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Entrevista a Delphine e Muriel Coulin, realizadoras de «17 filles» (17 Raparigas)

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(Texto originalmente publicado em 2012)

 
Estávamos em 2008 quando num liceu do Massachusetts, nos EUA, 17 adolescentes anunciam que estão grávidas. O valor era extremamente elevado para a média de um universo de 1200 alunos. 
 
Imediatamente, os adultos acusaram filmes como «Juno» e «Knocked Up» por promoverem o facilitismo do acto da gravidez. Porém, havia algo por trás. Um grupo de alunas decidiu executar um pacto de engravidarem e criarem, com a ajuda umas das outras, em estilo comunitário. As crianças.
 
Acaba por ser curioso que a adaptação desta obra ao cinema surja num filme francês. Este não é um caso único e basta lembrar que o filme alemão «A Onda» era inspirado num caso também passado numa escola dos EUA.
 
Com a acção transposta para a cidade costeira de Lorient, seguimos assim Camille, uma jovem de 16 anos muito popular na escola. Quando ela descobre que engravidou após um caso de uma noite, ela toma as suas amigas como confidentes, antes de contar a verdade à mãe. Após diversos debates, as amigas decidem engravidar também, apoiando-se assim umas às outras numa decisão que vai deixar os adultos completamente petrificados. E é curiosa à forma como a pressão social entra aqui em campo.
 
Na sua essência, é um filme sobre adolescentes, sobre a ingenuidade, a pressão social e lealdades mal medidas, de jovens que estranhamente apenas querem ser adolescentes e se divertir e que encaram a gravidez como uma forma disso mesmo.
 
O c7nema teve a oportunidade de falar com Delphine e Muriel Coulin enquanto, realizadoras e argumentistas desta obra, parcialmente inspirada nos factos reais. Aqui ficam as suas palavras.
 
 
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«Se tivéssemos filhas daquela idade, e se eles ficassem grávidas, procuraríamos ajudá-las naquilo que fosse preciso»
 
 
O filme é inspirado num caso real passado nos EUA em 2008. Quando se escreve sobre algo baseado em factos reais, tem de haver muita investigação. Como foi o processo de adaptar o filme ao cinema?
 
Isso é que é interessante em sermos duas: nós dividimos o trabalho. A Muriel tinha a tarefa de encontrar tudo o que havia sobre o facto real (artigos, documentários), e eu não tive de ler nada. Assim, podemos construir o guião ligado ao facto real mas deixar muitas coisas dentro da ficção. No final, o que é real é o facto e as razões, mas personagens são completamente fictícias.
 
Se fossem as mães de aquelas raparigas como iriam reagir a este pacto de gravidez?
 
Se tivéssemos filhas daquela idade, e se eles ficassem grávidas, procuraríamos ajudá-las naquilo que fosse preciso. Nos encontros que tivemos com médicos e assistentes sociais que se ocupam de jovens grávidas, constatámos que eles sabem o que é melhor para estes jovens.
 
Como foi trabalhar com um elenco tão jovem?
 
O casting foi muito longo, aproximadamente 9 meses, e nesse espaço de tempo tivemos a avaliar mais de 600 raparigas. Foi muito rica a experiência, emocionante encontrar estas raparigas entre os 15 e 19 anos, completamente diferentes no corpo, na voz, no estilo.
 
No final, ficámos felizes pelas 17 jovens que escolhemos. Este foi um trabalho muito particular, pois a maioria destas jovens não eram profissionais e não podíamos trabalhar com elas como fazemos com actores profissionais. Pedimos para elas estarem connosco três semanas antes do inicio das filmagens para que se conhecessem melhor entre elas e ficassem em perfeita sintonia connosco. Criámos um universo antes mesmo de filmar a obra.
 
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Que cineastas vos inspiram mais?
 
Os realizadores que nos inspiram mais são aqueles que tentam captar as sensações e reproduzi-las: de Kore-Eda Hirokazu ("Nobody Knows") a Edward Yang ("Yi-Yi"), passando por Lucrecia Martel ("La Cienaga") e Naomi Kawase ("Moe no suzaku").
 
E como foi a experiência de levar o vosso filme até Cannes?
 
Foi formidável a obra ser seleccionada para Cannes. Nós tínhamos terminado o filme três semanas antes e a escolha do nosso filme foi uma surpresa muito boa. As primeiras pessoas a ver o filme, para além de nós e da equipa do filme, foram os responsáveis da Semana da Critica em Cannes, e o seu entusiasmo galvanizou-nos. Depois, estar em Cannes com seis actrizes do nosso filme foi um momento fabuloso. Estávamos conscientes de lhes dar um presente extraordinário, e penso que elas também. Foi verdadeiramente encantador.
 
Temos os irmãos Coen, os Wachowskis e muitas mais parcerias entre irmãos no cinema, nos dias que correm. Vão continuar a trabalhar juntas ou cada uma vai seguir o seu caminho no futuro?
 
Sim, podem nos chamar as irmãs Coulin ! Mas cada uma de nós tem o seu campo de acção individual. A Muriel realiza documentários, eu escrevo romances, mas quando nos juntamos fazemos filmes de ficção.
 
Já têm algum novo projeto em mente?
 
Estamos a escrever o nosso próximo projecto entre dois festivais. Não é muito prático, mas é óptimo conhecer pessoas e públicos variados… de Montreal a Mumbai. E «17 Girls» estreia em Dezembro em França. 
 
 
 
 


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