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O rap portuense chega ao cinema - Vem aí «Não Consegues Criar o Mundo Duas Vezes»

O rap e o Porto. A música e a cidade. Não Consegues Criar o Mundo Duas Vezes é o novo documentário português realizado por Catarina David e Francisco Noronha e pretende focar-se no surgimento e consolidação do rap nesta cidade, ao longo das décadas de 80 e 90.

Em entrevista ao Rimas e Batidas, Noronha avançou que o propósito do filme é "documentar a árvore genealógica de um movimento e perceber as suas origens, nuances, cambiantes, transformações. Todavia, mais do que a história cronológica e factual dos acontecimentos, mais do que a ‘grande história’, interessa-nos, acima de tudo, as pequenas histórias de cada um, as memórias individuais daqueles que, nas suas vidas, contribuíram, no início sem o saber, para o nascimento e consolidação de uma expressão artística.”

Segundo a Lusa, o filme é uma recolha de depoimentos de bandas como Reunião das Raças, Dealema, Mind da Gap, L.C.R. (Nokas e Berna), Triângulo Dourado, Conjunto Corona, Capicua, M7, Virtus, Deau e Minus. Sam The Kid também faz parte dos entrevistados. "Muitos deles já nem estão ativos atualmente", referiram.

Quando contactado pelo C7nema, Noronha adiantou que foram também feitas entrevistas ao jornalista Rui Miguel Abreu, o ex-A&R da "Valentim de Carvalho/NorteSul" Pedro Tenreiro e o apresentador de televisão José Mariño, "uma pessoa que queríamos muito ter no filme", que foi também responsável pelos primeiros programas de rádio na Rádio Energia e, mais tarde, na Antena 3.

O projeto está a ser trabalhado desde março do ano passado, tendo sido recolhidas várias horas de entrevistas. Atualmente está a ser finalizado na fase de pós-produção. Embora não haja data definida, a estreia deverá ser para o final deste ano.

Os desenvolvimentos do filme podem ser acompanhados na página do facebook. Em baixo, os 3 teasers do filme já disponíveis.

3 ideias visuais em «Gattaca»

  • Publicado em Artigos

Meu espírito, toma cuidado. Nada de soluções violentas. Exercita-te! - Ah, a ciência não é suficientemente rápida para nós! - Arthur Rimbaud, Uma Cerveja no Inferno.

Feito na altura em que o Projeto do Genoma Humano era motivo de grandes expetativas, mas também apreensões, Gattaca é a obra com a qual Andrew Niccol (o argumentista de The Truman Show) se estreou na realização. Neste filme biopunk, é retratada uma sociedade onde os indivíduos são divididos em dois grupos, os “Válidos” e os “Inválidos”. Os primeiros são seres concebidos in-vitro, geneticamente aperfeiçoados e aos quais lhes estão reservados os cargos superiores de cada empresa. Já os segundos são frutos do “amor natural”, descriminados e com empregos sem qualquer possibilidade de progressão de carreira. Vincent (Ethan Hawke), um “Inválido”, assume a identidade de Jerome (Jude Law), um “Válido” alcoólico e paraplégico, a fim de se infiltrar na firma que dá nome ao título do filme e concretizar o seu sonho de ir numa missão espacial para Titã, uma das luas de Saturno.

Niccol criou uma obra que pretende contrapor o livre-arbítrio e a vontade humana à possibilidade deste universo pré-determinista alicerçado em princípios eugénicos. Questiona assim as repercussões que o avanço tecnológico acarretado pela Engenharia Genética poderão provocar a um nível social e se, porventura, serão ultrapassadas pela determinação e esforço do indivíduo. É a poucos meses de completar o seu 20º aniversário que recupero o filme, onde pretendo destacar 3 ideias-chave sobre as quais é construído e como são transmitidas visualmente.

