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Jennifer Lawrence só conseguiu aguentar 3 minutos de «Phantom Thread»

A ronda de entrevistas por ocasião do lançamento de Red Sparrow (A Agente Vermelha) ameaça já tornar-se mais memorável que o filme em si. 

Apenas uns dias após ter revelado que saiu da escola aos 14 anos para perseguir a tempo inteiro a carreira de atriz, Jennifer Lawrence revela agora só ter aguentado 3 minutos de Phantom Thread (Linha Fantasma), o novo filme de Paul Thomas Anderson, pedindo ainda assim desculpa a todos os que amaram o filme. "Será apenas sobre roupas? Será ele um tipo de narcisista sociopata, e ele é um artista, portanto todas as raparigas se apaixonam por ele porque ele as faz sentir mal com elas mesmas e essa é a história de amor toda? Não vi, portanto não sei. Já viajei por esse caminho, por isso sei como é - não preciso de ver aquele filme". 

Após esta declaração, e tendo em conta que tanto em Phantom Thread como em mother!, temos dois artistas narcisistas e as musas que eventualmente os suportam, e que Jennifer Lawrence viveu um romance na vida real com Darren Aronofsky, o realizador do filme que protagonizou no ano passado, ficou desde logo tanto a ironia de Lawrence não ter aguentado um filme quando conseguiu aguentar mother! - de temática semelhante mas execução mais extrema, e a suspeita que a atriz estaria a falar do próprio Aronofsky na última frase do parágrafo anterior.  Lawrence clarificou que não era sobre Aronofsky a última parte. 

Phantom Thread está nomeado para 6 Oscars, incluindo para Melhor Filme e Realizador, e para bem do seu sucesso no próximo domingo, é bom que não hajam tantas pessoas em Hollywood a pensar como Jennifer Lawrence. O filme encontra-se atualmente em cartaz.

«Newness» por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

 

Vivemos numa era de infinitas possibilidades, dizem-nos. No que toca a encontrar alguém que nos satisfaça, então, deixou de ser preciso de se sair de casa, para buscar um catálogo de avatares disposto a trocar conversa, imagens, localização, e sexo - virtual ou físico. Paradoxalmente, este excesso de oferta, este excesso de promessas de "intimidade" conduziu a uma crise do romantismo clássico - i.e. aquele vivido sobretudo no último século e meio, alimentado obviamente pela própria (sétima) arte: quando o amor está à distância de um movimento de polegar no telemóvel, para quê aguentar o aborrecimento ou o mínimo desentendimento de uma relação monogâmica dita tradicional?  

O realizador norte-americano Drake Doremus, graduado pela escola de Sundance, parece disposto a fazer carreira a cronicar vidas de casais jovens millennials. Começou por relatar uma primeira relação romântica tragicamente posta à distância que aparentava ir buscar ao seu próprio passado (Like Crazy), para depois evoluir para um futuro onde a demonstração de amor é proibida (Equals). Neste seu último Newness, não é que o amor seja proibido per se, mas este presente, que é claramente o nosso, não saberá já bem sequer distinguir o que possa isso ser a longo prazo. Os corpos deambulam pela grande cidade, em encontros consecutivos ao longo de uma noite, para depois voltarem às apps e retomarem a rotina nos dias seguintes.

O objetivo passa por distrair a atenção, e nunca tivemos a nossa atenção tão dispersa - se há algo para classificar este novo século pós-redes sociais é "crise de atenção". Parece ser esse o calcanhar de Gabi, uma jovem de raízes espanholas que vive pela excitação da novidade; um dia, encontra Martin, um outro jovem, entretanto já divorciado de um casamento curto. O plano inicial acaba por ser uma noite de convívio, longe do sexo rápido que ambos estão acostumados. Eventualmente, Martin convida-a para casa, e, no espaço de uns quantos encontros, oferece-lhe a chave para viver lá. Um romance típico parece florescer, que parece selado quando ambos decidem desinstalar a app de engate ao mesmo tempo, mas claro, não será tão fácil... 

Nos papéis deste casal estão Nicholas Hault (que já tinha sido o protagonista de Equals) e Laia Costa (Victoria), dotados de uma forte química no ecrã, e capazes de fazer valer os destinos por vezes questionáveis das suas personagens. Só por eles, valeu o investimento. Já Doremus, almeja claramente fazer aqui um filme que defina o "zeitgeist", um "Sexo, Mentiras e Tinder" por assim dizer (onde não falta até uma banda sonora minimalista/ambiente, com um tema proeminente), mas sai longe da marca seminal do filme de Soderbergh, que basicamente foi o pai do género "Sundance" (e portanto, o seu pai espiritual). Falta-lhe síntese, e um maior/melhor propósito - o filme dura duas horas, e mesmo assim, sentimos que a melhor exploração ficou na primeira metade, quando efetivamente, sob uma montagem ambígua, se hiperativa, o filme se torna um retrato fiel deste tempo frenético e frágil, e dos nossos comportamentos repetitivos e sem especificidade, simplesmente em busca de algo que nos faça temporariamente menos sozinhos (o copy paste de mensagens como "O que vais fazer esta noite" é particularmente emblemático).

