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Diretora do Fantasporto: “12 anos de Rui Rio destruíram a cultura no Porto”

Beatriz Pacheco Pereira, uma das diretoras do Fantasporto, que está a decorrer desde o dia 20 de fevereiro e termina dia 5 de março, não poupou críticas ao ex-presidente da Câmara do Porto – numa altura em que um dos mais tradicionais festivais de cinema portugueses sofre para sobreviver. Em conversa com o C7nema, ela criticou ainda a disparidade na distribuição de fundos para festivais ("Lisboa come os fundos todos e não sobra nada para o resto do país") e relembra que o Fantas "nunca foi um festival de terror. Essa é uma ideia errada".

Lisboa e os fundos para festivais

"O apoio estatal aos festivais de Lisboa cresceu muitíssimo nos últimos anos e muitas vezes eles têm as despesas pagas pelas autarquias, para além de outras benesses e, claro, uma população de 3 milhões de habitantes. Só artificialmente se aguentam, pois um festival é uma estrutura complexa, precisa de uma série de requisitos. Em Lisboa há muitos festivais que existem e estão a comer todos os recursos para eventos do país. Além disto, quando a Câmara de Lisboa deixar de apoiar estes festivais eu não sei se eles serão sustentáveis.

No Porto a coisa é muito diferente.  Aqui assistimos a destruição de quase todas as salas de cinema da Baixa e restaram em atividade um cinema pornográfico, o Coliseu e o Rivol". Há uma tentativa de reativar o Trindade. O Batalha está espera de recuperação arquitetónica há anos." 

A destruição da cultura no Porto

"É evidente que foram muitos anos de apatia por parte do presidente da Câmara. O Rui Rio tinha uma posição muito estranha em relação à cultura. Ele disse que sempre que lhe falavam em cultura "pego na calculadora" – e quem diz isso publicamente certamente não está interessado em cultura.

Durante os 12 anos que esteve na Câmara morreram companhias de teatro, festivais, as pequenas companhias teatrais desapareceram quase todas, havia um festival grande de música celta, outro de jazz, tudo desapareceu. Também havia um ligado ao teatro marionetes que está muito enfraquecido.

Antes houve o Porto 2001, uma grande oportunidade perdida, havia a raiz para várias coisas que podiam ter evoluído e nada foi à frente. Só restou a Casa da Música."

Lutando por "coisas ridículas"

"Quando não há uma política é escusado pensar que os independentes têm uma vida fácil. O Fantasporto foi escapando à mudança das autoridades tutelares, há um empenho de resistência, de teimosia, de lutar contra ventos e marés, que eu creio que já não existe essa necessidade em Lisboa. Não precisam de lutar, têm tudo. Nós precisamos lutar por coisas ridículas, como uma passadeira vermelha que, aliás, não nos deixaram pôr em frente ao Teatro Rivoli."


O Rivoli volta a ser a casa do Fantasporto

Prestígio internacional... mas sem patrocínio

"O Fantasporto é simbólico porque nasceu na cidade e saiu para o mundo e agora é o mundo que vem ao Porto. E é simbólico também porque eu sei que temos uma grande projeção internacional. Agora isso tem de ser mais realista. Não adianta ter prestígio se não tivermos patrocinadores. Há três anos que temos problemas para arranjar patrocínio. A Unicer há 30 anos que é o nosso patrocinador mas foi baixando muito. Não tem nada a ver com o que já foi."

"Nunca fomos um festival de cinema de terror"

"É uma ideia falsa pensar que somos um festival de cinema de terror. Nós nascemos ligados ao fantástico, foi sempre muito amplo. Nos primeiros anos passamos animação, ficção científica, recusamos terror. Fomos integrando este género porque pertencíamos à Federação do Cinema Fantástico e começamos a passar alguns dos seus filmes.

Já em 1991 nós inventamos a Semana dos Realizadores, algo inédito para um festival de género, e nos tornamos mais generalistas. Tentamos seguir os filmes, não exatamente as modas no sentido de dar ao púbico o que seria mais fácil.

Houve muitas pessoas que estranharam. Ainda hoje há muita gente que insiste em nos chamar Festival de Cinema Fantástico do Porto quando nós, de facto, somos há mais de 20 anos o Festival de Cinema do Porto. O único critério é a qualidade. O fantástico está na matriz e no nome, mas nós já não estamos restritos a esse nicho há muito tempo."

Cinema do nosso tempo

"Continuamos a ter cinema fantástico, até porque temos uma competição. Há, por exemplo, The Evil Within, um excelente filme de terror. Mas a preocupação maior foi trazer filmes que abordassem problemas concretos – daí este ano termos o tema 'cinema do nosso tempo'. Trabalhos como The Net, por exemplo, que é de um realizador consagrado (Kim Ki-Duk), abordam o problemas das duas Coreias, enquanto o brasileiro A Repartição do Tempo, que é um filme que vale a pena ser visto, é sobre a burocracia e o funcionalismo público."



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