A colossalidade da pequeneza: o plano detalhe

Nas primeiras páginas do argumento (que pode ser consultado aqui), o começo do filme é descrito da seguinte maneira:

Somos confrontados com uma paisagem estéril e vazia. (…) Subitamente, sem aviso, uma presa de elefante cai do céu e embate no chão seco. (…) Noutra região, troncos de árvore começam a chover do céu. (…) A câmara começa a recuar longa e lentamente da pilha de presas de elefante. Elas são, afinal, unhas humanas ampliadas centenas de vezes. Os troncos de árvore são folículos humanos.

Cena de abertura de Gattaca. Enquanto os créditos decorrem, unhas (na imagem acima) e cabelos humanos (na imagem abaixo) ampliados centenas de vezes caem em slow- motion.

Embora não tenham ficado, talvez, tão claras estas associações no forma final do filme, as intenções de Niccol são explícitas: fazer do pequeno algo de uma proporção colossal, cujo efeito intimidante no espetador tem de provocar o receio pelo protagonista. Para transmitir essas emoções, o cineasta recorre ao dispositivo do plano detalhe, isto é, um grande plano muito aproximado de objetos, partes do corpo humano ou, neste caso, os materiais biológicos portadores de sequências genéticas. Não só na cena de abertura temos essas tais unhas e folículos em queda ampliados (símbolos da identidade genética) como, ao longo da obra, há a presença circunstancial de planos ocupados por pedaços de pele, cabelos e pestanas. Planos esses presentes em cenas onde a autenticidade da identidade de Vincent pode vir a estar comprometida.

 

Planos detalhe de vários tipos de material biológico humano: sangue, cabelos e pestanas.

A ascenção como superação

Como já referido, o sonho principal do protagonista é o de se tornar astronauta e partir num foguetão até Titã. Esta questão da “subida” ou “ascensão” vai sendo predominante visualmente ao longo do filme, principalmente através dos momentos em que ocorre o lançamento dos ditos veículos espaciais, filmadas (mas nem sempre) por contrapicados ou panorâmicas verticais. A certa altura é dito a Vincent "se queres fingir que não te interessa estares lá em cima, não olhes para lá". Mas o espetador é justamente forçado a encaminhar o olhar em direção ao céu, passando assim a partilhar da vontade do protagonista em abandonar o patamar social inferior a que a condição genética lhe reservou.

A ascenção através do movimento do foguetão, em lançamento, filmado num contrapicado.

A panorâmica vertical que acompanha o movimento do foguetão. 

Esta questão da ascenção pode ser alargada até à já apontada semelhança entre a estrutura da escada presente no apartamento de Jerome e a de uma cadeia de DNA. Enquanto Jerome é recordado da sua incapacidade em subi-la devido à sua invalidez (desde o primeiro plano em que surge), Vincent não tem qualquer dificuldade em cumprir o seu trajeto. Jerome conseguirá, no entanto, subir a escada numa cena de forte suspense em que um enorme esforço e empenho o levam a isso para preservar a permuta de identidades entre si e Vincent. Dito de outra maneira, o movimento ascendente cumprido nesta construção é, não só uma metáfora visual de como o indivíduo ultrapassa a sua condição genética (no caso de Vincent), como é usado de forma perspicaz na narrativa, para salientar a superação da condição física (no caso de Jerome) pelo indivíduo, a partir da sua determinação, esforço e perseverança.

 A incapacidade física de Jerome em subir a escada que é salientado ao longo do filme.

 

Jerome sobe as escadas, superando a sua condição física.

A barreira no primeiro plano

A fragilidade da condição de Vincent é, necessariamente, a principal barreira que o separa do seu objetivo. Essa barreira vai ganhando formas materiais ao longo do filme, que se interpõe entre ele e os membros superiores desta sociedade. A primeira delas quando, ainda bebé, lhe é interdito o acesso a uma escola e é fechado um portão à sua frente. O pequeno Vincent agarra as grades do portão e a associação visual remete obrigatoriamente para a da porta de uma cela que o separa de um mundo igualitário. Noutro exemplo, já em Gattaca a trabalhar como contínuo, Vincent limpa uma janela e vê o reflexo dos funcionários a subirem uma escada rolante. O vidro desta janela é o que separa estas duas entidades humanas.

As barreiras físicas que separam Vincent dos "Válidos".

