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Realizador de «Aloys» tem novo projeto

Depois do prémio recebido no último FEST, Tobias Nölle, o realizador de Aloys, vai trabalhar com a produtora alemã Pandora Film num novo projeto, que o próprio considera "um poético thiller de ação."
 
O filme, ainda sem título, focará num jovem policial que "perde" um dos sentidos, mas que mantêm em segredo afim de preservar a sua promissora carreira. Porém, essa ocultação tomará proporções desastrosas que colocarão em risco a própria integridade da personagem.
 
Nölle ainda acrescentou que o projeto será "narrativamente fluído, e completamente sensorial, seguindo a perspetiva do protagonista."
 
Vale a pena relembrar que Aloys, a sua primeira longa-metragem, é um drama psicológico que remete-nos a um investigador privado que é contactado por uma misteriosa mulher que o leva a um jogo apelidado de "telefone andante". Durante a trama, o protagonista se vê envolvido num imaginário mundo no romper da sua própria solidão. 
 
Para além do Lince de Ouro no FEST, em Espinho, Aloys venceu ainda o prémio FIPRESCI, em Berlinale 2016, e o Prémio de Público do Festival Las Palmas, em Espanha. Atualmente encontra-se integrado na seleção Another View do Festival Karlovy Vary.
 
 

«Love & Friendship» (Amor e Amizade) por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

Whit Stillman devia mesmo trabalhar mais. Love & Friendship é apenas o seu segundo filme neste século, cinco anos volvidos após Damsels in Distress ter passado despercebido e morrido num mar de novas sensações "indie".

Com esta adaptação de um romance de Jane Austen, o realizador volta a ganhar uma projeção comparável à sua trilogia de filmes de culto dos anos 90: Metropolitan (nomeado ao Óscar de melhor argumento), Barcelona e The Last Days of Disco, que compõem a sua restante filmografia.

O mais imediato que se pode dizer desta obra irreverente e escorreita (com apenas hora e meia de duração) é que não mancha, quer a marca original da autora, quer o trilho que Stillman foi construindo e que encontra aqui um habitat perfeito para viver. A história de Lady Susan e o seu dom para manipular todos à sua volta para seu bom proveito está desde logo longe das heroínas benevolentes e geradoras da maior das empatias típicas de Austen, e talvez por isso, tenha a obra original ficado pelo manuscrito até à morte da autora de Orgulho e Preconceito ... 

Stillman mímica a irreverência e as artimanhas da protagonista na maneira como apresenta a história e respetivos personagens, num argumento repleto de ironia e de um jogo de palavras que convida a revisionamentos, e que reencontra em Kate Beckinsale, 18 anos depois do relativo anonimato pré-Pearl Harbor em The Last Days of Disco (onde também contracenava com Choe Sevigny, por sinal), uma correspondência à altura para o papel principal. Beckinsale, que aliás tem no seu CV uma outra heroína de Austen (no telefilme Emma), tem sido quase sempre subusada por Hollywood desde que Stillman a tinha usado pela última vez, com raríssimas excepções (Nothing But The Truth [ler crítica], de Rod Laurie, vem à cabeça).

Ame-se ou simpatize-se apenas com o filme, dificilmente alguém negará que este é o seu grande momento - e não me chocaria se daqui a um ano a tivéssemos no lote das cinco nomeadas ao Óscar, juntamente com o design de produção e guarda-roupa igualmente vistosos ... 

 

O melhor: Kate Beckinsale e a irrepreensível produção. 

O pior: A recusa de imprimir um toque mais sério aos procedimentos aumenta as hipóteses do público o descartar como o objeto leve que não é - o que não deixa de ser uma característica algo "Austeniana". 

André Gonçalves

Terrence Malick apresenta trailer de «Voyage of Time»

Terrence Malick regressa aos projetos ambiciosos com Voyage of Time, um documentário que promete delinear o Universo desde o seu nascimento (Big Bang) até ao fim deste. Uma celebração do nosso planeta, como é descrito.
 
O compositor italiano Ennio Morricone ficará a cargo da banda sonora, enquanto que a imagem será da responsabilidade de Paul Atkins, o segundo diretor de fotografia de outros filmes de Malick como o premiado à Palma de Ouro, A Árvore da Vida [ler crítica], O Cavaleiro de Copas [ler crítica] e A Essência do Amor [ler crítica].
 
