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«Les Beaux Jours d'Aranjuez» (Os Belos Dias de Aranjuez) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica
 
Qualquer cinéfilo que se preze é incapaz de conformar com as descrições de “arte menor”, ou “não arte”, assim como “mero entretenimento de feira”, o qual são dirigidas ao Cinema em geral. O verdadeiro cinéfilo nega, com todas as suas forças, a franqueza e simplicidade face em comparação com as outras artes. O cinéfilo é impuro, por vezes limitado à sua verdade, mas em isso do que desprezar o amor pela Sétima Arte e nunca abandoná-lo à sorte do menosprezo artístico. E se para muitos o Cinema não possui a profundidade da literatura, o uso imaginativo do “faz-de-conta” do teatro, a contemplação divina e quase artesanal da pintura, ou a monumentalidade da arquitectura, para o cinéfilo é nada mais, nada menos, que a fusões de todas essas plataformas artísticas, o filho bastardo que aos poucos toma o seu lugar. 
 
Mas abandonada a oligárquica ideologia de cinéfilo, sabendo que o Cinema não é par para a literatura e à dramaturgia, Wim Wenders aventura-se num extremo jogo “faz-de-conta”, experimentando uma adaptação de uma peça de Peter Handke (o dramaturgo tem um pequeno papel neste filme) para superar as limitações que inicialmente o colocaram. Infelizmente, Wenders cede à “burguesia” de um cinema erudito, tentando sobretudo apoiar-se nos textos que, para sua desgraça, não contrai a poética sonoridade nem os ecos de filosofia citada. Se o cineasta alemão tenta percorrer Eric Rohmer neste seu quadro vivo, esta prova auto-rejeita-se, os diálogos não foram o seu forte muito menos a proclamação destas prosas faladas, despejadas sem a orgânica, nem compostura.
 
Porém, Wenders brinca com as dimensões, atropela-se nas plataformas artísticas que ele própria cita e tenta dar luzes a uma fértil amostra imaginativa, uma alusão da criação térrea de uma realidade. Assim, são duas que se embatem e dispersem, vidas artificiais pulsadas pelo toque do seu criador na sua máquina de escrever. Jens Harzer é um Deus para estes seres preenchidos por linhas, mecanizadas nas suas palavras, e é então que o improviso surge, os fatos que alteram a cor consoante a vontade do mentor, as falas que são interrompidas pelas mudanças musicais … e novamente a realidade paralela a funcionar quando entra Nick Cave em cena, a música pode ser o nosso álibi imaginativo. 
 
 
Mas o nosso leitor questiona neste preciso momento, do que se trata este Os Belos Dias de Aranjuez? A resposta esconde-se por entre estes artifícios manipuláveis, Wim Wenders tenta reinventar o seu cinema, colocando e transcendo das suas limitações enquanto criação visual. Obviamente, que esta nova obra não goza desse statment artístico, pelo contrário este retrocedo a um cinema burguês o coloca na pista donde o seu cinema evoluirá. Tal como o relato de uma das suas personagens, durante uma viagem a Aranjuez, a desilusão o tomou ao ver que a chamada “Casa del Labrador” não passava de um anexo no Parque Real, mas é nas groselhas, outrora domésticas, que adaptaram-se ao assilvestrado do meio, expandido e tomando o lugar das amoras e outros frutos que habitavam nos bosques para além do Tejo. Por outras palavras, Wenders descarta o seu cinema, assume a arte de outro e espera que esta toma a sua forma. Trata-se de cedência para mais tarde evoluir. Esperemos que sim.
 
Contudo, o cineasta alemão tem sido dos poucos que tem associado o 3D ao cinema dramático, “despindo” das suas conotações circenses, porém, faltará uma maior emancipação para que sinta o uso dessa mesma tecnológica. 
 
Hugo Gomes
 

«Rogue One: A Star Wars Story» (Rogue One: Uma História de Star Wars) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Há quem ainda acuse George Lucas de ter sido o "cancro" de uma saga tão querida para milhões. Desde a suas remasterizações e "remexidelas" na trilogia original em múltiplas edições de home video, até aos três filmes produzidos entre 1999 e 2005 que atualmente é esquecido por muitos. Mas não devemos ignorar, que apesar do resultado, Lucas tentou expandir o Universo que ele próprio criou com alguma inovação, quer tecnológica, quer narrativa.

Porém, vivemos num Mundo onde a personalidade parece ser condenável, e depois de uma homage algo cobarde (diga-se por passagem), por parte de J.J. Abrams, chega-nos o intitulado Rogue One, uma referência no scroll credits de 1977 que originou um filme sob tons bélicos e de tamanha "piscadela de olhos" a temáticas politicas. Enfim, politicas e Disney nunca se misturaram, relembro o caso de Civil War onde super-heróis disputavam entre si consoante as suas fraudulentas ideologias. Neste Star Wars, tal é o fogo brando do extremismo oriental, como muito media ocidental parece insinuar, e o liberalismo em acordes de guerrilha-ativista, que tenta soar com seriedade neste "world building" formatado.

