Uma das pioneiras na realização foi Bárbara Virgínia e quando soube que estava a viver no Brasil, decidi de imediato que tinha de estar com ela, falar com ela... Começou logo aí a ideia de fazer um documentário sobre a realizadora. Quem é esta mulher? Como foi fazer um filme na época da ditadura? Porque foi para o Brasil? Tinha muitas questões...

Foi um processo demorado. Que contratempos encontraste?

Sim, demorou algum tempo... desde a tentativa de encontrar a realizadora até chegar a São Paulo e depois todos os contratempos e vicissitudes da viagem...
Apesar de todas as dificuldades e desafios próprios de qualquer filme documental, foi um trabalho que contou com a colaboração de muitas pessoas com uma enorme generosidade .


Quem é Bárbara Virgínia?


Surpreende-te que a maioria das pessoas, mesmo ligadas ao cinema, desconhecem a Bárbara Virgínia?

Não me surpreende, infelizmente o trabalho da Bárbara não está referenciado em muitos livros nem publicações... Mas felizmente, nestes últimos dois anos têm surgido mais trabalhos sobre a realizadora, principalmente no meio académico.

A história da Bárbara foi esquecida, assim como a história de muitas outras mulheres... Bárbara Virgínia protagonizou a longa-metragem Três Dias sem Deus com apenas 22 anos, em 1946 esteve na seleção do 1ª edição do festival de Cannes, além de ser a única mulher a realizar uma longa-metragem na altura da ditadura. Não nós podemos esquecer que Portugal era uma sociedade machista e patriarcal, na altura nem todas as mulheres podiam votar, nem podiam viajar sem autorização do marido ou dos pais...

O filme estreou em simultâneo em Lisboa e em São Paulo, em grandes palco do documentário. O que se segue para o projeto?

Sim, vai estrear no doclisboa dia 25 de ouubro e logo depois, dia 27 na Mostra de São Paulo, duas cidades que fazem parte da história de Bárbara Virgínia.

Achas que há um novo cinema português? Sentes-te parte dessa nova geração?

Existe um cinema português muito particular, com poucos meios temos realizadores a fazer excelentes filmes, com uma grande projeção internacional. Mas é difícil fazer cinema, conseguir apoios, colocar os filmes nos festivais mais indicados e depois existe a distribuição dos filmes no circuito comercial em Portugal. Ainda temos um longo caminho de formação de públicos. Sinto-me parte da geração que gosta de cinema português, que vê cinema português e que tenta fazer filmes...

O que vem a seguir?

Estou em trabalhar em vários projetos... Neste momento estou a realizar com o artista Sama o documentário "Nada a temer", um filme urgência sobre o absurdo que está a acontecer no Brasil, um atentado à democracia e a liberdade de uma população que foi vítima de um golpe. Também estou a produzir um filme com a Luisa Marinho e a Ana Luísa Amaral sobre As Novas Cartas Portuguesas.

 



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