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Jia Zhang-Ke: "será que o entretenimento diverte?"

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Numa altura em que Se as Montanhas se Afastam já faz carreira em sala, introduzimos esta conversa com Jia Zhag-ke, possivelmente, o cineasta chinês mais forte da atualidade, da chamada Sexta geração do cinema chinês. Uma entrevista tornada possível por Jia este se encontrar no 64º Festival de San Sebastian a acompanhar a sua nova curta, o documental The Hedonists, exibida na secção Zabaltegi, a mesma onde o português João Pedro Rodrigues concorreu com O Ornitólogo.

Esta inesperado registo de 26 minutos sobre a nova China, mostra um grupo de mineiros foliões de Shanxi, a sua cidade natal, numa altura em que procuram trabalho. De resto, a presença de Shanxi é personagem habitual nos seus filmes, como sucede por exemplo, mas não só, em Se as Montanhas se Afastam.

Uma entrevista naturalmente mais curta, devidamente filtrada pela tradução para castelhano. Mas com a particularidade de quebrar a seriedade quando testámos o seu conhecimento do cinema português. Duas palavras proferiu a sorrir: Pedro Costa! E acrescentou em inglês: gosto muito dos seus filmes!

Falemos um pouco de The Hedonists, o tal filme sobre os mineiros foliões. Mas uma alegria com um fundo triste, certo?...

Sim, o filme aflora a crise no setor da indústria, em particular, as minas, muitas delas prestes a fechar. Eu coloco três mineiros de idade avançada à procura de trabalho. Pode parecer uma história absurda e ao mesmo tempo cómica, adverte, mas tem um conteúdo mais humano sobre as dificuldades de sobrevivência de muitos habitantes.

Se as Montanhas se Afastam

De certa forma, este tema não é sequer novo na sua filmografia. O que mudou agora?

Já havia tratado este tema de uma perspetiva mais séria, mas o que muda agora é que dei um toque de humor. Penso que fará até o espectador pensar de uma forma mais séria o problema da indústria. O que procuro fazer é mostrar as alterações que se têm verificado na China. E de diferentes pontos de vista. Nesta história em particular procuro ilustrar o ambiente de entretenimento, algo popular na China, por vezes a roçar o absurdo, o ridículo. Sente-se que toda a gente está à procura da diversão, a tentar ser feliz, mesmo que muitos deles continuem pobres e a sofrer bastante. Por isso não sei o que pensar: será que o entretenimento diverte?

Sim, na verdade, é uma questão a refletir. De certa forma, Se as Montanhas se Afastam existe também uma certa euforia. Pela mesma razão?

Fiz esta escolha porque reflete um pouco a minha idade. Quando realizei o filme já tinha mais de 40 anos. É uma idade em que estamos já a tentar voltar ao passado, solucionar questões do passado. Mas é também nessa altura em que já temos alguma experiência da vida. Quem sabe se no futuro não estaremos a tentar resolver as questões do presente?

Não me lembro de ver o futuro abordado no seu filme. O que o motivou?

Esta foi a primeira vez que abordei o futuro nos meus filmes. Talvez um tema que possa voltar a abordar de novo. Para mim o tempo permite-nos pensar sobre a nossa vida, perceber o desenvolvimento de uma forma sistemática. Parece-me também interessante fazer uma ligação com o que filmava antes, perceber todas essas mudanças e nuances. O passado e o presente. Tenho muito material que nunca editei. São mudanças que me interessam muito.

The Hedonists

Se as Montanhas se Afastam começa mesmo em tom feérico, com os Shop Boys, em Go West... Alguma razão especial a escolher esse tema?

O filme começa em 1999. Quando estava a escrever o guião interroguei-me do que motivava os jovens, que música ouviam nesse. Descobrir que foi o ano em que surgiram as discotecas a música nocturna, os grupos de baile. Nessa altura, nas discotecas o tema Go West era quase um hino nacional.

A sua filmografia parece acompanhar de alguma forma a carreira de Zhao Tao (são casados de 2012). Como encara o seu trabalho como atriz. Tem planos para ela?

Tenho mais dois filmes que vou fazer com ela.

Podemos saber do que se trata? E quando estreiam?

Um filme é de artes marciais, passado em 1905. Trata do tema da educação, mas em que começam a surgir os primeiros valores de educação ocidentais. O outro tem a ver com a vida dela e tenho muito material em arquivo que ainda estou a editar. Não têm título nem data de estreia.

Conhece o cinema de Portugal. O que mais lhe interessa?

Pedro Costa (risos) Gosto muito dos seus filmes.

Se as Montanhas se Afastam



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