Contudo, Star Wars não é uma distopia politica sob o formato de sci-fy, é simplesmente a tentativa de vender e extrair até à última gota uma memória, uma nostalgia e um sentimento que muitos guardam fervorosamente dentro de si. O resultado não é um filme francamente mau em termos técnicos (tirando o uso e o abuso do motion capture para a ressurreição de personagens vencidas, até porque "Peter Cushing is not alive anymore"), é sim, uma réplica, uma obra despersonalizada exercida sobre personagens de tamanha causticidade na sua concepção. Nada de sólido, só "carne para canhão".

Depois temos os inevitáveis cameos, o fan service a vingar sobre os fãs, e um enredo rotineiro que joga-se forçosamente na cronologia estrelar. Para nosso encanto, é mesmo Ben Mendelsohn a perpetuar como vilão de serviço (mas já está na hora de abandonar a "sacanice"), e a banda-sonora saudosista de Michael Giacchino que segue a tradição de John Williams. Mas fora isso, é a indústria megalómana comanda, transformando, o então astuto Gareth Edwards (que ressuscitou com algum agrado Godzilla em terras estadunienses), num mero "moço de recados".

Temos que perdoar os pecados de George Lucas, ao menos ele trouxe uma breve sensação de novidade a um franchise, que não inventou o Cinema como muitos acreditam, mas que redefiniu os moldes do entretenimento cinematográfico para grandes massas. Sim, os fãs vão "venerar", mas Rogue One nada de relevante tem para o Cinema, e isso meus amigos, em épocas de produtos bem "lubrificados", não é nada. 

Hugo Gomes

Primeiro trailer de «Gru, O Maldisposto 3»

Afinal, o nosso vilão tem um gémeo, que decide, por fim, ressurgir das sombras. O Gru, O Maldisposto e o seu exército de Minions vão regressar em 2017.

O novo filme será dirigido por Kyle Balda e Pierre Coffin e contará com as vozes de Steve Carell, Kristen Wiig, Russel Brand e Trey Parker (criador de South Park), este último como o novo vilão, Balthazar Bratt.

Nos cinemas portuguesas a 29 de junho. 

«La La Land» é o grande favorito dos Globos de Ouro

  • Publicado em Eventos

Foram revelados os nomeados aos Globos de Ouros, prémios atribuídos pelo Sindicato de Imprensa Estrangeira em Hollywood. Entre os destaques conta-se o favoritismo de La La Land com sete nomeações, Moonlight com seis e Manchester By the Sea com cinco. Curiosidades, a ausência de Clint Eastwood e Martin Scorsese nas principais categorias, a de Finding Dory na animação e a presença de Deadpool, em Melhor Filme de Comédia / Musical e de Melhor Ator em referida categoria.

Os vencedores serão anunciado no dia 8 de janeiro em Beverly Hilton Hotel.

Filme (Drama)

Hell or High Water

Hacksaw Ridge

Manchester By the Sea

Lion

Moonlight

 

Filme (Comédia/ Musical)

Florence Foster Jenkins

20th Century Women

La La Land

Deadpool

Sing Street

 

Melhor Filme de Língua Estrangeira

Toni Erdmann (Alemanha)

Neruda (Chile)

Elle (França)

Divines (França)

The Salesman (Irão)

 

Ator (Drama)

Denzel Washington (Fences)

Casey Affleck (Manchester By the Sea)

Joel Edgerton (Loving)

Andrew Garfield (Hacksaw Ridge)

Viggo Mortensen (Captain Fantastic)

 

Atriz (Drama)

Amy Adams (Arrival)

Jessica Chastain (Miss Sloane)

Isabelle Huppert (Elle)

Ruth Negga (Loving)

Natalie Portman (Jackie)

 

Atriz (Comédia/ Musical)

Annette Bening (20th Century Women)

Lily Colins (Rules Don’t Apply)

Hailee Stenfield (The Edge of Seventeen)

Emma Stone (La La Land)

Meryl Streep (Florence Foster Jenkins)

 

Ator (Comédia/ Musical)

Ryan Gosling (La La Land)

Hugh Grant (Florence Foster Jenkins)

Ryan Reynolds (Deadpool)

Colin Farrel (The Lobster)

Jonah Hill (War Dogs)

 

Realizador

Damien Chazelle (La La Land)

Tom Ford (Nocturnal Animals)

Mel Gibson (Hacksaw Ridge)

Barry Jenkins (Moonlight)

Kenneth Lonergan (Manchester by the Sea)

 

Atriz Secundária

Viola Davis (Fences)

Nicola Kidman (Lion)

Naomie Harris (Moonlight)

Michelle Williams (Manchester by the Sea)

Otavia Spencer (Hidden Figures)

 

Ator Secundário

Jeff Bridges (Hell or High Water)

Dev Patel (Lion)

Aaron Taylor-Johnson (Nocturnal Animals)

Mahershala Ali (Moonlight)

Simon Helberg (Florence Foster Jenkins)

 

Argumento

La La Land

Nocturnal Animals

Moonlight

Manchester by the Sea

Hell or High Water

 

Animação

Moana

Zootopia

Sing

Ma Vie de Courgette

Kubo and the Two Strings

 

Banda-Sonora

Lion

Moonlight

Hidden Figures

Arrival

La La Land

 

Canção Original

City of Stars (La La Land)

Can’t Stop the Feeling (Trolls)

Gold (Gold)

Faith (Sing)

How Far I’ll Go (Moana)

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