Voyage of Time será lançado em Outubro deste ano, contando com duas versões, uma com duração de 40 minutos e narração de Brad Pitt que terá exibição exclusiva nos cinemas IMAX, e o outro de hora e meia e sob a narração de Cate Blanchett a ter distribuição mais alargada. 
 

«Tangerine» por Paulo Portugal

  • Publicado em Critica

Tem aroma cítrico a comédia romântica do ano, literalmente, travestida por uma inesperada e tocante emoção. Ao seguir a deriva de uma menina transgender em missão de vingança por seu pimp a ter enganado com outra, Tangerine assume-se assim como um fruto priibido ainda que muito sumarento nesta sua assumida simplicidade. É claro que o facto de ter sido o primeiro filme feito com um iPhone (na verdade 3 iPhone 5s) conferiu-lhe o estatuto com que chegou a Sundance, iniciando aí uma longa e multipremiada digressão por alguns dos mais prestigiados festivais.

Afinal de contas, essa ousadia não espanta quando estamos a falar do cineasta cinéfilo que está a criar uma reputação de criar personagens excêntricas que saem do seu submundo para habitar uma narrativa um universo mais um menos mundano e convencional. Caramba não foi ele que entregou um bebé a um hustler de rua nova-iorquino para criar o seu Prince of Broadway, ou enviou a neta de Hemingway ao ofício de atriz porno empenhada em fazer uma boa ação no anterior Starlet. Tal como nestes exemplos, o que mais seduz no cinema de Baker é essa forma fértil em como combina estas personagens marginais com um cinema despretensioso mas que serve com brio as figuras que criou. Confesso entusiasta pelo cinema realista de John Cassavetes, Baker serve-se da mobilidade da câmara como se sentisse a pulsação destas personagens coloridas.

A ideia e o prazer de Tangerine não é tanto o motivo, desenhado logo nos primeiros minutos, da confissão involuntária de Alexandra a Sinn-Dee (excelentes debutantes transgender Mya Taylor e Kitana Kiki Rodriguez) de que o seu ‘namorado’ Chester (James Ranso, também presente em Starlet) a traiu com uma fish (o calão da classe para as vaginas), mas essa viagem durante a tarde e noite de Consoada, entre Santa Monica e Hollywood. Paralelamente, Alexandra procura concentrar-se e chamar as colegas para a sua mais do que anunciada performance nessa noite (virá a saber-se depois que ela própria pagou para usar o espaço). De um lado a fúria e pelo na venta, do outro, a singeleza e candura de quem apenas pretende afirmar a sua condição. Mas temos ainda uma inesperada contribuição de uma família arménia que se cruza com estas personagens em noite que se queria festiva.

Quem tiver dúvidas do resultado final devido ao elemento iPhone que tire o cavalinho da chuva, pois provavelmente se esquecerá dessa curiosidade. Mais depressa somos seduzidos aos tons laranja do entardecer da solarenga Los Angeles, talvez aí uma pista para o enigmático título. Embora possa ser dada também pelo emblema de desodorizante para carro, em forma de tangerina, que Alexandra oferece ao motorista de táxi (Karren Karagulian, também ele veio de Startlet), um cliente habitual dos serviços de Sin-Dee, para camuflar o cheio a vomitado dos clientes anteriores. Talvez esse elemento falso para mascarar uma realidade nojenta acabe por conter a verdade para explicar o enigma. Pois é precisamente esse reabilitar destes sem eira nem beira.

O facto da ação se passar no quarteirão mais famoso do cinema americano, serve ainda para ilustrar a torrente de sonhos, e frequentemente de desilusões, das criaturas que por ali passaram ao longo dos anos. Talvez por isso se imponha um happy ending, embora não sem uma espécie de ‘duelo ao sol’, entre Sin-Dee e Alexandra, seguido depois de um momento de ternura final na lavandaria, em que as duas procuram limpar a roupa (ou a alma) para o retomar de um dia igual aos outros. Esse sim, um gran finale.

O melhor: O parzinho transgender é mesmo fogo!

O pior: Não ter estreado na Noite de Consoada.

Paulo Portugal 

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