José Magro, é mais um jovem realizador saído da faculdade e à procura de singrar. Natural do Porto e com 22 anos, apresentou-se no Córtex como realizador de Teles (uma das curtas que mais agitou a audiência) e ainda foi o diretor de fotografia de Um Rio Chamado Ave. O futuro apresenta-se como um infinito de possibilidades promissoras.
Como tem sido a resposta das pessoas à tua curta-metragem?
Até agora a curta tem tido um bom feedback. Já andou a correr festivais e as opiniões, em volta do filme, têm sido muito boas. Já andou pelo DocLisboa, o Panorama, um festival de cinema em Pequim e as curtas de Vila do conde.
De onde surgiu a ideia para falar do Sr. Teles? Como é que ouviram falar dele?
A ideia surgiu, quando eu e uns amigos estávamos no campo de futebol do clube da terra. De repente, deparamo-nos com aquele senhor, o Teles. Foi engraçado, porque quando o vimos pela primeira vez, ele estava a gritar com uns miúdos. Tinha uma atitude engraçada. Para além disto, a profissão dele (marcador de linhas do campo de futebol), é uma profissão invulgar e que poderia ser gira de retratar. Assim aconteceu.
Como é que conseguiste que ele se abrisse tão espontaneamente e naturalmente para a câmara?
Conseguir que ele falasse de forma aberta foi fácil. O senhor Teles é um homem que vive sozinho, não tem amigos. É gozado por toda a gente. Bastou que alguém que lhe desse atenção e o ouvisse, para ele se mostrar totalmente. Pouca gente terá feito o que se fez, ouvimo-lo, deixamo-lo contar as suas histórias. Dessa forma, foi fácil que ele se sentisse confortável a relatar o seu dia-a-dia, daí talvez o realismo.
Teles
Em relação a projectos para o futuro. Tens alguma coisa programada?
Em termos de projetos futuros, em dezembro, ou janeiro, penso começar a rodar uma nova curta-metragem, para o mestrado na Católica. Conto terminá-la por volta de maio. Ao contrário deste, será uma ficção, mas mais ainda não posso adiantar, porque também ainda não sei (risos).
Nunca te ocorreu fazer uma longa-metragem, em vez de uma curta?
Não posso queimar passos. Uma curta é muito mais fácil de fazer do que uma longa. Uma longa requer experiência, que eu acho que ainda não tenho. Quero fazer o meu caminho lentamente. Sei que se fizesse agora uma longa, provavelmente iria-me “estampar“. Para além disso, fazer uma longa custa dinheiro, coisa que é difícil arranjar. Para esta curta tive apoio do ICA (instituto português do audiovisual), mas foi algo irrisório.
O que é que mais te atrai na realização de filmes?
Eu acima de tudo, gosto de contar histórias. Gosto imenso de escrever e é bom depois ter um feedback positivo das pessoas. Uma das minhas preocupações nos filmes e que me retira imenso tempo, é a parte da fotografia. Gosto muito dessa parte, mas talvez me esteja a focar demais na parte visual. Se calhar, na minha próxima curta vou dar mais ênfase à história e não tanto à excessiva preocupação com a parte visual e a fotografia.
Qual é a tua opinião em relação a este festival?
O Córtex é fantástico. O último ano tinha talvez um cartaz ainda mais forte, com curtas como Arena do Salaviza, que acabou por nem ganhar. Consegue sempre juntar os melhores títulos nacionais e serve de mostra para muitos jovens realizadores. Pena é o pouco público que por vezes se vê aqui.

