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5 perguntas a Pablo Larraín sobre «Não»

 

Vimos o filme faz agora quase um ano, na estreia mundial em Cannes de 2012. E falámos com o realizador no dia seguinte, ainda com o sono em atraso para acabar o filme. Curiosamente, foi precisamente em Cannes, em 2008, que foi sugerido a Larraín este projeto. Adaptado de uma peça teatral, de Antonio Skármeta, e trabalhado pelo guionista Pedro Peirano e produzido em parceria com o irmão de Pablo, Juan de Dios Larraín. Um filme sobre o referendo chileno que parece estar a olhar para a nossa realidade. Por isso mesmo, uma justa abertura para o Indie Lisboa. E atenção a Larraín, pois é já uma das maiores promessas do continente sul americano.


Foi um projeto difícil de concretizar? Pelo menos sei que levou algum tempo...

Sim, levou muito tempo a concluir o guião. Tivemos de falar com muitas pessoas que estiveram envolvidas de com pessoas que fizeram esta campanha.

É seguramente um momento político vital para o Chile.

Completamente. É enorme, a par da independência será dos dias mais importantes da nossa história. Por isso, no início foi muito difícil. Até porque muitas pessoas que estiveram envolvidas estão vivas e a trabalhar. Quando lidamos com este tipo de coisas estamos sujeitos a muitas opiniões. Algumas pessoas com quem falei estavam até um pouco nervosas porque os meus filmes anteriores são mais negros. Tinham receio dessa história. As pessoas que fizeram essa campanha ficaram muito conhecidas e respeitadas. Depois deste trabalho fizeram umas dezenas de campanhas em todo o mundo. Por isso tivemos de os convencer porque precisávamos deles.

Não teve dúvidas em usar o suporte de vídeo?

Não porque era o que usavam naquele tempo. Usar alta definição seria desvirtuar o original. Podíamos ter rodado em qualquer formato. É claro que os investidores tiveram algum receio. Agora não sei o que dizer porque vi apenas o filme ontem à noite. E tenho agora as primeiras reações.

Depois desta trilogia, sente que concluir um tema importante na sua filmografia e na vida do Chile?

Fiz uma trilogia sem saber que a iria fazer. Comecei com um filme e depois outro. Quando este filme surgiu como projeto percebi que poderia funcionar como uma trilogia. Mas acabou. Agora vou fazer outras coisas. Mas foi interessante para mim, porque na altura era ainda muito jovem e permitiu-me olhar para este regime de uma forma diferente. Estou satisfeito com os filmes e feliz por os ter feito.

O que despertou o seu interesse para este filme? Lembra-se desta campanha?

Sim, claro. Todos os chilenos com mais de 30 anos se lembram. Eu tenho 35 e na altura tinha 15. Foram 27 dias de campanha e durante 15 minutos por dia.

Quando começava, todo o país parava. Não havia ninguém nas ruas. Como se fosse o Campeonato do Mundo de Futebol. Foi criada uma consciência com esta campanha e um dos movimentos mais inteligentes na história da América Latina.

Agora quando olha para trás, como avalia o que foi alterado?

A questão é que o Pinochet impôs um sistema económico feroz. Era o capitalismo e a economia estava forte, as pessoas tinham dinheiro. Mas depois, um tipo que veio do marketing foi o que criou um sistema para o depor. O mais interessante é que não estamos a falar da ditadura, mas o que passou nos 24 anos seguintes. A lei é a publicidade e o marketing. O meu país é um centro comercial. Temos de pagar pela educação, saúde. Está tudo à venda. É o dinheiro que manda. Hoje em dia, as pessoas ricas estão muito ricas e as pobres, muito pobres. A classe média é muito reduzida.



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