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«Joy» vence Festival de Marraquexe

A segunda longa-metragem de Sudabeh Mortezai, Joy, sobre uma mulher nigeriana forçada a entrar no mundo da prostituição, vence a Estrela de Ouro, prémio máximo do 17ª edição do Festival de Marraquexe. A cerimónia de gala foi apresentada pela atriz italiana Monica Belluccci.

Quanto aos outros premiados; La Camarista da mexicana Lila Avilés que conquistou o Prémio de Júri, o de Realização segue para as mãos do estreante Ognjen Glavonic e o seu The Load, Nidhal Saad é o Melhor Ator por Look at Me (Regarde-moi) e Aenne Schwarz como Melhor Atriz em All Good.

O cineasta James Gray presidiu o júri deste ano, que constituído pelas atrizes Dakota Johnson e Ileana D’Cruz, pela artista visual Joana Hadjithomas, pelos realizadores Laurent Cantet, Lynne Ramsay, Tala Hadid e Michel Franco e o ator alemão Daniel Brühl.

Cristian Mungi revela o seu próximo projeto

O cineasta romeno Cristian Mungiu (4 Months, 3 Weeks and 2 Days, The Graduation) revelou à Variety, durante a sua estadia no Festival de Marraquexe onde coordenou uma masterclass, detalhes sobre a sua próxima obra. Segundo o próprio, será a sua maior produção de sempre e ao mesmo tempo a mais pessoal. O realizador irá levar a vida da sua avó para o grande ecrã, projeto antigo que o próprio concebeu num verão da década de 90, o qual tentou compilar a biografia para livro. Mungiu acrescentou que será uma história ambientada na Guerra.

Para além de realizador, Cristian Mungiu tem exercido o cargo de produtores de inúmeros outros projetos, que o próprio salienta pertencer a alguns dos mais promissores cineastas da Roménia. Entre as suas produções conta-se The Father Who Moved Mountains, de Daniel Sandu, e Lemonade, de Ioan Uricaru (filme que venceu a última edição do FEST).

Trailer de «BrightBurn», James Gunn produz alternativa a Super-Homem

Foi apresentado no CCXP, a Comic Com de São Paulo (Brasil), o primeiro trailer de BrightBurn, filme terror com a produção de James Gunn que reimagina a origem do Super-Homem.

Dirigido por David Yarovesky (The Hive), esta produção da Sony Pictures será lançada em maio do próximo ano. A atriz Elizabeth Banks (The Hunger Games, Power Rangers) protagoniza um elenco que conta ainda com David Denman, Jackson A. Dunn, Matt Jones e Meredith Hagner.

«Boy Erased» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

O segundo passo do ator Joel Edgerton na realização faz-se por um filme-denúncia. Remexe nas memórias do escritor Garrard Conley, filho de um pastor Baptista, que após revelar a sua homossexualidade é enviado para uma instituição de forma a "curar-se".

Boy Erased apresenta-nos Lucas Hedge (Manchester By the Sea, Lady Bird) no papel de Conley, que se assumirá como um guia para um protótipo destas casas de conversão gay, sempre pontuado de doutrinas religiosas e alusões a cantos infernais e movimentos pecaminosos. Todo este processo tende em soar como irmão bastardo entre os Alcoólicos Anónimos e um estabelecimento militarizado (aqui até mesmo a posição é sinonimo de virilidade). Este Hedge / Conley evoca-se como um “insider” pronto a esboçar esta realidade ainda existente em terras yankees, fundando assim um encenado documento para com esta desinformação. É como se um artigo da New Yorker tratasse, minado de reflexão e tendências jornalísticas, originando um filme sobretudo esquemático e descritivo onde as personagens não são mais do que meras representações (curiosamente, um dos “utentes” é Xavier Dolan).

Nesse termo, Boy Erased justifica a sua visualização para fins de conhecimento e conscientização, o que prova acima da tentativa de Edgerton prevalecer como um realizador de R maiúsculo. Endereçado por uma planificação sobretudo académica onde não faltam os graduais fade in e fade outs como mandam as leis emocionais de Spielberg, o realizador parece não ter controlo numa miopia castradora para com as eventuais direções do filme, fechando, ou melhor, enclausurando com uma falsa luz messiânica do que é Cinema.

Todo este processo depara-se com as similaridades do modus operandis destas mesmas “casas”, uma manipulação mental e sentimental que a homossexualidade é anti-natura, assim como Edgerton julga o além-academismo numa anormalidade. Fora do cenário protagonista desta história, o filme tende em solidificar a sua dramatização com momentos pai-filho ou em spotlights repentinos de Nicole Kidman (no mesmo registo de Lion, ou seja, uma secundária dependente do seu destacado monologo), tudo sob a melodia do arrasa-corações.

No final, apercebemos duas coisas. Uma é que Joel Edgerton não tem “visão” para realizador (ao contrário de um Bradley Cooper que surpreende em renunciar essa linguagem de “bom americano de estúdio”). Segundo, Lucas Hedge tem a força, mas não a suficiente para realçar este telefilme disfarçado de Cinema.    

Hugo Gomes

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