Efetivamente, há decisões demasiado previsíveis também. O final, aparentemente otimista, questiona acima de tudo como é que um casal que sempre se aborreceu a partir do segundo ato desta película, vai continuar a aguentar-se. É certo que acabei por aguentar bem um filme que também me aborreceu aqui e ali após essa marca. Dito isto, haverá melhores possibilidades ao virar da esquina, espera-se.   


André Gonçalves   

«I, Tonya» (Eu, Tonya) por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

Se rir é o melhor remédio, é também a melhor defesa.

Caso entre mãos: I, Tonya, película de Craig Gillespie. Durante a primeira hora e meia, este filme "reconta" a história da patinadora artística norte-americana Tonya Harding num tom satírico, começando desde logo por satirizar, de uma forma refrescante, o "baseado em factos verídicos" que tanto popula, sobretudo nesta altura do ano, as salas de cinema.

Há aqui um claro eco num marco dos anos 90, que até contava com uma patinadora como figura secundária, mas extremamente relevante para a narrativa de crime e castigo entre mãos: To Die For (Disposta a Tudo). Gillespie, que já tinha dado um sinal suficiente que poderia até chegar a esse pico de equilíbrio perfeito entre sátira e empatia traçado por Gus Van Sant com o anterior Lars and the Real Girl (no qual conseguiu o feito de transformar uma boneca sexual numa figura viva aos olhos do espectador), estatela-se ao comprido quando se trata de desenhar figuras humanas de uma história com traços carregados de realidade, o que é de si tão ou mais impressionante como o seu feito anterior. 

Sim, esta sátira, sobre violência humana cometida desde logo entre uma mãe e filha (impressionantes  Alisson Janney e Margot Robbie, no que têm a fazer com os seus "embustes" de personagens - embora tenhamos também que felicitar o trabalho de caracterização, outro potencial nomeável aos prémios da Academia), é rica em "partir pratos", e fraca em ambiguidade. Primeiro rimo-nos, depois começamos a ficar ligeiramente desinteressados. Trata-se aqui de um clássico caso de jogar à defesa 3/4 do tempo para não lidar de perto com a tragédia, e depois de repente, começar a querer colher os frutos de algo que nunca realmente atacou. A saber: a construção de personagens que não sejam elas próprias meros punchlines andantes.

Melhor (pior), é o filme não ter consciência das suas falhas. "Pensei que ser famosa ia ser divertido. (...) Depois fui odiada, e depois fui apenas uma punchline. Foi como ser abusada outra vez. Só que desta vez foi por vocês. Todos vocês. São todos os meus atacantes também." diz-nos a Tonya ficcionada no início do último ato, olhando diretamente para a câmara/espectador. Ou será para o realizador?

Com a introdução de uma narrativa mais séria estilo Scorsese (o FBI a chegar, enfim, toda a lista de procedimentos por esta altura imagináveis, vistos vezes sem conta...), o filme perde o fôlego inevitavelmente porque pede uma seriedade (e até um choradinho) de algo que não chegou a merecer, pois, de facto, passou ao lado dela a maior parte do tempo. A reter para a posterioridade o que fica? Uma seleção musical, essa sim, a merecer figurar no balanço de melhores do ano, e a maneira frenética e urgente como filma as sequências do ringue, se, ainda assim, seguras e centradas em close ups.

Com isto tudo, torna-se difícil recomendar I, Tonya, mesmo que, ultimamente, a sua bagunça seja também a bagunça de toda uma América, ontem e hoje.   

 

André Gonçalves

Conheça os 10 pré-nomeados ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais

Como vem sendo habitual, a Academia de Hollywood, antes de anunciar os nomeados efetivos para categorias mais "secundárias", revela uma lista de pré-candidatos. Aconteceu assim há dias atrás com os 9 pré-candidatos ao Oscar de Melhor Filme em Língua não Inglesa, os 15 pré-selecionados na categoria de documentário, e acontece agora com os Efeitos Visuais. 

Ainda na corrida estão, sem qualquer choque, Blade Runner 2049, Dunkirk, War for the Planet of the Apes (imagem acima), Star Wars: The Last Jedi e The Shape of Water. Estes serão aliás os nomes mais consensuais nas bolsas de apostas. 

Mais chocante será desde já a omissão de Wonder Woman do lote de "nomeáveis". Segue-se então "o top 10" ainda na corrida:  

Alien: Covenant
Blade Runner 2049
Dunkirk
Guardians of the Galaxy Vol. 2
Kong: Skull Island
Okja
The Shape of Water
Star Wars: The Last Jedi
Valerian and the City of a Thousand Planet
War for the Planet of the Apes

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