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Ralph Fiennes e Hugh Laurie em versão cómica de «Sherlock Holmes»

Os atores Hugh Laurie e Ralph Fiennes irão integrar o elenco da comédia Holmes and Watson, a terceira colaboração entre Will Ferrell e John C. Relly para a Sony Pictures.

Contando com o argumento e direção de Etan Cohen (Faz-te Homem), esta produção prevista para estrear em 2018 será uma variação humoristica das famosas personagens de Arthur Conan Doyle, o detetive Sherlock Holmes e o seu assistente Dr. John H. Watson. Ferrell será Holmes, enquanto que C. Relly desempenhará Watson.

Até ao momento, ainda não foi definido as personagens que a dupla Fiennes / Laurie irá interpretar. No elenco poderemos ainda encontrar Kelly Macdonald (Anna Karenina), Rebecca Hall (Chistine) e Rob Brydon (Cinderella). 

«Cruzeiro Seixas - As Cartas do Rei Artur» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Será este Cruzeiro Seixas: As Cartas do Rei Artur, o documentário falhado de Mário Cesariny? Falhado, porque o foco da câmara embica para um outro vértice, não do poeta e pintor surrealista que tanto se fala e no qual é referido como uma das mais valiosas prestações portuguesas no campo da arte contemporânea.

Artur Cruzeiro Seixas, o outro artista, possui uma ligação incontornável no percurso emocional e artístico de Cesariny, a câmara de Cláudia Rita Oliveira logo cedo fica seduzida pela sua figura, aquela postura de derrotado, passando ao lado da verdadeira notoriedade, daquela luz que todos os artistas ambicionam chegar. Porém, o "mestre", como é várias vezes apelidado, é um anfitrião afável que deixa à vontade quer o espectador, quer o ensaio documental de Oliveira. A sua ironia vencida contagia o resto. Deixemos então, reféns dessas suas palavras, das memórias enriquecidas pelos escritos trocados entre dois seres, umbilicalmente interligados às suas convenções artísticas, assim como, cada um à sua maneira, na procura de um espaço afectivo que os não julga.

Talvez seja por isso, que é impossível desligar Cesariny de Cruzeiro Seixas, e Cruzeiros Seixas de Cesariny. O testemunho de uma vida no limiar do limbo vivente e o fantasma que encoraja esse mesmo pesar. No seu limite, As Cartas do Rei Artur é um filme sobre a morte de Cesariny contado pelo seu mais intimo amigo … e, porque não … amante. Mas, por sua vez, Cláudia Rita Oliveira direciona a lente, aponta o holofote na sua pessoa e assim, em paralelo com o artista-sombra, seguimos o percurso deste subestimado, "mestre" de nome, porém, não ainda de título. Neste território artístico que é um campo de batalha onde a luta é desigual, Cruzeiro Seixas é dos grandes derrotados. O filme serve-lhe de consolo, de "prémio de participação", criativo na variação do seu paladar.

Todavia, Cruzeiro Seixas, este menosprezo incontável, poderá ter os dias expirados, e na deriva das profecias deste documentário biográfico e memorial, o pintor surrealista poderá por fim conhecer esse afortunado destino. Aliás, ele é a grande alma deste projecto, a sua personalidade é a narrativa condutora, a sua grandiloquência converte e atira Cláudia Rita Oliveira para segundo plano. Ela não guarda rancor, até porque o filme existe sob um signo apenas - o signo de um Rei Artur. 

Hugo Gomes

O premiado «Ma Vie de Courgette» em estreia no Monstra 2017

O filme suíço Ma Vie de Courgette (My Life as a Zucchini), de Claude Barras, apontado como um eventual candidato aos Óscares da Animação deste ano, contará com antestreia portuguesa na próxima edição da Monstra | Festival de Animação de Lisboa.

Apresentado pela primeira vez na Quinzena de Realizadores de Cannes, Ma Vie de Courgette, sobre a história de um rapaz que após o desaparecimento da sua mãe é forçado a viver num orfanato, conquistou no Festival de Annecy o Prémio do Público e o Cristal para Longa-Metragem (o mais importante galardão desse certame). De momento, conta com uma nomeação aos Globos de Ouro.

Ma Vie de Courgette irá integrar a Competição de Longas-Metragens do festival lisboeta ao lado de Molly Monster, de Ted Sieger, que teve estreia na passada edição do Berlinale e que conta com uma premiação no Shangai Film Festival. O enredo de Molly Monster centrará nas aventuras de um amoroso monstro.

Monstra | Festival de Animação de Lisboa, terá lugar nos dias 16 e 26 de março de 2017.

«Zeus» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Se considerarmos Zeus um biopic é como se a banalizássemos perante os seus "primos" americanos (que segundo Tarantino são motivos para atores vencerem Óscares) e de alguns dos horrores nacionais que temos vindo a testemunhar nos últimos anos.

A primeira longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro é uma descoberta por um período quase negligenciado nos manuais de História e a ribalta de uma das figuras mais esquecidas no Portugal contemporâneo: um escritor de contos eróticos que ascende a Presidente de República; um homem que abandonou o seu cargo para poder viver no anonimato numa Argélia colonial. Trata-se de Manuel Teixeira Gomes, um ilustre caso de literatura nefelibata no nosso país, sendo que um filme sobre a sua personalidade requeria algo mais que somente fórmulas reutilizadas.

Zeus não tenta de maneira nenhuma abandonar o seu estatuto de cinebiografia. A sua personalidade não o aflige como um caso único e inédito, quer no nosso panorama cinematográfico, quer em relação com o dito "World Cinema". Mas Paulo Filipe Monteiro tudo fez para o demarcar dos restantes produtos de linha de montagem que o subgénero tem atingido, e muito mais desligou-se da dependência televisiva que muito do cinema comercial português não consegue emancipar-se.

Até aqui existem motivos para sorrir. Zeus não é uma bestialidade como as mais recentes biopics nacionais. Relembro que já tivemos um Salazar playboy, uma Amália sob toques de loucura, e sem esquecer a quimera envolta no escândalo de Carolina Salgado. Por sua vez temos uma produção singela, bem intencionada (visto que vem recriar um pedaço de História esquecida), e um trabalho dedicado e forte por parte do ator Sinde Filipe, que transforma Manuel Teixeira Gomes num patriarcal bon vivant. Em nota, temos uma notoriedade na caraterização (coisa rara no cinema português) e efeitos práticos que nunca cedem à tendência failsafe.

O grande senão deste Zeus está naquilo que o realizador fortemente apostou, na narrativa dividida em três camadas, na constante oscilação, meio "salta-pocinhas", envolvida nas suas devidas particularidades (Ivo Canelas quebra a quarta barreira, a fotografia varia consoante a história centrada), porém, subentendidas numa conexão desfragmentada. Mas nada que nos impeça de usufruir dos propósitos desta recriação saudosista, com mais atenção à figura homenageada do que propriamente conceber-se numa incisão político-social de época. Se no caso do espectador é a procura do último ponto, então este não estará na sala certa.  

O melhor – Sinde Filipe e a demarcação de Paulo Filipe Monteiro em relação das fórmulas entranhadas da biopic

O pior – o saudosismo e a criatividade nas narrativas não serem simbiotícas

Hugo Gomes

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