É talvez com esta ideia de uma barreira que é, por fim, ultrapassada que o filme acaba, com um zoom-in à janela na parte superior do foguetão que, desaparece, acabando num plano contendo meramente as estrelas. 

zoom-in com que o filme encerra. A ilusão do desaparecimento da barreira física (as paredes do foguetão e a janela) para apenas ficarem as estrelas.

Duarte Mata

Locarno: Wang Bing é o grande vencedor, Isabelle Huppert e Portugal também saem premiados

Foram hoje divulgados os vencedores da 70ª edição do Festival de Cinema de Locarno, a decorrer desde 2 de agosto. O grande vencedor foi o cineasta chinês Wang Bing (cujos filmes A Fossa (2010)Três Irmãs (2012) tiveram já estreia comercial em Portugal) com o seu Mrs Fang, documentário em torno dos últimos dias de uma mulher de idade que é agricultora.

O prémio do júri foi atribuído a As Boas Maneiras de Juliana Rojas e Marco Dutra, em torno da amizade entre uma mulher rica em São Paulo e a ama da sua criança por nascer.

O prémio de realização foi para F.J.Ossang por 9 Doigts, co-produção franco-lusitana sobre um homem em fuga que herda uma fortuna de um homem moribundo que encontra na estrada. Este filme teve o apoio da produtora O Som e a Fúria e foi parcialmente rodado em Portugal.

A atriz Isabelle Huppert (recentemente nomeada para o Óscar por Ela (2016)) venceu o prémio de interpretação feminina por Madame Hyde de Serge Bozon, no papel de uma professora agressiva que muda de comportamento após ser atingida por um relâmpago.

O prémio de melhor interpretação masculina foi para o ator dinamarquês Elliot Crosset Hove por Vinterbrødre, sobre a luta entre dois irmãos com outra família.

Nas secções paralelas, Portugal viu-se vencedor com a curta-metragem, na secção internacional Pardi di domani, por António e Catarina de Cristina Hanes, em torno da relação entre um homem de 70 anos e uma mulher de 25; e uma menção especial na secção Cineasti del Presente para Verão Danado de Pedro Cabeleira. Outra co-produção portuguesa que se viu premiada nesta última secção foi Milla de Valerie Massadian, com o prémio especial do júri. 

O júri constituído por, entre outros, o cineasta português Miguel Gomes, foi presidido pelo cineasta francês Olivier Assayas.

Val Kilmer diz que Kurt Russel é o "único responsável" pelo sucesso de "Tombstone", implicando o seu envolvimento na realização

O ator Val Kilmer escreveu no seu blog sobre um dos filmes da sua carreira: Tombstone (1993) de George Cosmatos. O western que é uma das várias adaptações cinematográficas do célebre tiroteio em OK Curral que envolveu o xerife Wyatt Earp, tem vindo a causar discussão sobre quem, de facto, foi o responsável pela realização do filme.

Numa entrevista de 2006, o ator Kurt Russel (também protagonista do filme) conta como o primeiro realizador, Kevin Jarre, foi despedido após um mês de filmagens e teve que ser substituído por Cosmatos. Russel disse que, no entanto, era ele quem fornecia a Cosmatos uma lista de planos, todas as noites, para as filmagens no dia a seguir e que, enquanto Cosmatos fosse vivo, "não diria nada a ninguém". Ainda segundo Russel, o mesmo tinha acontecido entre o ator Sylvester Stallone e Cosmatos na rodagem de Rambo 2.

No seu texto, Kilmer diz que "Kurt Russel é o único responsável pelo sucesso de Tombstone, sem dúvida (...) embora as nossas versões sejam ligeiramente diferentes, a única coisa em que ele tem totalmente razão é o quanto trabalhava no dia anterior para dar a lista de planos no dia seguinte e o esforço tremendo que ele e eu pusemos na montagem à medida que o estúdio não nos dava tempo extra, para compensar o tempo perdido com o despedimento do primeiro realizador. Perdemos o nosso primeiro realizador depois de um mês de filmagens e vi o Kurt sacrificar o seu próprio papel e energia para se desenvolver como um contador de histórias."

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